segunda-feira, 21 de março de 2011

E A MÍDIA SÓ QUERENDO SABER DA LÍBIA



Por Alexandre Figueiredo

Barack Obama e família, além de sua comitiva, deixaram o Brasil. A visita é, de fato, histórica, por razões óbvias, afinal, pelo bem ou pelo mal, a vinda de um presidente da poderosa nação imperialista ao Brasil tem grandes reflexos sócio-políticos. Isso é inegável, ainda que não sejam benéficos para nós, brasileiros.

Só que duas ilegalidades em relação aos princípios democráticos e à soberania nacional ocorreram e ninguém se deu conta.

Primeiro, 13 manifestantes do PSTU foram presos, quando faziam protestos pacíficos contra o presidente no Rio de Janeiro. O que mostra o que quer e o que pode a dupla Sérgio Cabral Filho - Eduardo Paes, "progressistas" de mentirinha, amigos de causa do ex-demo Gilberto Kassab.

Segundo, Barack Obama autorizou o ataque das forças internacionais na Líbia quando estava no Brasil. Atitude de emergência? Não, se verificarmos que os EUA querem intervenção porque sabe que a Líbia tem reservas petrolíferas, de muita "serventia" para as empresas estadunidenses. Daí a fúria terrorista das nações "democráticas" contra um país politicamente não-protegido pelos EUA.

Por isso, enquanto o Departamento de Estado dos EUA financia forças populares pelegas para "apressar" a queda de Muamar Kadafi - que poderia muito bem ser derrubado pela ação espontânea do povo líbio, sem precisar de qualquer "ajuda" imperialista - , os países ricos mandam forças militares para atacar o território líbio, sem medir escrúpulos em dizimar os civis que estiverem na área.

Ações bélicas desse porte sempre causam problemas. Destroem cidades e dizimam civis, enquanto atendem a interesses estratégicos de dominação de determinados países. Por isso a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), então conhecida apenas como Grande Guerra, surgiu motivada por conflitos colonialistas. E a pressão política, com o fim desse confronto, contra a Alemanha - condenada a pagar uma dívida estratosférica aos países vencedores - , fez surgir o fascismo nesse país, e veio outra guerra mundial, a hoje conhecida Segunda Guerra Mundial, que desenhou o mapa geopolítico que vigorou até 1990.

Mas a grande mídia brasileira, lacaia do imperialismo ianque, parecia uma criancinha teimosa, sempre na ânsia de saber se Kadafi foi derrubado hoje, ou se será derrubado amanhã, ou se correrá em fuga para outro país. Sem ter outro assunto importante, fora o fait divers da presença de Obama e companhia no Brasil, o baronato jornalístico parece estar diante de um jogo eletrônico de combate aéreo, torcendo sempre pelo extermínio gratuito da ditadura líbia, sem ter pena de qualquer inocente que for fuzilado no meio do caminho.

"FUNK CARIOCA" - Na lista de convidados do discurso de Barack Obama, os empresários DJ Marlboro e Rômulo Costa foram incluídos. O que prova, por A mais B, o quanto o "funk carioca" está de bem com o imperialismo norte-americano e que não passa de um ritmozinho dançante ultracomercial metido a "engajado".

Até porque a evidente inspiração no miami bass dos EUA não poderia fazer o "funk carioca" ser anti-imperialista, já que o establishment do hit-parade norte-americano ofereceu o know how para os funqueiros cariocas.

Portanto, isso mostra o quanto é hipócrita o discurso "revolucionário" do "funk carioca". De que adianta mandar textos para a imprensa esquerdista se os funqueiros falam mal da esquerda pelas costas? E esse discurso de "movimento social" só serviu para enriquecer os empresários do "funk", que são os próprios DJs. Essa retórica em nada refletiu em verdadeiras melhorias sociais para a comunidade, e hoje há gente nas favelas que quer romper mesmo e de uma só vez com a "ditabranda" funqueira.

Até porque os "revolucionários anti-imperialistas" do "funk carioca" foram pedir a bênção ao presidente da nação imperialista. O "funk" só quer dinheiro. Não quer cidadania.

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