terça-feira, 22 de março de 2011

NANDO REIS RECEBEU VERBA DA LEI ROUANET PARA DIVULGAR BREGA



Por Alexandre Figueiredo

Como um dos descendentes do establishment caetânico, Nando Reis é bastante talentoso. É dotado de muita informação musical e até possui muitas boas músicas. Isso é fato. Nando Reis é talentoso. Caetano Veloso é talentoso. Zeca Baleiro é talentoso, Maria Bethania é talentosa, Ana de Hollanda é talentosa. Aí não há o que questionar.

Mas o grande problema é o esquema de compadrio existente nos bastidores da MPB. E, do contrário que muitos imaginam, o "inocente" apoio à música brega (de ídolos como Waldick Soriano até o recente "funk carioca"), incluindo todo um lobby de intelectuais e críticos musicais, não escapa a esse esquema clientelista.

Muito pelo contrário, há desejos ocultos - talvez nem tão ocultos assim - de intelectuais, músicos, celebridades e críticos musicais de usarem o establishment da Música de Cabresto Brasileira, do apoio aos nomes da suposta "música do povão" para obter maior visibilidade na mídia.

Imagine, um professor universitário deixa de esperar a bolsa do CNPq, pela esperança de que, defendendo o tecnobrega, o "pagodão" baiano ou o "funk carioca", e por aí vai, ele recebe um cachê bem maior aparecendo na Ilustrada e até no Mais Você e no Fantástico.

Isso tudo é tendencioso. Ou algum incauto acha que Pedro Alexandre Sanches defende o brega-popularesco porque imagina que a Revolução Cubana vai se instaurar no Brasil num festival de "funk carioca" ou tecnobrega?

Isso é tão tolo e incoerente quanto acreditar que Papai Noel se veste de vermelho porque é um representante das forças bolcheviques nas zonas frias da Finlândia!

Pois não existem "vacas sagradas" na MPB. E nem na crítica musical. Se Caetano Veloso está cada vez mais difícil de ganhar o Nobel da Paz, não será Pedro Alexandre Sanches que irá fazê-lo. Nem MC Leonardo, nem muito menos o direitista enrustido e professor mineiro Eugênio Arantes Raggi, que fala de seu mestre Cabo Anselmo como se nunca tivesse relação com ele (e tem, pelo menos na esperteza pseudo-esquerdista, ainda que Raggi, "modesto", prefira colaborar com a Globo Minas e não com a "global' CIA).

Pois o esquema de compadrio que ocorre nos bastidores da MPB, às custas da exploração mercantilista do patrimônio cultural brasileiro, desde as manifestações historicistas que transformam a cultura popular do passado em mero artigo de museu, até os eventos brega-popularescos que usam a máquina financeira do MinC para dizer que fazem "cultura séria" (vide vários obscuros cantores que já fazem parte dos escalões inferiores do dito "sertanejo universitário", espécie de "emo" da música caipira).

E, neste caso, vamos descrever o quanto Nando Reis & Os Infernais ganharam de verbas federais (resultantes do abatimento fiscal de empresas patrocinadoras) para divulgar a música brega através da turnê paulista do "Bailão do Ruivão": R$ 1.145.150,00.

Vale até juntar alhos com bugalhos e se lembrar dos "bodes expiatórios" Guilherme Arantes e Dalto como se fossem "ídolos bregas" (nunca foram), pagando pelos pecados cometidos pelo pseudo-cult Odair José e seus asseclas. E o disco contou com participações do casal Joelma e Chimbinha (Banda Calypso) e de Zezé Di Camargo & Luciano, ambos queridinhos do PiG.

Sim, verbas federais para fazer propaganda do brega-popularesco que já recebe apoio financeiro bastante de latifundiários, barões da grande mídia e de tudo quanto é empresa estrangeira instalada no país. E das rádios FM apoiadas por grandes fazendeiros, políticos poderosos, tudo gente cheio da grana.

Mas andam dizendo que os tais "sucessos do povão" agora só rolam no YouTube. É tratar a opinião pública que nem trouxa!! Qualquer um monta canal no YouTube, até secretário-chefe do FMI, e para colocar um vídeo lá é de graça. Ninguém vira bolchevique porque tem canal no YouTube e joga um vídeo qualquer lá. Se algum internauta do tipo é bolchevique, é por suas posturas ideológicas pessoais, não pelo fato de ter canal no YouTube ou estar inscrito nas "redes sociais" da Internet.

Portanto, vai dar pano na manga esse esquema clientelista todo. Enquanto isso, os verdadeiros artistas do povo não aparecem no Domingão do Faustão, nem no programa do Rodrigo Faro, nem nas "rádios do povão", nem na "paçoca" de Pedro Alexandre Sanches, nem nos livros de Ronaldo Lemos e Paulo César Araújo, nem sequer nos documentários de Patrícia Pillar e Denise Garcia.

Não se pode confundir esses verdadeiros artistas do povo com os ídolos brega-popularescos "paparicados" pela intelectualidade influente, as "vacas sagradas" que recebem merenda do ECAD. Seria paçoca?

Lamentável. A "casa grande" da MPB e sua intelectualidade associada nunca iria promover a festa brega-popularesca para beneficiar as "senzalas". Pelo contrário, seleciona-se apenas quem é mais submisso do povo pobre para fazer o espetáculo da cafonice dominante e promover assim a "ditabranda do mau gosto".

Nessa festa, todo mundo elogia, todo mundo aplaude, todo mundo sorri com a maior alegria. Nesse grande Bailão do ECAD e da Lei Rouanet, a elite usufrui dos seus privilégios, de seu paternalismo, mesmo por trás do falso paternalismo em que a "MPB burguesa" é o "mal" e o brega-popularesco é o "bem".

Enquanto isso, nosso povo pobre sofre, sem uma cultura que o represente com dignidade e respeito...

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