domingo, 13 de março de 2011

A QUEM INTERESSA ESCONDER O DIREITISMO DE WALDICK SORIANO?


WALDICK SORIANO BEIJANDO UMA CONHECIDA ESTRELA DA GLOBO. CADÊ A DISCRIMINAÇÃO DA GRANDE MÍDIA AOS BREGAS?

Por Alexandre Figueiredo

Estranha essa intelectualidade que defende o brega-popularesco. Parte dela quer se infiltrar na mídia esquerdista, que se compromete com os movimentos sociais e reivindica a verdade histórica do regime militar.

No entanto, embora seja "totalmente solidária" aos movimentos sociais, às causas de esquerda, patati, patatá, essa patota do espetáculo cafona, que tanto choramingou junto com o sinistro Paulo César Araújo (que junta o ar soturno de um corvo - Carlos Lacerda que o diga (com a ressalva do ex-governador e jornalista ter tido uma cultura mais refinada - com a astúcia de um tucano enrustido) quando este reclamou que os ídolos cafonas "sofriam" com a Censura Federal.

Na verdade, nem sofreram tanto. Uma alusão a sexo aqui, outra metáfora engraçadinha com o título de uma música de Waldick Soriano, "Tortura de Amor", e nada mais. Perto do que Geraldo Vandré sofreu, até que os cafonas eram felizes nos anos de chumbo. Se compararmos com o cantor chileno Victor Jara, então, a censura das músicas de Odair José parece reprimenda tola e suave de jardim de infância.

Sobre "Tortura de Amor", música de Waldick que PC Araújo tão cinicamente tentou associar ao suposto combate à ditadura pelos ídolos cafonas, é bom deixar claro que a música foi gravada originalmente num compacto de 1962. Nesse ano, o Brasil passava por um confuso regime parlamentarista feito para tentar domar o poder de João Goulart, o presidente hostilizado pela direita brasileira e internacional.

Por isso, não podia a música ser associada ao protesto de um golpe que, quando a canção foi lançada, era apenas uma ameaça potencial, mas insuficiente para que houvesse algum protesto em larga escala.

Atribuir "Tortura de Amor" ao protesto contra o regime militar soa tão caricato quando aquele texto de Sérgio Porto, sob a alcunha de Stanislaw Ponte Preta, que falava da decisão da ditadura em querer prender o dramaturgo grego Sófocles, falecido há muitíssimo tempo, bem antes de qualquer profeta prever a vinda de Jesus Cristo à Terra.

Enquanto isso, também não reapareceu a entrevista de Waldick no programa TV Mulher, com Marília Gabriela, na Rede Globo em 1983, em que o cantor brega elogiava o regime militar e reprovava o movimento feminista. Digitalizado pela Globo Vídeos em 2008, o vídeo saiu do ar há um tempo e não houve chance sequer de alguém capturá-lo para reproduzir no YouTube.

Que interesse tem esconder o direitismo de Waldick Soriano? O intelectual ou celebridade que pensa em esconder o direitismo de Waldick Soriano (que, ao menos, pode ser visto numa entrevista para o Pasquim, em 1972) não pode estar do lado de quem luta pela verdade histórica do regime militar. É uma grande incoerência.

Ora, nem mesmo o punk mais fanático adotaria uma postura assim em relação ao falecido guitarrista da formação original dos Ramones, Johnny Ramone, que no final da vida defendia George W. Bush de forma mais entusiasmada. E olha que os Ramones são associados a uma sonoridade moderna, jovial, e mesmo assim nenhum fã da banda fecha os ouvidos e os olhos ao fato de um de seus fundadores ter sido um direitista doente.

Mas os partidários de Waldick Soriano preferem manipular sua imagem para que ele pareça um suposto subversivo de esquerda. Agora que ele está morto, ficou ainda mais fácil moldar a imagem dele ao gosto do freguês, no caso o jovem burguesinho que "descobriu" a música brega pelo livro de PC Araújo.

Para quem aposta na memória curta, e endeusa um jornalista como Pedro Alexandre Sanches, pupilo de Otávio Frias Filho e esquerdista de mentirinha, certamente não pode encampar os movimentos sociais se na prática adota procedimentos opostos a eles.

Melhor que essa turma toda se assumisse conservadora de vez, mesmo, ou, quando muito, dançar no vindouro Festival de Barretos 2011, junto com Gilberto Kassab e Kátia Abreu, entre outros direitistas fantasiados de esquerda. Que vá todo mundo comer paçocas neoliberais junto aos ídolos breganejos e os barões do latifúndio e do agronegócio.

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