terça-feira, 26 de abril de 2011

NÃO SE FAZ REVOLUÇÃO COM BREGANEJO


OS TUCANOS CHITÃOZINHO & XORORÓ APARECEM AQUI AO LADO DO DEPUTADO KASSABISTA PROTÓGENES QUEIROZ.

COMENTÁRIO DESTE BLOG: Dioclécio Luz, atualmente, é hostilizado pelos fãs de histórias em quadrinhos por conta de uma polêmica desnecessária causada por uma suposta associação das histórias da Turma da Mônica ao bullying. Independente de sua pertinência ou não, a polêmica ofuscou os bons textos que o jornalista e esquerdista autêntico (engole essa, Pedro Alexandre Sanches!) fez reprovando os ritmos brega-popularescos dominantes na grande mídia. Vale relembrar esse texto, que tem cerca de dez anos.

NÃO SE FAZ REVOLUÇÃO COM BREGANEJO

Por Dioclécio Luz - Portal Não 64

Vamos por partes: o Brasil virou Tiazinha (*). Somos uma fantasia, um desejo, mas não somos nada. O Brasil também é os pagodeiros e os breganejos (que alguns chamam de sertanejos/country) – somos o inútil, o tempo doce do entretenimento, açúcar e chantily, uma disenteria geral. Cultura? Somos a TV Globo que determinou nossa idade falsa, nossos falsos ídolos, nosso falsos mestres, nossos falsos presidentes, nossas falsas realidades.

O que resta para ler, ouvir, guardar e ruminar no bucho da emoção? Ora, os mesmos donos do poder, a mesma elite nacional e internacional está dizendo ao povo o que ele deve escutar nas rádios, ou se deslumbrar nos cinemas e TVs. É a mesma tropa de malfeitores, o mesmo interesse vampiresco. Mas se não há diferença, então por que esta indiferença das esquerdas para a cultura? Ninguém diz: fora ladrões, bandidos, patifes, piratas! E os artistas consagrados? Cadê Caetano Gil, Milton, Gal Costa? Por que eles – que já são ricos e famosos, e têm um nome na história da música brasileira – quando entrevistados não dizem que isso que rola aí nas rádios e TVs é uma bosta?

O fenômeno da mediocrização da cultura resulta da globalização desenfreada. Já não se fala em arte e cultura, fala-se em entretenimento. Não por acaso a Walt Disney se tornou a maior empresa do ramo no mundo. Somos todos uns patetas.

E o que faz a grande imprensa diante dessa erosão cultural, desse desvirtuamento de conceito promovido pela nova ordem mundial? Ora, adequa-se. Aquém do compromisso com os grandes capitais, encarrega-se de promover a burrice. Uma burrice camuflada como inteligência. Exemplos? Centenas Os mais recentes. Veja, Isto é, e todos os grandes jornais brasileiros abrem suas pernas para a venda do filme Star wars. imprensa burra já não comenta cultura, mas, produtos de mercado: tal filme ou disco custou tantos trilhões, e já vendeu tantos zilhões.

Será que ninguém percebeu a influência disto tudo sobre o povo brasileiro? Será que ninguém percebeu que o american way of life é diariamente introjetado no cerne do povo brasileiro? Será que ninguém percebeu que a cultura americana está substituindo a nossa? Que no Goiás, Minas e interior de São Paulo o povo está se fantasiando de cowboy, e vai a festa country sem saber a diferença entre dog e cat mas se achando o máximo? Será que é possível fazer uma revolução, como pretende o Partido dos Trabalhadores, com gente que cultiva uma arte desencantada, fora da nacionalidade? O que cantaremos na hora de festejar a conquista do Governo Federal Democrático e Popular: "entre tapas e beijos"?... Ou, "é o amor"? Ou outro breganejo qualquer? Talvez a música de um desses grupos de pagode – todos bonitinhos, arrumadinhos, jeitosinhos, igualzinhos, com musiquinhas fuleirinhas e as vozinhas mixuriquinhas...

O que deve ficar bem claro é que a cultura determina a determinação de um povo. Por interesse da indústria cultural o conceito de arte e cultura estão sendo malignamente substituídas pelo produto cultural que ela impõe. E esta cultura visa objetivamente a alienação (eles chamam "entretenimento"). Com o monopólio nas mãos da elite se promove a fragmentação da nação e o estabelecimento de um pensamento único, que é de consumo e não de cidadania. Insistindo: se o PT quer fazer uma revolução, uma mudança na sociedade, tem que pensar nisso: que hoje o povo está sendo encaminhado via entretenimento para a alienação. Ou alguém conta com Xuxa para mudar o país? Ou com o padre Marcelo Rossi? Ou Chitãozinho e Xororó? Enquanto mito cultural eles orientam o consumo material e emocional do povo, e para o pior que existe – esta é a tragédia.

Não se faz revolução enquanto a trilha sonora do país se limitar à bunda music (a cara de ACM), às duplas sertanejas (cuja única relação com o campo é cantarem como galinhas chocas), o forró mastruz com leite (que provoca nó nas tripas) e os pagodeiros (clones deles mesmos que se acham cantores). Cabe ao PT atuar para que se revele a boa arte nacional – que existe, mas está oculta por interesse da mesma elite parceira do Governo FHC.


(*) A Tiazinha pode ter sido uma musa calipígia. Mas o tempo mostrou que ela era, dos males, o menor. Por trás dessa assistente de palco, havia uma atriz consistente, Suzana Alves, que nada tem a ver com a vulgaridade atribuída a ela. Recentemente, vemos musas calipígias muito piores, como Solange Gomes, Valesca Popozuda etc, mas estranhamente elas são poupadas de críticas. Certamente não por Dioclécio, que se desse oportunidade, falaria mal delas do mesmo jeito.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...