quinta-feira, 5 de maio de 2011

O NOVO PSD: NEM ESQUERDA, NEM TÃO ALIADO ASSIM



Por Alexandre Figueiredo

O novo PSD - Partido Social Democrático - , surgido sem a sobra daquele PSD extinto pelo AI-2 do regime militar logo em 1963, sem a imponência de políticos conservadores mas com alguma honra como Ernâni do Amaral Peixoto, Juscelino Kubitschek, Benedito Valadares e Ulisses Guimarães, surge anunciando um novo contexto político.

É até curioso que o atual PSD se forme não com políticos herdeiros do antigo pessedismo - que, com a extinção dos partidos, migraram em boa parte para o MDB - , mas com remanescentes dos combalidos PSDB e DEM, herdeiros do antigo udenismo (a UDN aparentemente foi também extinta pelo AI-2, mas sua filosofia foi herdada pela ARENA, PDS e PFL/DEM, partido-irmão do PSDB).

Enquanto isso, anuncia-se a provável fusão dos dois partidos em crise, derrotados na campanha eleitoral do ano passado, e que sofrem, juntos, sérias perdas dentro do seu quadro fundador. Da dupla demotucana, é de se notar que mesmo familiares de fundadores saem para se filiarem ao partido inaugurado pelo prefeito paulistano Gilberto Kassab e que tem na senadora Kátia Abreu sua provável presidenta nacional.

É o caso de Ricardo Montoro, filho de André Franco Montoro, um dos fundadores do PSDB, e de Paulo Bornhausen, filho de um dos líderes do DEM, Jorge Bornhausen, por sua vez filho do grande líder da UDN catarinense, Irineu Bornhausen. Ou seja, a herança demotucana é traída logo no seu DNA. Também Paulo Magalhães, sobrinho do udenista, arenista, pefelista e demo Antônio Carlos Magalhães, migrou-se para o PSD.

E o novo PSD? Depois de tanta boataria e especulação sobre o novo partido de Gilberto Kassab, o partido hoje se configura num perfil mais realista do que qualquer expectativa pôde supor.

Primeiro, porque o PSD não se anuncia de centro-esquerda, mas de centro. E, segundo especialistas, o partido não será cúmplice do governo do PT, mas um "aliado" condicional, em virtude dos interesses patrimonialistas de seus integrantes. Apoiará o governo, se ele atender aos seus interesses mais pragmáticos.

A condição de futura presidenta para a senadora Kátia Abreu, uma das estrelas da UDR - a agremiação dos grandes proprietários de terras do país - mostra que o partido não mergulhará na causa esquerdista de fato. Pelo contrário, o comando dela poderá fazer com que o partido, na melhor das hipóteses, distorce o conceito de reforma agrária, para aquela ideia bem conhecida: reforma agrária, só indenizando o proprietário de terra com um bom dinheiro.

Dessa forma, veremos um partido conservador, que como sua antiga encarnação pré-64, é um partido de proprietários de terras e do grande empresariado. Mas que não terá o glamour do original, e nem se esperará surgir um novo Kubitschek para trazer os "novos anos dourados".

E, como tudo pode acontecer, já se especula que uma nova oposição venha a nascer ancorada pelo PSD, que em São Paulo "namora" setores do PC do B, PPS e PSB. Mas também pode rearticular a direita, podendo mudar muitas peças do jogo sócio-político.

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