quinta-feira, 17 de março de 2011

ESCLARECENDO O CASO RACHEL SHERERAZADE



Por Alexandre Figueiredo

É verdade que qualquer pessoa pode fazer o seu carnaval, seja no retiro, na rua, no bosque, no trio elétrico, no Sambódromo etc. Mas certamente as reações furiosas contra o comentário de Rachel Shererazade, jornalista paraibana, são de gente desinformada, que ouve uma frase pela metade, entende que essa meia frase vai contra suas crenças pessoais, e aí reage com mensagens ofensivas, mal escritas e grosseiras. Não raro inclui palavrões e xingações gratuitas.

Rachel não é contra o Carnaval. Ela já começou seu comentários dizendo justamente isso. Ela é contra tipos hegemônicos de Carnaval, como os da axé-music baiana e do forró-brega em outros Estados nortistas e nordestinos, que são tomados pelo comercialismo mais ganancioso e caminham para ser meros espetáculos do grotesco, da queda de valores sócio-culturais, da celebração da imbecilização cultural.

Isso é que o pessoal que atacou a jornalista não entendeu. Ela, como jovem, parece falar coisas "antigas", mas essas não são coisas antigas, mas coisas perdidas. Perdemos aqueles valores sócio-culturais do pré-1964, que, se não eram a perfeição do paraíso, evocavam valores próximos da mínima decência possível.

Chegamos ao fundo do poço da degradação sócio-cultural e não podemos fazer sequer metade dos questionamentos que se fazia contra a indústria cultural lá pelos idos de 1964-1968. A crítica mais construtiva é tida como "preconceituosa", "invejosa", "elitista", "saudosista", fora adjetivos piores.

É até estranho que alguns jovens associados ao rock defendam até o mais chulo evento carnavalesco, e ainda incluam linque de Aviões do Forró, já que, há tempos atrás, grupos assim - principalmente os ditos independentes e sem espaço na mídia - disparavam toda sua raiva contra a Música de Cabresto Brasileira. Agora roqueiros defenderem o Carnaval, a título de proteger o brega-popularesco, é o fim da picada.

Falam isso em nome da "liberdade". Só que é a "liberdade" de Merval Pereira, Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, não a verdadeira liberdade com cidadania. "Beber até cair", "Foge, Mulher Maravilha, foge", "Piririm Pom Pom", "Tchibirabirom", "Chupa que é de uva"? Se alguém considera isso liberdade, esse alguém deve ter algum problema na cabeça.

Segue então o comentário de Rachel:

Hoje é quarta-feira de fogo, mas eu não vejo a hora de chegar a quarta-feira de cinzas.

Não, não é que eu seja inimiga do carnaval. Inclusive já brinquei muito: em clubes, nas prévias, nos blocos.... fui até à Olinda em plena terça-feira de carnaval... Portanto, vou falar com conhecimento de causa.

E, como um véu que se descortina, como uma máscara que cai, gostaria de revelar algumas verdades que encontrei por trás da fantasia do carnaval.

A primeira delas: o brasileiro adora carnaval.

Não acredito. Na paraíba, por exemplo, o maior bloco de arrasto disse ter registrado cerca de 400 mil foliões no desfile do ano passado. Mas, a população paraibana conta com mais de 3 milhões e 600 mil cidadãos.

Portanto, a maioria da povo não foi para a rua ou por que não gosta de carnaval ou por que não se reconhece mais nessa festa dita popular.

Segunda falsa verdade: o carnaval é uma festa genuinamente brasileira.

Não, não é. O carnaval, tal como o conhecemos, surgiu na Europa, durante a era vitoriana, e se espalhou pelo mundo afora, adaptando-se a outras culturas.

Quarta falsa verdade: É uma festa popular.

Balela! O carnaval virou negócio – dos ricos. Que o digam os camarotes VIP, as festas privadas e os abadás caríssimos, chamados "passaportes da alegria".

E quem não tem dinheiro para comprar aquele roupinha colorida não tem, também, o direito de ser feliz??? Tem não.

E aqui, na Paraíba, onde se comemoram as prévias não é muito diferente. A maioria dos blocos vive às custas do poder público e nenhuma atração sobe em um trio elétrico para divertir o povo só por ser, o carnaval, uma festa democrática.

Milhões de reais são pagos a artistas da terra e fora dela para garantir o circo a uma população miserável que não tem sequer o pão na mesa.

Muitas coisas, hoje, me revoltam no carnaval.

Uma delas é ouvir a boa música ser calada à força por "hits" do momento como o "Melô da Mulher Maravilha", e similares que eu nem ouso citar.

Fico indignada quando vejo a quantidade de ambulâncias disponibilizadas num desfile de carnaval para atender aos bêbados de plantão e valentões que se metem em brigas e quebra quebra.

Onde estão essas mesmas ambulâncias quando uma mãe de família precisa socorrer um filho doente? Quando um trabalhador está infartando? Quando um idoso no interior precisa se deslocar de cidade para se submeter a um exame?

Me revolto em ver que os policiais estão em peso nas festas para garantir a ordem durante o carnaval, e, no dia a dia, falta segurança para o cidadão de bem exercitar o direito de ir e vir.

Mas o carnaval é uma festa maravilhosa! Dizem até que faz girar a economia. Que os pequenos comerciantes conseguem vender suas latinhas, seu churrasquinho...

Se esses pais de família dependessem do carnaval para vender e viver, passariam o resto do ano à míngua.

Carnaval só dá lucro para donos de cervejaria, para proprietários de trios elétricos e uns poucos artistas baianos. No mais, é só prejuízo.

Alguém já parou para calcular o quanto o estado gasta para socorrer vítimas de acidentes causados por foliões embriagados? Quantos milhões são pagos em indenizações por morte ou invalidez decorrentes desses acidentes?

Quanto o poder público desembolsa com os procedimentos de curetagem que muitas jovens se submetem depois de um carnaval sem proteção que gerou uma gravidez indesejada?

Isso sem falar na quantidade de DST’s que são transmitidas durante a festa em que tudo é permitido!

Eu até acho que o carnaval já foi bom... Mas, isso foi nos tempos de outrora.

Fonte:http://rachelsheherazade.blogspot.com/

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