sexta-feira, 15 de abril de 2011

PADRINHO DOS NEO-BREGAS, FHC RENEGA O VERDADEIRO POVO



Por Alexandre Figueiredo

Se Juscelino Kubitschek governou um Brasil marcado pela Bossa Nova, pela verdadeira música caipira e pelos sambas e baiões autênticos, Fernando Henrique Cardoso governou o Brasil marcado por breganejos, axézeiros, sambregas e forrozeiros-bregas.

Isso é batata. Juntemos as peças e deixemos de raciocinar de maneira fragmentada e com a memória curta.

Em artigo recente, Fernando Henrique Cardoso chamou as classes populares de "desinformadas" e condenou os movimentos sociais, que ele acusa de terem recebido financiamento do Governo Federal. Vejam o que escreveu o "príncipe dos sociólogos" a respeito disso:

"Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os 'movimentos sociais' ou o 'povão', isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos. Isto porque o governo 'aparelhou', cooptou com benesses e recursos as principais centrais sindicais e os movimentos organizados da sociedade civil e dispõe de mecanismos de concessão de benesses às massas carentes mais eficazes do que a palavra dos oposicionistas, além da influência que exerce na mídia com as verbas publicitárias".

O ex-presidente afirma que a missão do seu partido, PSDB, não é defender as classes populares, mas representar a classe média alta e os setores que ele define como "as novas classes médias".

ENTRETENIMENTO BREGA-POPULARESCO

O que pode pôr por terra abaixo o caráter "progressista" tão equivocadamente atribuído ao brega-popularesco, seja de músicas bregas e neo-bregas, de imprensa policialesca, de "popozudas" etc, é o fato de que Fernando Henrique citou entre as "novas classes médias" os "profissionais do entretenimento", gente associada ao universo brega-popularesco que domina nas rádios FM e na TV aberta. Leiam o que ele escreveu:

"Existe toda uma gama de classes médias, de novas classes possuidoras (empresários de novo tipo e mais jovens), de profissionais das atividades contemporâneas ligadas à TI (tecnologia da informação) e ao entretenimento, aos novos serviços espalhados pelo Brasil afora, às quais se soma o que vem sendo chamado sem muita precisão de “classe C” ou de nova classe média".

Não é necessário dizer que o "aparelho" político-cultural em torno de Fernando Henrique Cardoso patrocinou explicitamente "artistas" como Ivete Sangalo, Zezé Di Camargo & Luciano, Alexandre Pires, É O Tchan (*), Calcinha Preta, DJ Marlboro, Belo, entre outros.

Aliás, vários deles foram pessoalmente para falar com FHC, naquela encenação feita contra a pirataria do CD.

Foi graças ao apoio político-midiático ao governo FHC que todos esses ídolos da música neo-brega brasileira ganharam um banho de visual, de tecnologia, de marketing, para parecerem "artistas sérios". E tudo isso por conta das mesmas rádios apadrinhadas por José Sarney e Antônio Carlos Magalhães nos anos 80 e que também vieram a apoiar o governo de Fernando Collor de Mello.

Portanto, essa pseudo-cultura, de meros lotadores de plateias, foi a "cultura" da domesticação do povo pobre. Foi a continuidade de um "padrão" de classes populares imposto desde os rincões do coronelismo, mas no plano nacional bolado pelos artífices das políticas "culturais" desde o governo de Ernesto Geisel (1974-1979).

É essa "cultura", que transforma o povo pobre num estereótipo, que trava a evolução social das classes pobres, afinal não se pode confundir inclusão social com mais consumo.

Ver o patrimônio cultural construído durante séculos ser reduzido a uma caricatura produzida por um hit-parade à brasileira, ainda que sob a condescendência de uma intelectualidade influente e pseudo-progressista, é o legado de políticas excludentes que, cedo ou tarde, mostrariam o quanto os políticos conservadores desprezam o povo.

Para FHC, o povo pobre tem que ficar quieto dançando o "tchan", o "créu", o "rebolation", o "tchibirabirom", o "tecnobrega", que vai para vaquejadas, micaretas, "aparelhagens" e "bailes funk", encher dinheiro dos verdadeiros proprietários do brega-popularesco: os empresários do entretenimento que, fantasiados de "humildes produtores culturais", fazem grande fortuna dos humildes reais dos ingressos pagos pela população pobre.

(*) O É O Tchan é pouco recomendado para a vovó e para o netinho, sendo um grupo abominável dos 8 aos 80. O É O Tchan é impróprio para a vovó, porque é pornográfico e pode causar problema no coração. O É O Tchan é impróprio para o netinho, porque seu erotismo exagerado e grosseiro pode criar desvios de conduta moral e controle dos desejos sexuais na idade adulta.

O É O Tchan é machista, mas suas dançarinas pensam que ser feminista é não contar com o sustento de maridos ou namorados. Dizem que não têm namorados porque está difícil arrumar homens, quando na verdade é porque está difícil arrumar horários para conhecer os homens que são pretendentes. Que, certamente, não sou eu nem você, no caso de você ser um leitor masculino. Nós queremos mulheres realmente de conteúdo, sem qualquer trocadilho pornográfico.

Um comentário:

  1. Se bem que o banho de loja dos breganejos começou lá em 1989, na era do lulo-dilmista José Sarney, que também apoiou FHC. Foi o ano do novo estouro nacional de Leandro & Leonardo (Continental) e Chitãozinho & Xororó (PolyGram).

    Na verdade, a única esperança do tucanato é conquistar essa nova classe mérdia gestada na Era Lula-Dilma. A classe mérdia sempre foi eleitora dos tucanos. A classe popular (o povão que o PSDB sempre desprezou por convicção e agora por pragmatismo) já escolheu seus candidatos e não troca por tucanos.

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