terça-feira, 10 de maio de 2011

MERENDAS ESCOLARES E CORRUPÇÃO POLÍTICA



Por Alexandre Figueiredo

São alimentos jogados no lixo porque não atendiam a critérios nutricionais. Outros alimentos, mal armazenados, que apodrecem com o vencimento do prazo. Os fogões estão enferrujados, há caixas de carne sem apresentar dados de validade, gatos circulando por cozinhas sem higiene, lugares sem refrigeração, biscoitos de sabor intragável que os distribuidores forçam as escolas a aceitarem para as merendas. E há casos de cardápios fictícios que mostram pratos chiques que simplesmente não existem, mas servem apenas para "atrair" verbas públicas.

São cidades do interior do país que parecem ainda viver no atraso político digno da República Velha. Ou mesmo capitais e cidades interioranas, como João Pessoa, Natal e a paulista Taubaté, que ainda apresentam atrasos nas administrações municipais, sobretudo na alimentação dos estudantes das escolas públicas locais.

Há falta de fiscalização das autoridades municipais nuns casos, há a pressão de empresas distribuidoras incompetentes em outros, há a negligência sanitária, ou simplesmente a vontade de desvio de verbas. Alguns prefeitos foram presos, mas depois soltos. Ainda não há leis que regulem a distribuição, preparação e conservação de alimentos para a merenda escolar.

As refeições escolares são uma forma de, através da alimentação, reforçar a saúde física dos alunos para ajudá-los no rendimento escolar. Isso é mais do que óbvio. O problema é que praticamente a Educação é deixada para segundo plano, sejam pelas autoridades municipais, seja pela mídia.

Mas aqui, numa das raras exceções na grande mídia, o repórter Maurício Ferraz, da Rede Globo, se destaca pelas reportagens investigativas sobre criminalidade e corrupção política, sobretudo no interior do país e nas cidades mais distantes do olhar oficial do agendamento temático dominante.

São coisas que envergonham o país. Neste caso das merendas escolares, é a saúde das crianças que está em jogo, o que puxa também a própria realidade educacional, a própria função social dos estabelecimentos de ensino.

A desinformação, o descaso e a própria corrupção política faz com que haja um quadro desolador, em que fogões enferrujados são usados para esquentar comida, em cozinhas sem higiene, às vezes até sem ventilação adequada, enquanto bichos circulam pelo recinto à vontade. Carnes transportadas de forma inadequada são estocadas em embalagens que não indicam data de validade, apenas mostram uma lacuna em branco, com o indicativo da validade não preenchido.

Verbas para a merenda escolar nas cidades do interior e nas capitais não faltam. O problema é o uso inadequado, a falta de fiscalização nas prefeituras e o descumprimento de normas de higiene e armazenamento.

Além disso, há casos de subornos, como no caso do prefeito de Taubaté, Roberto Peixoto (PSDB), e sua mulher, acusados de terem recebido propina da Sistal, empresa de distribuição de alimentos da região. Subornos, no plural, porque foram 72 vezes que se praticou tal corrupção. N entanto, Roberto tenta negar veementemente o episódio. Mas já é um conhecido praticante de corrupção na região, como prova o Tribunal de Contas da União, na gestão anterior de Peixoto.

Na Bahia, onde o interior é praticamente uma região sem lei, com prefeitos "enxotando" a população pobre em ônibus da "Secretaria de Saúde" locais, a pretexto de irem para os hospitais de Salvador, tudo para diminuir as responsabilidades municipais, a situação é dramática.

Em Nazaré das Farinhas, houve o caso de arroz e macarrão com validade vencida e já com bichos proliferando dentro dos pacotes. Sejam os gorgulhos dentro dos pacotes de arroz, sejam pequenas larvas se arrastando entre os fios podres do macarrão. Uma nutricionista da prefeitura pediu demissão.

Outros municípios baianos, como Vera Cruz, Itatim e Santa Terezinha também apresentaram irregularidades.

Não bastassem as precariedades nos programas de ensino das escolas públicas, as merendas ainda sucumbem a esse quadro subnutrido. E há quem ainda acredite que Educação de qualidade é só ensinar o aluno a ler e escrever, fazer contas, tocar tambor e jogar bola. Vá entender...

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