segunda-feira, 30 de maio de 2011

MAIS GRAVE QUE O JÁ GRAVÍSSIMO: RURALISTAS VAIAM ANÚNCIO DE MORTE


DONA MARIA E ZÉ CLÁUDIO - Mortos a mando do latifúndio, que ainda se achou no "direito" de vaiá-los no Congresso Nacional.

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O militante político Alípio Freire escreveu um manifesto contundente, enviado para Raphael Tsavkko Garcia, sobre a absurda atitude de parlamentares esnobarem as mortes de um casal de trabalhadores rurais, Zé Cláudio e Dona Maria, mortos numa emboscada armada por fazendeiros e pistoleiros. É algo extremamente lamentável, e os ruralistas ainda falam em moralidade nos seus comícios. Dá para acreditar?

MAIS GRAVE QUE O JÁ GRAVÍSSIMO: Ruralistas vaiam anúncio de morte, por Alípio Freire

Por Alípio Freire, com texto introdutório de Raphael Tsavkko Garcia - Blog do Tsavkko - The Angry Brazilian

O texto abaixo é do companheiro e grande lutador Alípio Freire que, para muitos, dispensa apresentações.

Ex-guerrilheiro da ala Vermelha, fundador do PT e jornalista dos bons, enviou por e-mail e me autorizou a publicar.
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Segue abaixo, no entanto, algo que não poderia adiar, pois não vi veiculado em nenhum veículo, seja da grande mídia comercial, seja do que chamamos de mídia popular e/ou independente: sem dúvida é intolerável que, além de seus pares terem mandado assassinar o casal Cláudio-Maria no Pará, os senhores ruralistas, depois de anunciado o crime no plenário da Câmara Federal, tenham se manifestado com vaias.

Por muito menos (incomparavelmente menos, apesar dedeplorável), a deputada do Partido dos Trabalhadores e ex-prefeita de São José dos Campos, senhora Ângela Moraes Guadagnin, teve seu mandato cassado por falta de decoro parlamentar, em conseqüência do episódio que ficou conhecido como “A Dança da Pizza” – cena que até hoje pode ser encontrada no Google.

Ou seja, não devemos apenas divulgar amplamente mais este crime (vaia) dos ruralistas, mas exigir junto aos senhores deputados (especialmente aqueles do Partido dos Trabalhadores e da suposta “base aliada”), a investigação rigorosa do episódio, e a cassação dos mandatos dos autores da manifestação.

Quando representantes de um dos poderes da República aplaudem um crime (e o fazem oficialmente, pois no plenário da Câmara Federal), ultrapassamos todos os limites. E, acreditem, ainda não é o que se costuma dizer “o fundo do poço”. Até porque esse poço não tem fundo, exceto se tivermos força para colocar um.

Peço a tod@ companheir@ que tenha acesso a deputados, que pressionem seus representantes nesse sentido, bem como aqueles que tenham contatos junto ao Executivo (sobretudo a ministros) que façam o mesmo.

Da minha parte, procurarei faze-lo.

A ausência de medidas punitivas é cimplicidade.

É ser cúmplice da legitimação e legalização da iniqüidade, é trasformar (escancaradamente e sem volta) que o Brasil não tem um Câmara Federal, mas um clube de celerados.

Putabraço para tod@s,

Alipio Freire

Instituto Humanitas UNISINOS

http://t.co/jCohXdP via @addthis

25/5/2011

Ruralistas vaiam anúncio de morte

Era perto das 16h quando uma cena grotesca aconteceu no plenário da Câmara dos Deputados. O líder do Partido Verde, José Sarney Filho, lia uma reportagem sobre o extrativista José Cláudio Ribeiro da Silva, brutalmente assassinado pela manhã no Pará, junto com sua mulher Maria do Espírito Santo da Silva, também uma liderança amazônica. Ao dizer que o casal que procurava defender os recursos naturais havia morrido em uma emboscada, ouviu-se uma vaia. Vinha das galerias e também de alguns deputados ruralistas.

A indignidade foi contada no Twitter e muito replicada. "Foi um absurdo o que aconteceu", diz Tasso Rezende de Azevedo, ex-diretor geral do Serviço Florestal Brasileiro. "Ficamos estarrecidos".

A reportagem é de Daniela Chiaretti e publicada pelo jornal Valor, 25-05-2011.

O assassinato de Zé Claudio, como era conhecido, e de Maria do Espírito Santo aconteceu às 7h da manhã, a 50 km de Nova Ipixuna, sudeste do Estado, na comunidade de Maçaranduba. "Eles vinham no carro deles, indo para a cidade. Tinha uma ponte meio danificada no igarapé. Ele desceu para ver e ali foi a emboscada", conta Atanagildo Matos, diretor da regional Belém do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, o ex-Conselho Nacional dos Seringueiros. Zé Claudio foi morto fora do carro, Maria foi baleada dentro do veículo. Uma orelha foi arrancada pelos pistoleiros, conta Atanagildo, o primeiro a ser avisado por Clara Santos, sobrinha de Zé Claudio.

O casal vinha sofrendo ameaças desde 2008. "É um área muito tensa, que vinha sofrendo muita pressão de madeireiros e carvoeiros", conta Atanagildo. "Era a última área da região com potencial florestal muito bom. Zé Claudio e Maria resistiam muito ao desmatamento." Os dois viviam em Nova Ipixuna há 24 anos, em um terreno de 20 hectares no Projeto de Assentamento Agroextrativista (Paex) Praialta- Piranheira, às margens do lago de Tucuruí. Extraíam óleo de andiroba e castanha. Em palestra em novembro, no evento TEDx Amazônia, Zé Claudio denunciava o desmate. "É um desastre para quem vive do extrativismo como eu, que sou castanheiro desde os 7 anos da idade, vivo da floresta e protejo ela de todo jeito. Por isso, vivo com a bala na cabeça, a qualquer hora".

Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência estava no Fórum Interconselhos quando um dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) deu a notícia. Foi ao Palácio, relatou à presidente Dilma Rousseff e ela determinou ao ministro da Justiça José Eduardo Cardozo que a Polícia Federal apure o assassinato dos sindicalistas.

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