quinta-feira, 12 de maio de 2011

O NOVO PSD E A PSEUDO-ESQUERDA BRASILEIRA



Por Alexandre Figueiredo

Aparentemente, o PSD de Gilberto Kassab, que na verdade será também o PSD de Kátia Abreu - a mais cotada para ser a presidenta nacional do partido - , é um partido de centro a compor a base aliada do Governo Federal petista. Aparentemente.

Isso porque a migração de importantes "caciques" da direita brasileira, postos à margem do jogo político pelo isolamento causado pela oposição rancorosa e pouco sutil do PSDB e do DEM, que já começam a sofrer até mesmo desentendimento interno entre seus líderes, fez o próprio PSD adotar uma postura mais realista, depois de rumores de que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, criaria um partido "de esquerda", o inicialmente cogitado PDB (Partido da Democracia Brasileira, ou "partido democrático da boquinha").

Mas tudo indica que o PSD vem com todo fôlego no jogo político. Como um cavalo puro sangue que, filhote, é alimentado com o melhor feno, fortalecido e treinado com toda dedicação para o próximo campeonato.

E o que isso poderá causar? Certamente o PSD pode virar a mesa e declarar-se uma nova oposição política. Afinal, o partido é composto por personalidades políticas que apenas se passam por "aliados" do governo Dilma por uma simples questão de sobrevivência. No entanto, são pessoas que não estão identificadas com os movimentos sociais, sendo aliás opostas a eles.

Não é preciso dizer muitos exemplos. Gilberto Kassab foi capaz de mandar a polícia reprimir protestos estudantis contra o aumento das passagens de ônibus. Kátia Abreu é representante do latifúndio e, sobretudo, das gerações mais recentes do agronegócio.

Já Paulo Bornhausen é o terceiro do clã político catarinense a querer o poderio político, depois do avô Irineu Bornhausen, udenista, e do pai Jorge Bornhausen, que havia sido "demo" como o filho. Mas correm rumores que Jorge Bornhausen vai se aposentar na política.

E o que isso tem a ver com a pseudo-esquerda de nosso país, que envolve sobretudo uma intelectualidade alinhada com os interesses da mídia golpista mas que, infiltrada na causa esquerdista, finge estar identificada com as causas sociais, em certos casos repetindo lições de antigos personagens como o sargento José Anselmo dos Santos, o "Cabo Anselmo".

KASSABISTAS ANTES DO PRÓPRIO KASSAB

Afinal, os pseudo-esquerdistas foram um subproduto da crise do governo Fernando Henrique Cardoso, sobretudo do racionamento de energia elétrica de 2001.

Como pombos voando sobre o milho, passaram, ao longo da Era Lula, a vestir a máscara do aparente esquerdismo, mesmo mantendo valores e crenças direitistas. Em muitos casos, explícitos quando o assunto é cultura popular, quando uma visão elitista típica dos porões tucanos da USP - paradigma dominante na intelligentzia oficial até hoje - , mal consegue ser disfarçada por alegações "sociais" dignas das fileiras fisiológicas de partidos como PP e PR.

Não são somente políticos, mas também cidadãos comuns, ou então celebridades, intelectuais, ou mesmo trabalhadores pelegos. Todos felizes durante o decorrer da Era FHC, mas envergonhados com as crises que poderiam botar o barco para afundar, como já está afundando.

É certo que os pseudo-esquerdistas, subprodutos da crise da Era FHC, embarcaram na causa petista dentro da onda politicamente correta trazida pela grande mídia. E vários deles ainda hoje não largam o osso. Mas até que ponto eles poderão enganar com o falso sectarismo que camufla confortavelmente ideais conservadores e, por vezes, reacionários?

Não seria mais cômodo que, no momento mais urgente, um Eugênio Raggi pegasse o primeiro avião de Belo Horizonte para São Paulo e buscasse abrigo mais seguro no Instituto Millenium? Ou Pedro Alexandre Sanches voltar feito filho pródigo para a Folha de São Paulo, depois de tanto insistir em servir Francis Fukuyama recheado de bananas tropicalistas para um público que tem mais o que fazer e prefere ler as boas lições de Emir Sader e Venício de Lima?

E quanto aos muitos anônimos internautas que são cheios de preconceitos neoliberais até a medula, endeusam o "deus mercado" até no lazer cotidiano, mas cinicamente se autodefinem como "centro-esquerda" nas tais redes sociais e ainda têm a cara-de-pau de endeusar Che Guevara? E ainda partem para o antipático "ahuahuahuahua" ou interjeições irônicas tipo "Oia!" "Epa!", "Ui, ui, ui!" quando são desmascarados?

Não se sabe o quanto essa fauna pseudo-esquerdista, a essas alturas, continuará encenando seu teatro neoliberal fantasiado de socialista. Até quando eles serão os amigos-da-onça dos movimentos sociais é algo que só as circunstâncias poderão indicar.

Em todo caso, virá a direita recauchutada pelo PSD promovendo uma "nova imagem" do direitismo, o que já anima alguns pseudo-esquerdistas, agora livres para xingar seus discordantes de "comuna desgraçado", "psolista delirante", "trotskista de m...", "petista desarvorado". Os mesmos que circulavam pelas faculdades, cinco anos atrás, com camisetas vermelhas com a famosa foto de Che Guevara.

Talvez seja no próximo ano, onde normalmente as posições político-ideológicas começam a se desenhar para a sucessão presidencial - por influência das eleições municipais, sobretudo - , que se redesenhará o quadro sócio-ideológico, com os pseudo-esquerdistas cada vez mais incomodados, ou ao menos entediados, com os debates dentro das rodas autenticamente esquerdistas.

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