terça-feira, 29 de março de 2011

CAETANO VELOSO, PEDRO ALEXANDRE SANCHES E LOBÃO



Por Alexandre Figueiredo

Existem as "vacas sagradas" da MPB. Correto. Existem também as do Rock Brasil. Tudo bem. Mas existem também as "vacas sagradas" da Música de Cabresto Brasileira, aquilo que você, caro leitor, entendia como "aqueles sucessos do povão", seja de que tendência ou região for.

Mas existem também as "vacas sagradas" da intelectualidade. E existe o esquema de compadrio, de troca de elogios, de troca de favores, de troca de privilégios.

Um dos críticos farozes da mediocridade cultural brasileira, que se apoia nesse clientelismo todo, é o músico João Luiz Woerdenbag Filho, conhecido como Lobão. Ex-baterista do Vímana, ex-baterista da Blitz, ex-líder de Lobão & Os Ronaldos, amigo-testemunha de Cazuza, Júlio Barroso e Cássia Eller, ex-editor da revista Outra Coisa, ex-apresentador da MTV.

Lobão - cuja diferença etária ao sisudo empresário Eduardo Menga é exatamente a mesma que o blogueiro Marcelo Delfino tem em relação a mim, de quatro anos - nasceu há 54 anos e divulga a biografia que ele escreveu sob o apoio de pesquisa do jornalista Cláudio Júlio Tognoli. O livro se chama 50 anos a Mil.

O polêmico roqueiro já havia superado a falha que cometeu na revista Outra Coisa, quando acolheu o funqueiro Mr. Catra (concorrente do MC Créu metido a "difícil"). O funqueiro logo deixou cair sua máscara quando, vendendo a falsa e inexistente imagem de "sem mídia", não era mais do que um queridinho das Organizações Globo.

Recentemente, as almas-gêmeas Caetano Veloso e Pedro Alexandre Sanches haviam feito comentários sobre a biografia de Lobão. Sanches havia entrevistado o roqueiro em mais de uma oportunidade. Uma delas, no programa Roda Viva, da TV Cultura.

Pois o colunista-paçoca havia também, em outra entrevista, perguntado se Lobão era de direita, e se não me engano Pedro ainda estava na Folha de São Paulo, e, portanto, não era o "esquerdista profissional" de hoje em dia. Lobão respondeu que não é de esquerda nem de direita e apenas disse nos tempos de escola que era "de direita" só para provocar os colegas envolvidos na chamada "esquerda festiva" (na qual, ironicamente, PAS tenta hoje se enquadrar).

Na sua coluna na Caros Amigos, Sanches havia feito uma longa resenha sobre a biografia de Lobão. Num misto de admiração e crítica, Sanches não esconde seu incômodo quando cita que o Lobão expressa sua aversão às "vacas sagradas da MPB". Mas é uma postura dúbia, já que Sanches também se incomoda com o status quo dessa mesma MPB, cuja sigla o jornalista expressa um claro desdém.

Afinal, sabemos, o colunista-paçoca segue a orientação corporativista da intelectualidade festiva, que se baseia na atitude clientelista de apoiar e defender a hegemonia da Música de Cabresto Brasileira.

Quanto a Caetano Veloso, que pelo seu estilo de escrever é "mentor" ideológico do estilo de Pedro A. Sanches, foi curto e grosso no comentário sobre a biografia de Lobão, naquela eventual irritabilidade do cantor baiano quando ele e seus aliados são criticados (no caso, foi a irmã dele, a cantora Maria Bethânia, pivô de um caso de financiamento milionário de verbas públicas para um simples blog de poesia).

Disse Caetano sobre Lobão, jogando farpas também contra Tognolli, que difundiu a expressão "máfia do dendê" que Paulo Francis há anos havia criado:

"Toda a grita veio com o corinho que repete o epíteto "máfia do dendê", expressão cunhada por um tal Tognolli, que escreveu o livro de Lobão, pois este é incapaz de redigir (não é todo cantor de rádio que escreve um Verdade Tropical (a história da tropicália escrita por Caetano)".

Lobão não se silenciou com o comentário de Caetano e, simplesmente, respondeu em seu Twitter que está tranquilo, afirmando ainda que foi ele quem escreveu o livro: "Mas isso já está ficando muito chato: quem escreveu o texto de 50 Anos a Mil fui eu, e o Tognolli fez a pesquisa da mídia e ponto".

Na entrevista ao Le Monde Diplomatique, em dezembro do ano passado, Lobão havia feito comentários contra o "sertanejo universitário", que ele definiu como um exemplo de acomodação cultural da música brasileira de hoje. Mas, em outras épocas, ele havia feito críticas a Ivete Sangalo, Alexandre Pires e outros ícones popularescos.

É o roqueiro Lobão se lançando contra os carneirinhos do entretenimento popularesco brasileiro e à burocracia clientelista da "MPB burguesa".

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...