domingo, 15 de maio de 2011

AS ELITES "DIFERENCIADAS" DE HIGIENÓPOLIS


ANÚNCIO IRÔNICO DE PROTESTO POPULAR CONTRA A REVOLTA ELITISTA DOS 3500 DE HIGIENÓPOLIS. JOSÉ SERRA NÃO TERIA GOSTADO DO USO JOCOSO DE SUA IMAGEM.

Por Alexandre Figueiredo

Com o atraso das tarefas de blogueiro, por conta do "conserto" do Blogger, além de outros compromissos pessoais, só pude parar agora para escrever sobre o assunto do momento, o protesto de moradores das elites contra a construção de uma estação de metrô no bairro de Higienópolis, na cidade de São Paulo.

A história é que o governo de São Paulo queria construir uma estação de metrô no bairro de Higienópolis, que fica na Zona Oeste da capital paulista, que beneficiaria mais de 25 mil pessoas. No entanto, um abaixo-assinado na Internet, do qual participaram 3500 moradores do bairro, fez com que as autoridades voltassem atrás e desistissem de construir a estação.

É certo que medidas incômodas como a irritante padronização visual dos ônibus do Rio de Janeiro - que anda enlouquecendo os passageiros por toda a cidade, na dificuldade de reconhecer o ônibus certo para embarcar - deveriam ser repudiadas por abaixo-assinados, porque o que está em jogo no caso não são interesses conservadores, mas malefícios causados por medidas arbitrárias de mudanças anti-populares.

Já o caso do metrô em Higienópolis, próximo à FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado), iria facilitar a vida de muitos passageiros. Mais de 25 mil por dia usariam a estação que seria construída no local. Mas desde 2001 a mobilização elitista de Higienópolis está em ação, não para defender um patrimônio em risco, ou alguma medida anti-popular, mas sim os seus interesses privados.

O bairro, aliás, é onde o sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso mora, temia que a estação do metrô traria mendigos, drogados e outros miseráveis para "morar" nas proximidades. Olha só quem fala. No Rio de Janeiro, por exemplo, a Praça Quinze foi descaraterizada, a Avenida Alfred Agache se transformou num humilhante calabouço viário, mendigos foram morar nas proximidades da praça em estilo "hispânico" e as elites não reagiram, naqueles anos 90. Porque César Maia, hoje ligado ao grupo ideológico de FHC, estava no poder.

Pejorativamente, os miseráveis foram chamados pelos elitistas queixosos de "gente diferenciada". Por causa disso, foi realizado um protesto popular, o "Churrasco da Gente Diferenciada", que reuniu muitas pessoas, sem divulgação na grande mídia - a Folha e o Estadão, sabemos, está de rabo preso com as elites - , e com muita farofa, vinagrete, cerveja, refrigerante e, sobretudo, churrasco, arroz e feijão, no mais típico estilo de almoço no fundo de quintal. Consta-se que o número de pessoas ultrapassou o de abaixo assinados, já que a "gente diferenciada" era de 4 mil pessoas, e a elite assinante foi de 3.500.

Outra das queixas é que a estação iria destruir a filial dos supermercados Pão de Açúcar em Higienópolis. Isso é o de menos. Até porque seria possível criar uma filial mais próxima do supermercados do grupo do empresário Abílio Diniz. Mas um bom engenheiro poderia equilibrar as duas coisas, mantendo a estação sem eliminar o supermercado, o que custaria dinheiro, mas seria mais equilibrado para as duas partes, povo e moradores de elite.

Mas as elites "diferenciadas" de Higienópolis pressionaram e a estação do metrô será mudada da Av. Angélica, principal do bairro, para a Av. Pacaembu. As autoridades dizem que foi por motivos técnicos e que será estudado uma nova localização para atender as necessidades locais, sobretudo dos estudantes da FAAP.

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