sexta-feira, 13 de maio de 2011

A DISTORÇÃO QUE A MÍDIA FAZ ATÉ DAS "TRIBOS" MODERNAS


HUMORISTA RAFINHA BASTOS (CQC) - "MODELO" PARA A VISÃO ESTEREOTIPADA DOS NERDS TRABALHADA PELA VELHA GRANDE IMPRENSA.

Por Alexandre Figueiredo

Que a grande mídia, seja Folha, Globo e Abril, ridiculariza os movimentos sociais, isso é verdade. Que seus "calunistas" costumam defender os interesses patronais, através de ideias retrógradas e reacionárias, isso torna-se evidente até pelo apetite voraz que eles têm para processar judicialmente jornalistas e blogueiros que os denunciam.

Como defensora de ideias conservadoras e retrógradas, a grande mídia distorce a visão de mundo conforme seus interesses que envolvem mercado, manutenção do status quo sócio-político e econômico e privilégios pessoais dentro de um esquema de controle social pelo poder midiático.

Se a grande mídia é capaz de "demonizar" o Movimento dos Sem-Terra, de mascarar o machismo e de defender interesses privados como se fossem "democráticos" (quando é uma minoria que defende tais interesses), ela também é capaz de distorcer até mesmo simples movimentos sócio-culturais, deturpar "tribos" modernas, o que parece, à primeira vista, uma coisa inocente, mas não é.

Pois este é o caso dos nerds, um tipo até existente no Brasil há tempos - o blogueiro que escreve este texto é um exemplo disso há pelo menos 25 anos - , mas só agora (mal) difundido pela grande mídia, como no caso da capa da revista Info Exame, da Editora Abril.

Na capa, vemos o estereótipo do "nerd" brasileiro, personificado pelo humorista do CQC, Rafinha Bastos, que pode ser tudo, menos um nerd. Afinal, os nerds originais eram muito diferentes do estereótipo trabalhado pela mídia conservadora. Até para evitar a rebelião dos verdadeiros nerds. Mal comparando, é como se travestissem alguns sionistas pró-imperialismo de "palestinos" e desenvolvesse um estereótipo a partir daí.

Todavia, os nerds tradicionais eram aqueles que se assemelhavam com os tipos assim denominados nos longas Vingança dos Nerds. Seu ídolo maior foi o roqueiro Buddy Holly. Um dos grupos favoritos é o grupo inglês The Smiths. Não curtem esportes, nem tampouco futebol. Sofreram gozações violentas na escola (os bullyings). São aparentemente desajeitados, mas muito inteligentes, e sofrem problemas relacionados à vida amorosa.

Já o nerd estereotipado se assemelha com os jovens caricatos dos comerciais de cerveja brasileiros, além de também se inspirar nos filmes da série Se Beber, Não Case. Buddy Holly, para eles, é apenas uma canção do Weezer. Seu grupo favorito é Guns N'Roses. São fanáticos por futebol. Nunca sofreram gozações pesadas na escola e fazem o maior sucesso entre a mulherada.

Parece uma coisa boba, mas é o truque que a grande mídia faz: distorcer tendências, para que grupos sociais alternativos não possam se expressar, já que suas "réplicas" acabam desempenhando seu papel, se passando pelos verdadeiros excluídos.

Além do mais, por que o "nerd" agora tem que ser necessariamente barbudo? O visual típico do nerd é de cara limpa e óculos. Se bem que visual não conta muito, o que conta é a atitude. Só que nem isso os pretensos nerds possuem.

O que faz a mídia trabalhar esse estereótipo é a visão supervalorizada do nerd que passa horas no computador. É verdade que os nerds autênticos usam muito computador, mas sua relação com a informática tornou-se superestimada.

Além disso, nem todo mundo que é fissurado em informática é um nerd, definir eventos como Campus Party (apenas um evento de informática como outro qualquer) como "evento nerd", como faz a grande imprensa, é algo que vai além do tendencioso, chegando mesmo ao patético.

É muito mais exato definir um nerd pelo jeito aparentemente desajeitado, pelo bullying que sofreu na infância e adolescência e pela dificuldade de conquistar a mulher desejada. Mas a distorção da grande mídia faz com que o joio, desta vez, não se misture com o trigo, mas se torne mais trigo do que o trigo propriamente dito.

Dessa maneira, sítios como Judão e comerciais como Nova Schin (do lema "cervejão-ão-ão") , Skol e Brahma acabam por difundir uma imagem de nerd que nada tem a ver com a verdadeira. Rapazes geralmente barbudos e gorduchos, ou magrelas mauricinhos, fanáticos por futebol e bebedeira, que são apenas apalermados e fanáticos por filmes de pancadaria e poser metal. Tudo isso nada tem a ver com o universo nerd, mas como eles são fissurados em informática, a mídia joga então o rótulo neles.

Não é surpresa alguma para uma Editora Abril que tem a maquiavélica revista Veja, capaz de "criminalizar" até mesmo os movimentos indígenas, escolher um comediante como Rafinha Bastos, do CQC - cruzamento do Casseta & Planeta da fase tucana com o Pânico na TV - para personificar o tal "poder nerd".

Isso porque não é a praia dos nerds humorismos que se dedicam a invadir grotescamente festas e eventos políticos para fazer piadas picantes. Mais reservados, os nerds que fazem vídeos escolares são muito mais humildes, modestos e menos maldosos em suas piadas. Além do mais, Rafinha Bastos soa tão nerd quanto Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi soam trotskistas.

Francamente, esta edição da revista Info Exame está mais para Desinfo Sem Exame.

Um comentário:

  1. Darth Vader provavelmente estrangularia esse CQC aí disfarçado de soldado imperial. Rafinha, tira essa armadura que tu não merece usar. Tu não é stormtrooper! Tu é um moleque!

    ResponderExcluir

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...