terça-feira, 5 de abril de 2011

RICARDO NOBLAT É TÃO BONZINHO...



Por Alexandre Figueiredo

O jornalista Ricardo Noblat é daquele tipo de jornalista conservador que tenta parecer "independente". Tanta ser o paladino da "objetividade clássica", ainda que não pose de cavaleiros do moralismo como os calunistas de Veja ou gente como Merval Pereira e Josias de Souza.

Mas desta vez Ricardo Noblat caprichou, no artigo "O 'fascismo do bem'", em que ele presta solidariedade ao deputado e militar Jair Bolsonaro, pelo "livre direito" dele manifestar suas opiniões, ainda que Noblat diga discordar de todas elas. Até porque o que Bolsonaro disse caiu como bomba até no estômago da mídia golpista, foi o extremo que a extrema-direita brasileira pôde alcançar.

Mas Ricardo Noblat tentou escrever "macio", um texto "dócil" e "humanista", e, conforme disse Brizola Neto, "aborda a questão como se a atitude do sr. Bolsonaro tivesse se restringido à homofobia". Conta o blogueiro do Tijolaço que Bolsonaro usou a homofobia para acobertar os comentários racistas que "tentaram responder" à pergunta da cantora Preta Gil.

E Noblat, tão com poses de sabedoria - e feliz porque o filho recebeu uma boa mesada da Lei Rouanet para tocar sua banda em frente - , ignora que o racismo é crime inafiancável e imprescritível em lei. Está na Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5º, inciso LXII, que prevê pena de reclusão neste caso.

Portanto, por que Ricardo Noblat, tão metido a superjornalista, expressou seu apoio a Jair Bolsonaro, que comprovadamente fez uma declaração criminosa, grotesca, cínica e arrogante, que desagradou até mesmo o ex-ministro e general Jarbas Passarinho, que chegou a desprezar os princípios éticos na reunião que discutiu o AI-5, no final de 1968?

Certamente Jair Bolsonaro até tem direito a expressar-se contra as cotas de negros nas universidades - uma atitude que já é controversa até dentro das rodas progressistas - ou optar pelo heterossexualismo, mas atribuir como "promiscuidade" uma pessoa branca namorar uma pessoa negra não faz o menor sentido.

Talvez Ricardo Noblat, expressão de uma imprensa conservadora, tenha recebido ordens da cúpula de O Globo para proteger a reputação política de um deputado influente, ainda que "polêmico".

Afinal, o rótulo de "polêmico" muitas vezes cria seus mitos, na medida em que a tais pessoas seja atribuída uma imagem "corajosa" de comentarista independente, de indivíduo que divide opiniões na sociedade.

Só que Jair Bolsonaro não foi polêmico. Foi grotesco e, conforme a Constituição, criminoso. Ele tentou se defender das acusações de racismo, dizendo que "não entendeu a pergunta de Preta Gil". Quer dizer, na menor das qualidades pejorativas, ele prefere ser visto como "burro" e "bitolado", do que racista. Acaba cometendo estupidez em dobro.

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