quarta-feira, 8 de junho de 2011

BUSOLOGIA CARIOCA SE ISOLA NO CLIENTELISMO POLÍTICO



Por Alexandre Figueiredo

Episódios preocupantes envolvendo a busologia (hobby relacionado a ônibus) do Rio de Janeiro mostram o quanto o grau de politicagem atinge grupos de busólogos dotados de alguma visibilidade. A dupla Sérgio Cabral Filho e Eduardo Paes, de uma forma maquiavélica, interferiu num simples hobby, causando, dentro da busologia, conflitos internos e adesões condicionadas a vantagens pessoais.

Entre a conivência com irregularidades administrativas e o consentimento a medidas arbitrárias, os busólogos que aderiram ao "trem da alegria" de Sérgio e Eduardo, ainda que tentem dizer que "defendem o interesse público", acabam demonstrando, além de desinformação, um mal disfarçado desprezo ao sofrimento da sociedade.

Nem todos aderiram ao esquema e existem busólogos honrados que não estão sequer felizes com essa situação toda. Por outro lado, os busólogos que aderiram ao clientelismo, que agora formaram uma "panelinha" pelega e movida pelas conveniências políticas, têm em vista a visibilidade sonhada durante os eventos da copa de 2014 e das olimpíadas de 2016.

Alguns episódios são ilustrativos do caráter pelego de parte da busologia fluminense.

1) A distorção nas informações em torno de uma suposta lei - na verdade, um projeto de lei - que iria determinar a obrigatoriedade do uso de ar condicionado nos ônibus intermunicipais. A proposta de lei seria destinada aos ônibus com destino ao município do Rio de Janeiro, mas a interpretação errada por parte de um grupo de busólogos dava a crer que a lei estava regulamentada e que se destinava a TODO o Estado do Rio de Janeiro, foi propagada e repercutiu mal. Afinal, ninguém explicou, por exemplo, se uma linha 31 Praia da Luz / Barreto, que liga São Gonçalo a Niterói e passa por estradas de terra, estaria incluída na "lei". Os busólogos que difundiram a "lei" ficaram irritados quando foram contestados.

2) A indignação quanto às irregularidades cometidas pela Turismo Trans 1000, empresa de Mesquita, na Baixada Fluminense, era normal quando o debate estava limitado a fóruns da Internet, alguns privativos (com acesso por senha, nas redes sociais). A Transmil é hoje famosa pela frota velha e sucateada. Mas quando se iniciou uma campanha para tirar a Transmil de linhas destinadas ao Rio de Janeiro, estranhamente apareceram busólogos defendendo a empresa, sob o pretexto de defender seus empregados. Só que até estes também são prejudicados pela empresa, pelo atraso nos pagamentos e pelas evidentes más condições de trabalho.

3) O consentimento em relação a irregularidades do DETRO, que, entre outras coisas, permite que duas linhas, "Santa Rosa X Estácio" e "Charitas X Gávea" (intermunicipais de Niterói), circulem com o mesmo código 750D; que ônibus da Auto Ônibus Fagundes (RJ 101) circulem com o código numérico da Turismo Rio Minho (RJ 166) e a Turismo Rio Ita (RJ 152) circule com o código numérico da Fagundes. Isso sem falar do fato do DETRO, quando tenta punir a Transmil, se limita apenas a apreender seus carros, por alguma irregularidade física (como carros sem freios nem retrovisor) ou burocrática (documentação irregular).

4) A adesão tendenciosa à padronização visual dos ônibus do município do Rio de Janeiro, uma medida arbitrária que, aparentemente, gerou rejeição quase total dos busólogos, mas hoje parece contar com o apoio de parte deles. No entanto, a medida não se mostrou vantajosa, muito pelo contrário. Ela apresenta irregularidades diversas e o povo, já preocupado com seus afazeres, ainda é obrigado a redobrar sua atenção para não pegar um ônibus errado, uma atitude que exige sacrifícios até de gestantes, idosos e deficientes físicos, além de semi-analfabetos. Esses transtornos são vistos com indiferença pelos busólogos pelegos, como se isso nada tivesse a ver com a citada medida dos "ônibus fardados".

IRRITABILIDADE - Nota-se que, do lado dos busólogos que adotam tais medidas, a irritabilidade é evidente. Sobretudo quando o assunto é padronização visual dos ônibus e tudo que fosse relacionado a "totens" como Eduardo Paes e Jaime Lerner.

Isso se deve porque a contradição entre a euforia interna desses busólogos e o que acontece com a população é gritante. Dentro dos escritórios da tecnocracia urbanista, ou das autoridades políticas e dirigentes esportivos, tudo é maravilhoso, há promessas mil - "É claro que o sistema (de padronização visual e consórcios) tem problemas, mas tudo (sic) será resolvido", dizem as autoridades - , e tudo parece reinar numa unanimidade interna.

No entanto, andando pelas ruas, os busólogos pelegos sentem o quanto aquilo que defendem é impopular. E, quando alguém escreve sobre tal impopularidade, os busólogos pelegos reagem com fúria, xingações e desaforos, mostrando claramente seu nervosismo e seu medo, apesar da prevalência daquilo que defendem.

Alguns tentam desconversar, dizendo que "são a favor do interesse público". Pedem para os discordantes pararem de "falar bobagens", na ausência de alguma alegação mais convincente. Mas outros chegam a pedir a retirada de fotos de suas autorias publicadas em fotologs dos discordantes - quando as desavenças não haviam sequer emergido - , aí realmente falando bobagens como "usar foto sem autorização é crime hediondo (sic)" ou até atropelar a língua portuguesa acusando os discordantes de "robá" as fotos.

ISOLAMENTO - A atitude dos busólogos fluminenses já causa estranheza nos busólogos de outros países. As brigas internas não são de hoje, já que houve um incidente envolvendo dois grupos alinhados ao poder, quando o menos badalado deles foi escolhido para participar de um programa de TV do canal Multishow e o outro foi preterido.

Mas a irritabilidade dos busólogos pelegos quanto à discordância de suas atitudes e posições, enquanto consentem com as irregularidades cometidas, só faz essa elite da busologia fluminense se isolar no clientelismo político e na busca pela visibilidade fácil nos eventos esportivos internacionais a ocorrerem no Rio.

E, o que é pior, talvez o desconhecimento dos cidadãos comuns sobre o que é busologia, por enquanto, protege essa elite busóloga alinhada com o poder. Por isso essa elite pode ainda dizer que "defende o interesse público", sem que os populares reajam com desconfiança e indignação.

Mas se um fã da Transmil, por exemplo, for reconhecido pelos indignados rodoviários da empresa - com salários atrasados e encargos descumpridos, até mesmo assistência à saúde, isso além de correrem risco de morte dentro dos ônibus sucateados rodando em alta velocidade para o Rio - , este busólogo terá que correr com seus próprios pés, porque nenhum ônibus vai se dispor de lhe dar carona ao fugir de uma surra que os rodoviários julgariam merecida.

Um hobby que poderia ser feito para unir pessoas foi desunido pela politicagem. Por enquanto, estão felizes os busólogos que, em nome de "2014" e "2016", apoiam Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho, que lhes prometem fotos ao lado de personalidades como Carlos Arthur Nuzman (presidente do COB), Joseph Blatter (presidente da FIFA) e esportistas como Pelé, Ronaldinho e o técnico de vôlei Bernardinho.

Mas não é uma boa ideia ficar do lado de políticos que despejam moradores, destroem áreas ambientais para construir o BRT, deixam casas antigas pegarem fogo no centro carioca e ainda por cima reprimem camelôs e até os bombeiros em greve que não aguentam sustentar suas famílias com miseráveis R$ 950.

A vida vai mostrar o equívoco de suas posições anti-populares.

3 comentários:

  1. Boa parte dos busólogos são de origem pobre/baixa escolaridade e adoram futebol, características típicas de quem quer a copa de 2014 de qualquer jeito.

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  2. Até porque, essa corrente tem um estilo de busologia que me incomoda: a busologia "profissional".

    Quando digo busologia "profissional", não é exatamente receber um $$$$ que seria leviano de minha parte, mas, a forma como são colocadas as postagens: de forma fria, calculista. Na boa, busologia é da forma descontraída como eu acomponhava e diminui um pouco o meu interesse.

    O que me incomoda nessa corrente, que são alguns, é a arrogância e a prepotência que pensa que está acima do pedestal. Outra coisa: com raras exceções, esses seguidores são os mais novos, assim, como tem gente que nasceu nos anos 70 para baixo que meio que virou um seguidor desse pessoal.

    Mais uma coisa que percebi: a POSSÍVEL distorção de que cisões estariam proibidas, mas, pela postagem do Marcello Muniz no "Busólogos do RJ" no Orkut, não é bem assim pelo que entendi de sua postagem. Aquilo, acham que empresa de ônibus é SUPER-HOMEM, IMORTAL e essas coisas todas. Vide o que ocorreu na Rio Ita há 10 anos e tem empresas que nem tem reservas como a Rio Ita tinha que se chamava Fagundes.

    Para encerrar, por mais que se dê justificativas com os casos citados no texto, é uma bagunça sim, assim, como Gire e Pégaso com 2 prefixos.

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  3. Consequência dessa racha: a saída do André Neves no hobby onde ele falou que a partir do dia 10/07, o COL se encerra.

    É lamentável, porque, infelizmente, estamos num país chamado Brasil em que é obrigado a ser vaquinho de presépio e ter rabo preso. Essas coisas me embrulham o estômago.

    Quem tem posição independente nesse país se estrepa e paga as consequências como o pessoal dos canais ESPN com Copa e Olimpíada (por mais que não concorde com eles com o formato do Brasileirão) e comigo mesmo com essa licitação fajuta.

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