quinta-feira, 16 de junho de 2011

"AMOR E REVOLUÇÃO" ESTEVE AQUÉM DAS EXPECTATIVAS



Por Alexandre Figueiredo

Uraniano Mota e Isaías Almada comentaram, e constata-se que a euforia em torno de Amor e Revolução, novela do SBT que pretendia "narrar", em forma de ficção, situações vividas durante o período militar, se dissolveu com o decorrer de seus capítulos.

Afinal, torna-se muito complicado usar a novela, normalmente um veículo relacionado à expressão ficcional, para narrativas históricas com o objetivo de mostrar um tempo que muitos telespectadores não vivenciaram. Sobretudo aqueles que nasceram depois do fim do AI-5, ou sobretudo após o fim do próprio regime militar.

A novela do SBT, evidentemente, causou barulho. Criou-se muita expectativa para a produção, afinal o projeto parecia ambicioso. Mas a Globo teve Anos Rebeldes, que aparentemente coincidiu com as passetas do "fora Collor", que pediam o impedimento político do então presidente da República, envolvido em corrupção. E cuja carreira política se alimentou não só durante o regime, mas antes dele, pois os pais de Collor militavam no IPES/IBAD.

Nota-se que, numa TV comercial, contextualizada numa "cultura de massa" muito mal compreendida - daí a intelectualidade apologética que não cumpre sua missão de contestar a mídia do entretenimento - , os claros limites de um projeto desses. Seja na Globo, SBT, Band ou Record. Mas se ainda tentamos pensar uma televisão educativa que seja ao mesmo tempo interessante e educativa, é complicado pensarmos numa TV comercial que repense a cidadania.

Além do mais, o SBT, no âmbito jornalístico, se insere no contexto conservador mais próximo de uma TV Bandeirantes, através de Carlos Nascimento, o âncora que havia passado pela TV dos Saad antes de ingressar na TV de Sílvio Santos e depois de integrar a Rede Globo. O que coloca o SBT no contexto da "mídia boazinha" que não ladra, mas morde de vez em quando (vide o caso Bóris Casoy na Band).

A novela Amor e Revolução acabou pecando pela visão não só "didática", mas também estereotipada, dos personagens do período militar. Os militares mais parecem soldados de chumbo convertidos em humanos, e os torturados mais parecem prisioneiros de qualquer produção de ficção.

Nem mesmo a atraente cena de beijo lésbico entre as personagens das belíssimas atrizes Luciana Vendramini e Gisele Tigre escapou de equívocos, pois a cena foi produzida numa estética cafona, numa sensualidade piegas, ainda que o beijo em si tenha valido para quem aprecia tais cenas.

Para um público que lê pouco, que não vê documentários, e que pensa que "sociologia" é conhecer mais gente esquisita numa boate, tanto faz uma novela assim. Mas a baixa audiência da novela - só em São Paulo, são apenas seis para cada 100 aparelhos de TV ligados - mostra que uma ideia pouco interessante numa TV de menos visibilidade não vinga. Se fosse na TV Globo, talvez o fracasso fosse menor, pelo poderio que a emissora ainda exerce ao seu público.

Mas talvez o SBT tivesse sido mais feliz em audiência se houvesse uma hipotética narrativa sobre a Revolução Cubana com os personagens cômicos de Chaves (não o presidente venezuelano, mas o comediante mexicano). Seria igualmente estereotipado e caricato, mas ao menos faria rir os fãs incondicionais do programa humorístico que, até agora, é o que garante maior audiência na televisão do Señor Abravanel.

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