segunda-feira, 23 de maio de 2011

A MEDIOCRIDADE AGRESSIVA E PERSISTENTE


DAQUI A POUCO, FERNANDO COLLOR SERÁ CONSIDERADO "GRANDE ESTADISTA".

Por Alexandre Figueiredo

Junte o revisionismo tendencioso da grande mídia e o reacionarismo das gerações mais recentes e nota-se um quadro tipicamente kafkiano muito comum no Brasil.

Pessoas de gerações mais jovens, acostumadas com os valores ditados pela mídia desde os anos 90, defender seus valores, ídolos e símbolos como se fossem os "donos da verdade", os "senhores da sabedoria". Pessoas que xingam, agridem, ofendem, mas exigem respeito. Pessoas que sabem pouco, e mesmo assim se arrogam a dizer que "têm conhecimento de causa", "conhecem as coisas" etc.

Se você tem senso crítico, você pesquisa as ruas e lê livros, mas reprova o "estabelecido", você é um "inútil". A patrulha reacionária que aparece no meu outro blogue, O Kylocyclo, e que tive que bloquear mensagens por conta de xingações de "burro", "mané" e de desaforos tipo "vai para a m..." de gente que defende ídolos como Alexandre Pires, Michael Sullivan e Waldick Soriano - o que prova que seus fãs parecem também serem fãs de Jair Bolsonaro - , mostra o quanto a mediocridade agressiva e com pretensões de triunfante domina a Internet.

É claro, existe reacionarismo até na política. E, numa clara analogia à abordagem política, em que nós, esquerdistas, somos acusados a "não compreender a democracia" que só os "sábios" articulistas de Veja, O Globo / Rede Globo e Folha dizem compreender, há aqueles que nos acusam de "elitistas" porque não entendemos a "cultura popular" que esses internautas dizem compreender.

Afinal, podem eles usarem a palavra "cultura" mil vezes, mas o que eles defendem não são valores, são apenas ídolos que ganham muito dinheiro, e que fazem sucesso por uma mídia dominada por oligarquias nacionais ou regionais.

É até constrangedor que certos internautas, a pretexto de justificarem o sucesso de popozudas, mulheres-frutas etc, falarem em "mulatas", "mulheres brasileiras" e coisa e tal. Afinal, acabam investindo num racismo implícito, tentando jogar no mesmo nível as mulatas ao lado de "musas" que só mostram seus traseiros nas praias.

É revoltante que haja reacionários assim, gente cuja vivência é muito pouca, mas fica se achando porque só usa a Internet e vai para tudo quanto é boate e casa noturna. Gente que em certos casos escreve mal e só lança desaforos, gente que desrespeita e ofende, mas exige para si respeito e consideração.

Por mais que eles falem mil preciosismos supostamente em prol da cultura, o que eles defendem são os valores da grande mídia, do "deus mercado", do entretenimento tendencioso. Não querem estar associados a gente como Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Ali Kamel, mas seu reacionarismo se nivela a eles, sim.

E eles também não são elitistas? E essa "cultura popular", que eles tanto glorificam nos seus discursos inflamados, uma pseudo-cultura que só interessa à TV aberta e a rádios como Nativa FM, não seria uma forma elitista de ver o povo pobre? Até porque é uma visão típica de madame de mansão de luxo, de ver que o povo pobre só é "verdadeiro" se comportar feito macaquinhos de realejo. Uma visão infeliz, mas que é praticada por essas pessoas que dizem "entender de povo".

Acham que a mediocridade cultural dominante é "genial" e "deve ser respeitada". No fundo, essas pessoas só defendem aquilo que rende lucro para a mídia e para a indústria do entretenimento. Não pode ser outra coisa, por mais que frases descaradamente populistas como "viva o povo", "viva a cultura popular" e outras demagogias dignas de político em palanque, sejam ditas, até com muita agressividade.

Criaram-se revisionismos e o que era baixaria ou cafonice em 1999 hoje é "genial". Não se crê que as coisas mudaram. O cantor de sambrega e a dupla breganeja continuam tão medíocres do que antes, só estão superproduzidos. O apresentador de baixarias na TV apenas mudou-se para os game shows, para não pegar mal. A popozuda apenas passou a aparecer com vestidos "mais discretos", entre cada três aparições exibindo seus glúteos enormes.

Mas daqui a pouco até Fernando Collor, que confiscou as poupanças de muitos cidadãos, será tido como "grande estadista". O revisionismo tendencioso até fez das suas, conseguindo elegê-lo senador com muitas comunidades favoráveis ao "marajá das Alagoas" no Orkut, uma delas cinicamente comparando Collor a JK (quando Collor, que substituiu os produtos de fabricação nacional pelos importados, fez o oposto do político mineiro).

Muita gente dá o duro danado para resgatar valores culturais derrubados pelo golpe de 1964 - que investiu nas condições sócio-político-midiáticas que permitiram a ascensão do "genial" brega-popularesco de hoje - e internautas partem para a agressão, arrotando muita arrogância.

Querem que nós louvemos o "estabelecido", só porque é "o que está aí". Com isso, acabam exaltando o "deus mercado", a grande mídia, o poder oligárquico. A pretexto de defender os "bons fazendeiros", a "boa mídia", achando que "não há mal algum nisso", acabam se tornando os cães de guarda dos detentores do poder.

Mas seu malabarismo discursivo, que tenta cobrir de mel e chantili sua verborragia violenta, será desmascarado. É muito fácil eles dispararem contra blogueiros, mas sua agressividade um dia também se expressará nas rodas de botequim, nos ambientes de trabalho, nas faculdades etc. E aí serão muito mal visados. Num momento, não podem mais fingir nem se travestir de "progressistas" ou "amigos do povo".

É muito fácil mandar certos blogueiros para a "m...". Mas um dia acabarão mandando seus patrões "se f..." por uma discordância e vão chorar na calçada da amargura.

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