terça-feira, 8 de março de 2011

A NOVA SENSUALIDADE FEMININA


LEANDRA LEAL - A nova sensualidade feminina combina com inteligência e charme.

Por Alexandre Figueiredo

Toda mudança de valores causa reações contrárias. Pessoas que obtiveram privilégios com valores retrógrados, e que estavam acostumadas na letargia sócio-cultural das eras Collor e FHC, e que tentaram fazer "militância social de butique" na Internet durante toda a Era Lula, agora se enfurece com o desgaste de valores ainda vigentes na grande mídia, mas que apresentam seus primeiros sinais de saturação.

É o caso da transformação em torno dos valores ligados à mulher, e mesmo à sensualidade feminina. O grotesco das "popozudas" perde terreno até para as jornalistas de televisão, e mesmo uma Ana Luíza Guimarães com seu jeito de professora, pasmem, apresenta uma sensualidade muito mais natural e sedutora do que até mesmo as "arrojadas" paniquetes.

Mas as reações dos tarados de plantão é notória. Eles parecem ainda viver em 1974, apesar da obsessão em serem os "donos da verdade", em se acharem "os conscientizados sociais" e a fazer falsas acusações contra quem discorda deles, como atribui-los a um suposto "nojinho de pobre" ou a rótulos ofensivos como "playboyzinho" e "burguesinho de periferia".

Esses reacionários, espécie de versões moleques de José Serra, estão incomodados porque suas musas de revistas tipo Sexy ou Playboy nos piores meses, que variam das mulheres-frutas às paniquetes, passando por outras "boazudas" temperamentais, umas odiando ler livros, outras posando felizes amarradas em galhos de árvores, não são mais consideradas modelo de mulher contemporânea.

A realidade está clara. Mulheres que só aparecem na mídia para mostrar o corpo, numa exposição que está mais do que repetitiva, sem que elas acrescentem algo a isso nem deem pausa à sensualidade exagerada vestindo roupas mais discretas, estão sendo passadas para trás por musas que nem são estritamente ligadas ao universo sensual, mas combinam inteligência, simpatia, charme, discrição e uma sensualidade que, mesmo contida, torna-se muito mais espontânea e atrativa.

Além disso, a situação das "boazudas" torna-se constrangedora, quando a maior parte delas tem o corpo exagerado por conta de doses de silicone nos seios e glúteos, que criam um padrão "turbinado" que soa exagerado e que só interessa mesmo aos homens mais grosseiros, principalmente aqueles que, mais pobres, se expõem à manipulação da grande mídia e da imprensa jagunça, capataz dos barões midiáticos.

NÃO HÁ COMO SER POLITICAMENTE CORRETO

Com os avanços ocorridos no Brasil, consequência independente de qualquer medida governamental, não há como ser politicamente correto e defender valores retrógrados como se fossem "modernos", anabolizando-os de retórica "humanista", "intelectual" e "socializante".

Assim como já não cola mais a desculpa do "preconceito" diante da rejeição dos ídolos brega-popularescos pelo público mais intelectualizado (já que este os rejeita porque os conhece, não por desconhecê-los tal qual uma atitude preconceituosa), não dá para defender "boazudas" e "popozudas" à luz de uma retórica ao mesmo tempo poética e humanista.

Alguns até tentaram comparar essas "popozudas" às mulatas que, dançando em escolas de samba, no entanto também estudam e trabalham e nem sempre aparecem com roupas "sensuais". Tentaram apelar para as Certinhas do Lalau, para as vedetes ou para Leila Diniz, que no entanto tinham classe, a despeito do pavio curto das "boazudas" atuais.

Não bastasse isso, uns ainda tiveram o cinismo de dizer que rejeitar as "popozudas" é uma "atitude machista", quando sabemos que é o contrário, aceitá-las seria, sim, compactuar com a imagem da mulher idealizada pelo machismo.

E outros, com cinismo maior ainda, falavam em "liberdade do corpo", num apelo surreal e delirante de associar o espetáculo popularesco das calipígias a movimentos performáticos de vanguarda. Deram com os burros n'água. Só equipararam seu discurso ao dos barões da grande mídia, quando eles falam em "liberdade de expressão".

Além disso, liberdade do corpo sem a liberdade da alma não é liberdade. Por isso, jornalistas de televisão, atrizes e modelos começam a desbancar as "popozudas" até mesmo no derradeiro refúgio das mesmas: os ensaios de escolas de samba.

Em vários setores, atrizes como Leandra Leal fazem muita diferença com seu jeito meigo, gracioso e com uma sensualidade que aparece quase sem querer, mas que deslumbra, seduz e cativa de forma instantânea.

A NOVA MULHER SENSUAL

A nova sensualidade feminina é um fenômeno que desafia a arrogância despudorada do status quo popularesco.

A nova mulher sensual é um perfil que compete com jornalistas de televisão, atrizes, modelos e que está de acordo com os rumos que a conquista da mulher no mercado de trabalho e em outros setores da sociedade.

Ela não é uma mulher de plástico, fisicamente exagerada por conta do silicone. E também não se mostra demais. Quando pode, veste roupas discretas ou, quando muito, adota uma combinação de camisa abotoada para dentro de uma calça justa (mas não muito apertada) com ou sem cinto e sandálias discretas porém charmosas.

A nova mulher sensual não é uma "boazuda" grotesca que na última hora tem que se disfarçar de personagem infantil para dizer que é "recatada". Até porque as "boazudas" caem no ridículo com isso, enquanto musas infanto-juvenis como Selena Gomez e Victoria Justice mostram uma sensualidade e charme adultos, contrastando com mulheres-frutas posando de Betty Boop ou de fada madrinha.

Outro aspecto da nova mulher sensual é que ela lê livros, vai ao teatro, tem bons referenciais culturais, não procura ter pavio curto, e nas entrevistas é capaz de, se necessário, falar de política e conhecimentos gerais sem pedantismo nem burrice.

Querer que uma mulher fale de política, História etc não significa exigir que ela seja douta ou academicista. Significa mostrar se ela está preparada para compreender o mundo em sua volta. E a vida não são só boates, praias, centros de ginástica ou de cosmética.

Por isso, por mais que a mídia conservadora e seus adeptos, machistas enrustidos, defendam as "popozudas" atuais, o descrédito que elas recebem da sociedade cresce de forma irreversível, enquanto musas mais discretas e bem mais inteligentes tornam-se muito mais desejadas. Como atrizes como Leandra Leal e Larissa Maciel.

Os avanços sociais requerem mulheres bem mais preparadas para a vida. Preparadas, mesmo, nada de fazer trocadilho com um sucesso do tenebroso "funk carioca", que no futuro será de tão triste lembrança, justamente com suas "popozudas".

O novo Brasil dará mais espaço a mulheres que possam ser sensuais sem exageros, e que combinem sensualidade com inteligência, charme, doçura, simpatia e humildade.

Um comentário:

  1. Lendo esse texto, lembrei de um que escrevi há um tempo atrás... Depois dá uma olhada lá!

    Abraços!

    http://bethiamorim.blogspot.com/2010/06/pra-que-pensar-se-eles-so-querem-peitos.html

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