segunda-feira, 16 de maio de 2011

E A PRESERVAÇÃO FLORESTAL?



Por Alexandre Figueiredo

Tempestades ocorrem em diversas regiões do país. Várias mortes, várias perdas materiais, cidades castigadas, seja em Santa Catarina, seja no Rio Grande do Sul, seja em Alagoas e Pernambuco, seja na capital paulista, seja na Região Serrana e na Baixada fluminenses. E a Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro, a caminho do Maracanã, convertida em uma espécie de Veneza nanica e metida a besta.

O que isso tem a ver com a Amazônia? Não são regiões diferentes, com suas caraterísticas específicas?

Sim, são regiões diferentes. Mas a meteorologia tem desse processo interdependente que atinge várias regiões. Os castigos ambientais fazem até mesmo com que intempéries típicas de outros países, como os EUA, começassem a castigar o Brasil.

O solo desgastado e subnutrido no Brasil causa terremotos e tremores em certas regiões do interior do país. Por sua vez, a devastação das áreas verdes, responsáveis pelo equilíbrio das temperaturas regionais, traz até mesmo tornados e ciclones extra-tropicais, num cenário que muitos imaginavam ser exclusivo das populações das regiões centrais dos Estados Unidos.

Isso fora o aumento de raios e trovoadas que, até pouco tempo atrás, causava, no Grande Rio, a insólita sina de três dias consecutivos de trovoadas se sucedendo a manhãs e tardes de sol e calor intenso.

REFÉNS DO IMPERIALISMO

Tudo isso tem relações com a Amazônia, na medida em que a maior floresta do mundo é castigada e levianamente explorada há muito tempo. Interesses aliados entre grupos estrangeiros e latifundiários causam sérios estragos, comprometendo a diversidade biológica e as populações indígenas remanescentes.

A grande mídia até tenta distorcer as coisas, dizendo que os índios são aliados de grupos estrangeiros ou piratas "ecológicos" (a roubar patentes de remédios da flora amazônica). Ou então que os ambientalistas atuam a serviço de conspirações internacionais e que os desmatadores apenas são "patriotas a serviço da economia nacional".

Da mesma forma que os latifundiários se autoproclamavam "classes produtoras", os barões do agronegócio são conhecidos como "agroempreendedores", os desmatadores seriam apenas "inocentes exploradores sustentáveis (sic) de nossa fauna e flora". Um discurso que só faz permitir a tolerância com a degradação ambiental que se faz na nossa floresta.

Daí que os ruralistas - o nome em si é um eufemismo para "coronelistas" - tentam fazer um discurso "macio", defendendo a ecologia "sustentável", para assim não serem punidos pelos seus abusos.

Sabemos, é óbvio, que é possível extrair recursos ambientais sem comprometer a natureza. Falar nisso é chover no molhado. Mas existe uma grande diferença entre esse processo e o mascaramento da degradação ambiental numa "exploração sustentável" que não existe.

Hoje está prometida uma nova votação do Código Florestal. Os ruralistas vão fazer certamente seu coro, pedindo punições brandas para seus abusos, e, quem sabe, um controle ainda maior da nossa grande e sofrida floresta pelos acionistas "transnacionais" (eufemismo para "estrangeiros").

Convém prestarmos atenção, já que os ruralistas agora são em boa parte "nossos aliados". Muitos do PDT, PMDB, e agora do recente PSD. Todos vestindo a máscara de "progressistas", na tentação de cooptar mentes pouco críticas que possam trocar o apreço ao MST pelo apoio "independente" aos ruralistas. Sedução que quase aconteceu na música, através do canto-de-sereia da "Kátia Abreu" da música brasileira, a toda-protegida da Globo Paula Fernandes.

A questão, por isso mesmo, irá por em prova a solidariedade da esquerda com os movimentos sociais. Será que estaremos com os ambientalistas, grupos indígenas e com os agricultores sem-terra, ou será que "de forma independente e sem compromissos" alguns de nós estarão ao lado dos ruralistas e das multinacionais?

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