sábado, 23 de abril de 2011

A MPB COMO REFÉM DO BREGA-POPULARESCO



Por Alexandre Figueiredo

"Brasileiro é tão bonzinho...", dizia a personagem de Kate Lyra, no humorístico Planeta dos Homens, há uns trinta anos atrás. Ela mesma, norte-americana naturalizada brasileira, também não deixou de ser "boazinha" e tentou creditar às funqueiras um feminismo que não existe. Até porque, sabemos, feminismo vai muito além da mulher "odiar" um homem.

Vemos Leandro Sapucahy gravando sambas "mais românticos", como tentativa de entrar nas rádios mais comerciais e, talvez, mais tarde sirva de "referência" para guinadas "artísticas" de grupos e cantores sambregas mais "ambiciosos". E agora, Geraldo Azevedo, este na foto, talvez visando entrar numa vaquejada mais influente, convidou Ivete Sangalo para participar de seu novo CD e ainda fez música para o filho dela.

É como se, no âmbito político-midiático, um blogueiro de esquerda do Nordeste convidasse Eliane Cantanhede para participar do Encontro dos Blogueiros Progressistas do seu Estado.

Ver que a MPB de hoje virou uma ABL musical, mas condescendente em aderir ao brega-popularesco, como uma ABL convertida em "casa da mãe joana", é constrangedor. Hoje ninguém mais pensa em preservar a cultura popular, mas reafirmar os mesmos sucessos radiofônicos, os mesmos totens que em outros tempos se alimentaram, com gosto, com o jabaculê pago para as rádios FM mais tendenciosas.

Assim como a própria Academia Brasileira de Letras recebeu o craque Ronaldinho Gaúcho. E, daqui a pouco, vamos ver a Mulher Filé aparecendo num encontro sobre beleza feminina.

Hoje a MPB é refém do império brega-popularesco, que vende a falsa imagem de "excluído", "rejeitado" etc. Como artistas no auge da popularidade e do sucesso comercial vão falar de "preconceito"? Se preocupam com meia-dúzia de intelectuais que não os levam a sério? A intelectualidade tem que endeusar o "deus mercado" até no que se refere à cultura popular?

Enquanto esperamos uma nova Sílvia Telles, uma nova Elizeth Cardoso, uma nova Marinês, uma nova Chiquinha Gonzaga, há quem alegremente tente reafirmar e reforçar a mesmice dos sucessos dessa "cultura popular" da Era FHC.

A música brasileira, infelizmente, tornou-se o paraíso astral do neoliberalismo.

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