segunda-feira, 2 de maio de 2011

PARANÁ DOS ÔNIBUS SEM CARA E DA POLÍTICA CARA-DE-PAU



Por Alexandre Figueiredo

O Paraná ainda não é o Estado mais evoluído do país. O Paraná dos ônibus de visual padronizado, sem cara e sem cor própria, o Paraná que gerou Carlos "Ratinho" Massa e Chitãozinho & Xororó, que gerou um Pedro Alexandre Sanches "namorando escondido" sua boa e velha Folha de São Paulo, o Paraná que quer ver Jaime Lerner transformado em santo, ainda em vida, pelo Vaticano, é ainda um Paraná muito atrasado, cheirando a latifúndio.

Certamente não estamos falando do bom Paraná nem dos bons paranaenses, daqueles que tentam transformar o Estado numa sociedade moderna e humana. Tenho até uma boa amiga que nasceu em Curitiba, e é uma moça bastante esforçada, com habilidades de jornalista, atriz e escritora.

Falamos da outra parte, o Paraná velho e viciado, fisiológico, brega, tecnocrático, conservador, um Paraná que vende a revolucionária emissora alternativa de rádio Estação Primeira FM para os "cartolas" (dirigentes esportivos) a transformarem na intragável CBN Curitiba e que tenta manter o decadente projeto dos ônibus com padronização visual que representa o poder de ferro dos secretários municipais e metropolitanos de transporte.

Um Paraná que não cuida da saúde pública nem da Educação, mas quer cuidar do transporte coletivo de qualquer maneira, mantendo o "gênio" Jaime Lerner "inteiro" para mostrá-lo aos dirigentes esportivos estrangeiros de 2014 e 2016 (as Olimpíadas serão só no Rio de Janeiro, mas o mercado turístico já garantiu que o evento terá reflexos no resto do país).

Pois é o Paraná que se permite haver corrupção intensa na Assembléia Legislativa e que, recentemente, mostrou casos de prepotência envolvendo dois políticos que, embora rivais, são igualmente conservadores e reacionários: Beto Richa (PSDB) e Roberto Requião (PMDB).

Enquanto Roberto Requião, por não ter gostado das perguntas de um repórter da Rádio Bandeirantes, confiscou o gravador do jornalista, Beto Richa persegue um blogueiro local, Esmael Morais, censurando os textos produzidos pelo blogue dele, o "Blog do Esmael" (*).

Em ambos os casos, os políticos estavam "preocupados" com perguntas e denúncias a cada um relacionadas, o que significou a reação truculenta dos dois, que parecem ter "recebido" o espírito de Antônio Carlos Magalhães, também afeito a "perseguir" a imprensa. Em 1986, ACM havia agredido verbalmente um repórter da TV Itapoan, por conta de uma pergunta "indelicada".

Mas o demotucano José Serra também foi outro exemplo de indelicadeza, por três vezes. Numa delas, ele ironizou uma entrevistador durante uma palestra em que participou. Noutra, uma pergunta do jornalista Heródoto Barbeiro provocou sua demissão da TV Cultura. Mas mesmo a aliada Miriam Leitão também "sofreu nas mãos" do "Mr. Burns" da política brasileira. Tais episódios resultaram na derrota eleitoral de Serra, e no início de uma séria crise vivida pelo PSDB e por seu partido-irmão, o DEM, que, mutilados pela debandada política, ameaçam se fundirem, juntamente com o também combalido PPS.

Contudo, independente de serem tucanos ou anti-tucanos, os políticos paranaenses acima citados mostram o quanto há ainda muita coisa retrógrada no Paraná, como a música breganeja de Chitãozinho & Xororó (que chegam ao cinismo de parasitar o Clube da Esquina com um know how - ou seria um don't know how? - digno de um Waldick Soriano de um passado direitista tão explícito quanto camuflado por seus propagandistas póstumos) e as baixarias do Ratinho, agora "arrependido" de seu passado grotesco.

Enfim, são coisas que nenhum Bus Rapid Transit biarticulado consegue esconder.

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