quinta-feira, 21 de abril de 2011

MÍDIA E A LÓGICA IMPLACÁVEL DA MERCADORIA



COMENTÁRIO DESTE BLOG: O sensacionalismo nas emissoras de TV, aliado à obsessão pela baixaria (que nós, "preconceituosos moralistas em defesa do bom gosto", temos que achar que não é baixaria), mostra o quanto a televisão só quer saber de resultados imediatos, que rendam muito dinheiro, em detrimento da formação social da coletividade. E as populações mais pobres são as que mais sofrem com isso, com a banalização do sexo e violência, mas há quem, na própria classe média, que se sinta ofendido quando denunciamos essa realidade.

Afinal, somos sempre os "preconceituosos moralistas em defesa da manutenção do bom gosto". Preconceitos quem sofre somos nós.

Mídia e a lógica implacável da mercadoria

Por Venício A. de Lima - Observatório da Imprensa e Agência Carta Maior

Não há qualquer novidade, mas o registro em certas ocasiões – quase um desabafo indignado – se torna obrigatório: a lógica dentro da qual opera a mídia comercial coloca seus interesses empresariais acima de literalmente tudo, ignorando os valores fundamentais da convivência humana em busca de suas metas de lucro.

Não é necessário refazer análises sobre a comprovada relação entre o entretenimento violento, as coberturas jornalísticas da violência e o aumento da própria violência na sociedade (ver, por exemplo, neste Observatório, "A violência urbana e os donos da mídia" e "A mídia e a banalização da violência").

Alguns fatos recentes apenas comprovam o que já se sabe. Confirma-se a hipocrisia ilimitada da grande mídia comercial que, apesar de conhecer perfeitamente as consequências de seus atos, finge não ter nada a ver com o que acontece. Afinal, o Ibope confirma que os índices de audiência das redes Globo e Record cresceram significativamente com a cobertura da tragédia em Realengo.

A lógica do esporte na TV

Há, todavia, um outro lado da lógica do entretenimento associado às transmissões esportivas que nem sempre transparece para o grande público.

Depois do acidente de ônibus com a delegação do Vôlei Futuro, que seguia para o primeiro jogo da fase semifinal da Superliga Feminina contra o Sollys/Osasco, na terça-feira (12/4), iniciou-se uma imensa pressão da TV Globo e da Confederação Brasileira de Vôlei para o cumprimento do calendário e a realização das partidas.

O Twitter de uma das jogadoras foi reproduzido em post no blog do comentarista Bruno Voloch, na quinta-feira (14), e revela a verdadeira dimensão da perversidade desumanizada que opera nessas circunstâncias. Transcrevo:

"Indignada com a CBV, Joycinha desabafa: ‘A TV está pressionando, mas somos seres humanos’

"A pressão da TV Globo e da CBV pela realização da primeira partida semifinal entre Osasco e Vôlei Futuro até o próximo dia 19, deixou revoltada a oposta Joycinha do time de Araçatuba.

"Através do Twitter, a jogadora reclamou e se mostrou indignada:

"‘Nesse momento não tem que pensar em televisão. A televisão está pressionando, mas tem que lembrar que somos seres humanos’.

"Joycinha não economizou críticas aos responsáveis pela superliga:

"‘Psicologicamente estamos muito abaladas. Fisicamente, também não estamos legal. Estamos bem, mas para jogar vôlei, cair na quadra e saltar, não. É preciso ter o mínimo de bom senso’.

"Joycinha está com vários hematomas no rosto e com dores no pescoço.

"Conforme o blog informou, a CBV colocou à disposição do Vôlei Futuro as datas entre 15 e 19 de abril para a realização da primeira partida. A TV Globo não admite a idéia de fazer a decisão da superliga em maio e a data para a decisão está marcada para 30 de abril no Mineirinho em Belo Horizonte."

O que se pode fazer?

A saída para escapar à lógica comercial prevalente na grande mídia é o fortalecimento do sistema público que, pelo menos em tese, coloca o interesse público em primeiro lugar.

Quem sabe, viveremos para ver um marco regulatório que coloque efetivamente em funcionamento o princípio da complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal de radiodifusão que adormece há mais de 22 anos no artigo 223 da Constituição?

A ver.

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