quinta-feira, 28 de abril de 2011

CHALITA/PMDB E O POSSÍVEL APOIO DO PT EM 2012



COMENTÁRIO DESTE BLOG: A política de São Paulo costura suas alianças fisiológicas para as eleições municipais de 2012 e o grande destaque está na estreia do "novo" PSD - Ulisses Guimarães, só para citar um paulista, deve se revirar no fundo do mar - surgido mediante a crise do PSDB e do DEM.

Há também as relações estremecidas entre os dois antigos partidos-irmãos, o PC do B e o PT, a entrada no páreo político do ex-cantor do grupo sambrega Negritude Júnior, Netinho de Paula, e a migração do escritor de auto-ajuda Gabriel Chalita do PSB (que tem o Netinho de Paula e o "socialista" da FIESP Paulo Skaf) para o PMDB.

Infelizmente, pelo que se vê, é apenas politicagem. O assunto rendeu um debate disponível no Twitter de Raphael Garcia - http://twitter.com/#!/tsavkko.

Chalita/PMDB e o possível apoio do PT em 2012

Por Raphael Tsavkko Garcia - Blog Angry Brazilian

Apesar da grande distância que ainda nos separa das eleições para a prefeitura de são Paulo ano que vem, os bastidores fervilham em possibilidades, apostas e quase certezas. Até agora, porém, nenhuma boa notícia.

A tradicional aliança PT/PCdoB está à perigo, e isto já vem de algum tempo. Desde a discussão no PCdoB sobre um possível apoio ao Kassab até agora, com o lançamento da pré-candidatura de Netinho "Espancador de mulheres" de Paula, a certeza de que o PT terá de enfrentar um antigo aliado.

Netinho é um nome forte, apesar de seu passado e de claramente nunca ter sido comunista na vida (mas até aí, Roberto Freire nunca havia lido Marx direito na vida e presidiu o PCB antes de destruí-lo) e não se sabe se PSB/PDT irão apoiar o partido e dar mais musculatura à candidatura. Aliás, vale lembrar que o PCdoB vem se mostrando tão consistente que Protógenes aceitaria qualquer proposta para concorrer à prefeitura, não importa de que partido.

Quanto ao PSB, aliás, há de se lembrar do propulsor do Socialismo Empresarial, o Paulo Skaf.

Do lado do PSDB, incerteza. O partido foi duramente atingido pela fundação do PSD de Kassab e perdeu uma boa quantidade de vereadores (ao menos 7) e força. alguns especulam até que Serra poderia ser o candidato, mas esta possibilidade parece mais com uma brincadeira de mal gosto de Alckmin do que uma possibilidade real.

O DEM está em crise profunda e dificilmente fará muita diferença nas eleições vindouras enquanto seu racha, o PSD pode surgir como uma força média e incomodar os partidos mais tradicionais. Não se sabe ainda se irão lançar algum nome forte ou apoiar alguma candidatura visando cargos e benesses. O Partido Sem Decência, por breve período o Partido da Boquinha, já declarou não ser de direita, esquerda ou centro, muito pelo contrário! E está pronto a se prostituir pelo melhor valor.

Restou ao PT dar força a um PMDB enfraquecido localmente - que tem apenas um vereador na Câmara Municipal, e a mesma força de potências como o PSC e o PRB. Tarefa ingrata.

Buscando se reerguer o PMDB convidou o Deputado Federal do PSB Gabriel Chalita (aquele mesmo, amigo dos padres e pastores e total incapaz, escritor de auto-ajuda, o que dispensa comentários) para ser seu candidato à Prefeitura e este parece ter gostado da idéia (quem nasceu pra se vender não cansa nunca).

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Sobre Chalita, sua trajetória e sua migração para o PMDB, recomendo a leitura do post "Sucessão Paulistana: Chalita no PMDB" do sempre excelente Descurvo, do camarada puquiano Hugo Albuqueque.
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O problema nisso tudo é que o PT parece ter gostado também da idéia e pode indicar o vice do Chalita e aceitar uma chapa com o PMDB! Claro, não podemos descartar uma aliança do PT com o PSD que, segundo o vereador Jamil Murad, foi criado com apoio e aval da Dilma para ser da base aliada.

O presidente do PT-SP, o deputado estadual Edinho Silva, defendeu que o partido defina seu candidato até o fim de 2011, seja qual for a decisão do tucano.
Edinho disse ser contrário a realização de prévias no PT. "Vou trabalhar para não ter prévia. Para entrar numa disputa acirrada como essa, o ideal é que o PT se unifique."
O petista sinalizou que deve buscar uma aproximação com o atual prefeito da capital, Gilberto Kassab (PSD).
"O movimento do Kassab de criar um partido de sustentação ao governo Dilma tem de ser aplaudido por nós. No momento em que ele vem para a base de apoio da Dilma, nós não podemos ser contra. Temos de elogiar", disse Edinho.

O doloroso de toda essa história é ver o apoio de alguns petistas a este absurdo.


PT com PMDB, PT com PSD, tudo em nome de uma suposta governabilidade federal. A mesma que garantiu o Maranhão mais 4 anos no atraso e mergulhado em corrupção e canalhice com Roseana Sarney. Não importou a recusa do diretório e da militância nem a greve de fome de membros históricos, Roseana recebeu o apoio do partido que por anos a combateu. Foi uma traição de níveis estratosféricos. Em minas, a mesma história e, felizmente, a derrota do Hélio Costa.

O que muitos não conseguem notar é que a questão não é apenas estar no poder - mesmo que como apêndice, referendando canalhas -, mas matar a oposição. Com Kassab, Alckmin, Serra e cia no poder a coisa é péssima, mas nada garante que com o PMDB no poder algo mudará. E não vai mudar. O partido é da mesma escola fisiológica que PSDB/DEM e a única diferença notável será a morte da crítica e da oposição, com o PT enquadrado e a militância forçada a dizer "amém".

É o que vemos no MinC com Ana de Hollanda. Apesar da gestão ser desastrosa, beirando a criminosa, e vir destruindo TUDO que o governo Lula construíu durante 8 anos, o fato de ser governo faz com que parte considerável da militância se sinta ou constrangida em criticar ou simplesmente a apoie de forma acrítica, apenas por ser PT ou do governo do PT. Temos uma gestão péssima e uma oposição mínima enquanto o grosso permanece alienado, conivente ou sem ação.

O que alguns petistas parecem não enxergar é uma diferença básica entre a situação do governo federal e casos como os do PMDB em Minas, Maranhão e talvez aqui em São Paulo: A cabeça da chapa, quem manda, não será do PT, que ficará a reboque.

Uma coisa é você supostamente ter as rédeas do processo, outra é ficar a reboque. Uma coisa é a busca da governabilidade (ainda que com limites) quando você manda, outra é você querer o poder pelo poder e aceitar se submeter ao fisiologismo puro.

Já me perguntei várias vezes, qual o limite entre a prostituição ideológica e a manutenção das bandeiras históricas. O que e até quanto você deve/pode abrir mão em troca de governabilidade? O PT caminha para se tornar um PMDB, um não vive sem o outro, ou melhor, o PMDB não vive sem o PT enquanto este tiver o poder. Foi assim como o PSDB/DEM durante décadas.

Dada a musculatura do PMDB em São Paulo, uma aliança do PT sem sequer encabeçar a chapa soa como fisiologismo puro. Depois das experiências em Minas e Maranhão, parece apenas escárnio.

Fica a pergunta: Qual é o limite das alianças? PMDB, Sarneys, Hélio Costa, PSD do Kassab... Chalita? O que mais? Até onde?

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Recomendo a leitura deste post antigo sobre o PMDB e sua aliança com o PT. Continua atualíssimo.
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Apesar de achar uma certa viagem uma aliança carnal PCdoB/PP, o @FlavioSousa pode ter um ponto:
Mas imaginar que o ego do Chalita permita que ele seja vice?

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