sexta-feira, 4 de março de 2011

CRISE NO MINISTÉRIO DA CULTURA... E O BREGA-POPULARESCO NA FOLIA BAIANA



Por Alexandre Figueiredo

Crise no Ministério da Cultura. A mídia golpista está em êxtase. A demissão de Emir Sader, depois que ele expôs a morosidade do Ministério da Cultura na gestão de Ana de Hollanda, abriu uma grave crise na famosa pasta, que há um bom tempo não vivia momentos muito positivos.

Conchavos com o ECAD (entidade ligada aos direitos autorais), baixos investimentos no setor cultural, entre outras coisas que fazem do Ministério da Cultura uma pasta pouco operante, que até realiza alguma coisa, mas bem abaixo do ideal.

Enquanto isso, há quem sonhe com o brasilzinho brega de Pedro Alexandre Sanches, Paulo César Araújo e outros, desconhecendo as relações de poder que está com o brega-popularesco que trava o avanço e a ampliação dos movimentos sociais no Brasil.

Enquanto Pedro Alexandre, Paulo César e outros "sacerdotes" modernos, responsáveis pela lucianohuckização da intelectualidade brasileira, detém para si os segredos da tal "MPBzona", os badalados ídolos brega-popularescos que enriquecem até os "coronéis" da UDR, veem no Carnaval de Salvador talvez a única chance de permanecerem em alta, depois dos cruzeiros marítimos e outros redutos elitistas que vieram com a crise do Domingão do Faustão.

Sim, porque, políticas públicas para a cultura, são poucas e pouco eficazes. Já o mercadão do brega-popularesco - erroneamente atribuído ao povo da periferia, até porque não passa de um investimento dos barões do entretenimento das zonas rurais e suburbanas - , move milhões e milhões, com apoio de multinacionais, da mídia golpista e de outras pessoas físicas e jurídicas nada comprometidas com o povo.

Enquanto a crise do Ministério da Cultura está na pauta tanto do "provocador" Marco Antônio Araújo quanto de Raphael Tzavkko Garcia, ainda está fora do debate público a situação do brega-popularesco, a escravidão cultural que transforma o povo pobre numa massa de manobra do entretenimento organizado dos ricos empresários das zonas urbanas e rurais.

São eles que estão por trás de uma indústria que, oficialmente, se afirma por um investimento tecnológico, publicitário, midiático e administrativo atribuído equivocadamente a pessoas que nunca tem um tostão para comprar um sítio.

Enquanto faltam políticas públicas para o samba autêntico, por parte do Governo Federal, falta o samba autêntico em parte de cantores e grupos que monopolizam o chamado "gosto popular", perdidos numa imitação barata de soul music com instrumentos de samba que, ao primeiro alarme depois de anos de carreira, se converte numa imitação barata de elementos mais manjados da música de Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal e Jorge Aragão.

Enquanto faltam investimentos para pesquisas sérias sobre a nossa música rural, falta a música rural em duplas veteranas "di raís", comprometidas em imitar os Bee Gees com viola e violão, ou em fazer um pastiche de country music, enquanto os "universitários" se limitam a fazer um pastiche de folk rock com forte aceno "emo".

Enquanto faltam políticas para o desenvolvimento sócio-cultural do Nordeste - não está na hora do carro da reativada SUDENE dar uma acelerada? - , falta o som autenticamente nordestino e o espírito de regionalidade autêntica em grupos de "forró eletrônico" mais preocupados em misturar disco music, country e merengues sonhando alto com Nashville e Miami, isso quando não produzem falsos baiões com letras sobre embriaguez e transas sexuais.

O público do tecnobrega, por exemplo, não tem a menor ideia do que sejam os Creative Commons, está fora de qualquer participação dos debates públicos do seu próprio interesse. Mas consomem referenciais e valores ditados pelos barões do entretenimento e da grande mídia regional e são tidos como "criadores" de uma "cultura" que não traduz seu verdadeiro espírito e é mais caricata do que a imagem do povo pobre em qualquer chanchada.

Enquanto isso, o pessoal vai para a folia baiana, dançar a axé-music e todo o brega-popularesco "abençoados" por Antônio Carlos Magalhães. O que é "cultura" para o povo hipnotizado pelo "deus mercado"? O que é "cultura" para quem, manipulado pela mídia golpista, só consegue ver o mundo através de seu filtro?

Enquanto a cultura carece de maior atenção das autoridades, os chamados "ídolos populares" da música, ligados ao "funk carioca", sambrega, breganejo, axé-music etc, estão até mais ricos do que os supostos "burgueses" da tal "MPBzona". Só Bell Marques, por exemplo, tem uma fortuna estimada em R$ 10 milhões. Mas, na avaliação dos ideólogos da mass culture brega-popularesca, são todos ainda tão pobres quanto um engraxate.

Há muito o que resolver no âmbito da cultura, e isso inclui tanto as políticas no setor quanto outras questões fora do âmbito governamental. Discutir a cultura sem levarmos em conta os problemas e as contradições da mass media é deixar o debate cultural no vazio, enquanto há gente que enriquece horrores sob os rótulos de "cultura popular" ou "cultura da periferia".

A questão de resolvermos o problema da cultura está em ampliar o debate público, em vez de fortalecer a influência do "deus mercado" na nossa cultura e fingir que esse "deus mercado" não existe.

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