sábado, 14 de maio de 2011

O MACHISMO DO PSEUDO-NERD RAFINHA BASTOS



Por Alexandre Figueiredo

Nada menos nerd do que promover insultos, não é mesmo?

Pois o "humorista" Rafinha Bastos, do CQC, promovido a "nerd" pela revista Info Exame (ou não seria Desinfo Sem Exame?), da anti-social Editora Abril (a revista Veja que o diga), havia feito piadas de apologia ao estupro numa entrevista à revista Rolling Stone Brasil.

O alerta é da blogueira Conceição Oliveira, do blogue Maria Frô. Ela deu o aviso sobre a gravidade de certo tipo de "humorismo" que privilegia o insulto, o grotesco, a ironia pela ironia etc.

Mas até mesmo o experiente Benvindo Sequeira condena esse tipo de humor que, em vez de estimular o público a rir, seus humoristas é que riem da sociedade, sobretudo dos excluídos sociais.

Pois vejam a "pérola" que o "nerd do Grupo Abril" disse a respeito das mulheres feias: “Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho. Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade. Homem que fez isso [estupro] não merece cadeia, merece um abraço”.

Isso chega ao ponto de um verdadeiro bullying e põe Rafinha ao lado dos bullies (valentões) e não ao lado dos nerds, como tenta sugerir a revista Info Exame.

E cometer bullying (gozação grotesca) é algo anti-nerd, até porque Rafinha se põe ao lado dos agressores, e não dos agredidos. Portanto, Rafinha Bastos não pode ser nerd. Até porque ele, no fundo, age explicitamente contra os nerds.

Eu fui paquerado por mulheres feias, quando vivi em Salvador, e nem por isso teria coragem de fazer uma piada dessas. Pelo contrário, até ficava preocupado com a falta de cautela dessas moças, de origem pobre, de paquerarem qualquer rapaz de classe média, sem medir afinidade ou coisa parecida.

Muitas delas são até vulneráveis a traficantes de mulheres, e fica muito fácil elas sucumbirem ao assédio de muitos traficantes que se passam de rapazes simples iguais a nós. E olha que elas possuem pretendentes em suas próprias comunidades, que se afinam melhor com as personalidades delas.

A atitude grotesca do pseudo-nerd Rafinha Bastos rendeu até declaração da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (ligada ao Governo Federal), que encaminhou ofício para o Ministério Público Federal, com o registro 926/2011. A declaração está escrita nos seguintes termos:

Nota de repúdio às piadas de mau gosto do “humorista” Rafinha Bastos

Data: 11/05/2011

A Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) vem a público manifestar sua indignação pela maneira como o “humorista” Rafinha Bastos, da TV Bandeirantes, faz piadas com os temas estupro, aborto, doenças e deficiência física. Segundo a edição desse mês da Revista Rolling Stone, durante seus shows de stand up, em São Paulo, ele insulta as mulheres ao contar anedotas sobre violência contra as mulheres.“Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho. Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade. Homem que fez isso [estupro] não merece cadeia, merece um abraço”. Isso não é humor, é agressão gratuita, sem graça, dita como piada. É lamentável que uma pessoa - considerada pelo jornal The New York Times como a mais influente do mundo no twitter -, expresse posições tão irresponsáveis e preconceituosas. Estupro é crime hediondo e não requer, em nenhuma hipótese, abordagem jocosa e banalizada.

Vale lembrar que qualquer mulher forçada a atos sexuais, por meio de violência física ou ameaça, tem seus direitos violados. Não há diferenciação entre as vítimas e, tampouco, a gravidade e os danos deste crime diminuem de acordo com quaisquer circunstâncias da agressão. Assim, a SPM condena a banalização de tais preconceitos e, como organismo que visa, sobretudo, enfrentar a desigualdade para promover a igualdade entre os gêneros, a Secretaria repudia esse tipo de “humor” e qualquer forma de violação dos direitos das mulheres. Humor inteligente e transgressor não se faz com insultos e nem preconceitos. A sociedade não quer voltar à era da intolerância e, sim, dar um passo adiante.

Secretaria de Políticas para as Mulheres

5 comentários:

  1. Se ele é nerd, eu sou a Rainha da Inglaterra. Prazer, Elizabeth II!

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  2. Nao concordo nem um poco com o Alexandre.A questao de ser nerd nao precisa obedecer as regras que ele identificou nos filmes dos anos oitenta.Nao precisa ter a aparenncia que ele defende,nem as dificuldades de reacionamento...ser nerd e gostar muito de muitas coisas que pouquissima gente entende ou se dedica a entender.Por isso nao concordo,porque ninguem precisa ser um fracasso na vida pra ser nerd,pode ser um cara barbudo ou barbeado,um beberrao peegador viciado em quadrinhos ou um virgem evangelico.Agora se sentir ofendido pela midia esteriotipar os Nerds é aceitavel,ja que nao concordo com nem uma especie de esteriotipos.Contudo creio que o Alexandre caiu no mesmo erro ao criticar a materia levantando uma bandeira em que muitos dos nerds modernos nao se encaixam mais,o mundo mudou e entende os habitos e conceitos de forma diferente.Eu nao preciso ser descolado e super espirituoso pra ser nerd,tao pouco um recluso cheio de espinhas me masturbando e vivendo em realidas alternativas em minhas contas de jogos online...eu preciso estar interado das coisas que gosto e defender meus herois e os ideais que eles propagam.Certamente nao sou o unico que pensa desse jeito.É preciso equilibrio quando nos levantamos pra definir um movimento,pois corremos o risco de pregar mais um prego na cruz que tentam nos fncar...

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  3. Ezequiel, você está forçando muito a barra com sua mensagem.

    O Brasil precisa acabar com esse pretensiosismo todo. Nem todo mundo pode fazer parte de certas "tribos" ou "correntes".

    O melhor que você poderia fazer é simplesmente não ser nerd. Ninguém é obrigado a ser nerd, como ninguém é obrigado a ser de esquerda.

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  4. Realmente, o fim do mundo está próximo.

    Antigamente, um cara se irritaria por ter sido chamado de nerd.

    Hoje um cara se irrita por não ser considerado nerd.

    Como tem gente biruta hoje em dia.

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  5. Eu prefiro ser Nerd, ou não...
    O que é ser Nerd mesmo hein?

    R: Simplesmente mais uma mistura de coisa pra caralho com coisa nenhuma. (mesma definição de Emo só que no sentido inverso rsrsr.)

    Abração aos Emos, quero dizer, Nerds, ah, tanto faz!

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