domingo, 5 de junho de 2011

A ENTREVISTA DO MINISTRO E A PERGUNTA QUE NÃO FOI FEITA



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Antônio Palocci, o Chefe da Casa Civil do governo Dilma Rousseff, anda causando polêmica até mesmo dentro da esquerda, em mais um momento de crise do Governo Federal. Essa crise pode ser uma prova de fogo e o governo terá que se sobressair, caso contrário a nova direita que se compõe a partir do PSD poderá crescer nos próximos anos. Dilma está até consultando Lula a respeito de Palocci, e a mídia golpista, lamentavelmente, está se divertindo com isso.

A entrevista do ministro e a pergunta que não foi feita

Por Luiz Carlos Azenha - Do blogue Viomundo

É óbvio que Antonio Palocci jamais vai revelar os clientes para os quais trabalhou, que é o cerne do debate que se trava em torno de sua permanência na Casa Civil.

A revelação mataria futuras oportunidades dele como… consultor.

Portanto, Palocci está mais uma vez protegendo seus negócios pessoais, em detrimento do interesse público.

Por que é importante saber quais foram os clientes de Palocci?

Para que a opinião pública monitore as relações destes clientes com entes públicos hoje subordinados a Palocci.

Há quem argumente que, como Palocci, outros já fizeram o mesmo, esquecendo o essencial: outros o fizeram depois de deixar o governo.

Palocci saiu, enriqueceu como consultor — em período eleitoral, diga-se — e voltou.

Ontem, no Jornal Nacional, o ministro disse: “Eu não fiz tráfico de influência, como eu provo isso?”.

Simples, revelando a lista de clientes.

O ministro também pediu aos telespectadores que dessem a ele o benefício da dúvida. Afinal, todo mundo é inocente até prova em contrário. O apelo dele para que as pessoas confiassem antes de desconfiar foi o melhor momento da entrevista. Bastante razoável.

Eu, se estivesse lá, perguntaria:

Ministro, o problema é que em 2006 o senhor disse, em nota dirigida ao presidente Lula: “Quero esclarecer, senhor presidente, que não tive nenhuma participação, nem de mando, nem operacional, no que se refere à quebra do sigilo bancário de quem quer que seja. Reafirmo ainda que não divulguei nem autorizei nenhuma divulgação sobre informações sigilosas da Caixa Econômica Federal”. No entanto, recentemente, a Caixa Econômica Federal atribuiu a seu gabinete o vazamento das informações relativas a Francenildo. Se não foi o senhor, o senhor apurou qual auxiliar fez o vazamento? O senhor não acha razoável, diante dessa dúvida, que as pessoas tenham o direito de desconfiar?”

Talvez o JN colocasse a pergunta e a resposta no ar. Talvez.

PS do Viomundo: Insisto que não há qualquer prova material de enriquecimento ilícito, nem de tráfico de influência, contra Palocci, pelo menos formalmente. O problema é ético e político. Teremos um ministro vagando por aí, num cargo-chave do governo, com uma tremenda nuvem negra sobre a cabeça. A oposição vai tirar proveito da nuvem para provocar chuvas e trovoadas quando bem entender.

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