sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

TECNOLOGIA EM SI NÃO PRODUZ VANGUARDA CULTURAL



"Essa fetichização da tecnologia não passa de papo furado de conservador para desqualificar movimentos populares. (...) Essa fetichização é um merchandising da Indústria da Telecomunicação." (Paulo Henrique Amorim)

Por Alexandre Figueiredo

A intelectualidade de repente acha que as vanguardas culturais agora são movidas a modem e operam em redes digitais.

Grande exagero. Grande delírio acadêmico-tecnocrata.

Enquanto, lá fora, as multidões se manifestam nas ruas, sejam pela arte, sejam pelo protesto político.

Mas no Brasil, que ainda não é um país desenvolvido, segundo a intelectualidade as multidões só "se manifestam" através do Twitter, Facebook, Orkut, YouTube e, quando muito, em flash mobs nas ruas.

Como se um simples toque de mouse fosse determinar o futuro da cultura popular brasileira.

Quantos oportunistas botam seus idiotas para rebolar fantasiados de personagens de HQ e dizem que isso é "vanguarda cultural" só porque apareceu primeiro no YouTube.

Quantos oportunistas botam adolescentes para falar de carrinho em letra de duplo sentido, triturando melodias de cantora folk estrangeira (afinal, trata-se de "versão") e dizem que isso foi uma "revolução", porque apareceu primeiro no YouTube.

O tecnobrega e o "funk carioca" passearam livremente pela mídia golpista e até hoje tem gente dizendo que os estilos são ignorados pela mesma mídia.

Tanta pseudo-cultura se aproveita desse discurso de que "só as tecnologias podem indicar a nova cultura popular".

Tem medíocre querendo se achar futurista. Ele não cria bulhufas, mas bota sua bobagem no Twitter e no YouTube e posa de revolucionário.

Só se for como os "revolucionários" de 1964, da "Redentora". Perguntem ao Otávio Frias Filho, que entende de "ditabranda", que ele deve explicar.

Não responsabilizem Mark Zuckerberg, Evan Williams, Biz Stone, Chad Hurley e Steve Chen, entre outros, pelo sucesso comercial do "rebolation", do "créu", do "tchibirabirom", entre tantas bobagens.

Primeiro, porque tais fenômenos não são arte verdadeira. E são patrocinados por empresários da pesada, cujo patrimônio financeiro muitas vezes chega a um quinto do Roberto Civita.

Mas que tem poder suficiente para manipular as populações pobres de um Estado inteiro da Região Norte, poupando munições de espingardas da pistolagem. Mas reprimindo os movimentos sociais do mesmo jeito.

Afinal, para a mídia grande e a intelectualidade (não-assumidamente) associada, "movimento social" no Brasil é só o movimento glúteo das popozudas.

Ou, quando muito, o deslocamento da casa para o local os ídolos popularescos estão se apresentando.

A paranóia intelectualóide acha que um novo Ataulfo Alves, uma nova Marinês & Seu Conjunto, um novo Cornélio Pires ou um novo Jackson do Pandeiro irão fazer o povo pobre saquear supermercados, incendiar matas à beira de rodovias, depredar praças públicas nas capitais.

Grande mentira.

Por isso a grande mídia e seus intelectuais associados mas enrustidos querem que o povo pobre fique quietinho diante da TV, diante do radinho, e consuma os "sucessos populares" que a mídia oligárquica regional determinar.

E que meses depois será louvada pelo tropitucano Pedro Alexandre Sanches, o menino-de-ouro de Tavinho Frias.

Que vai dizer que os sucessos popularescos do coronelismo radiofônico "nunca tocaram em rádio", que os sucessos popularescos da TV aberta "nunca apareceram na TV aberta", que tudo só apareceu nas "redes sociais", até quando as redes sociais digitais estavam distantes até dos roteiros de filmes e livros de ficção científica.

Dizer isso só vai vender mais computador, celular, e outras parafernálias tecnológicas.

Mas não muda em coisa alguma a cultura popular, ou o que a mídia quer que seja a "cultura popular".

Enquanto isso, a verdadeira arte vem de uma só tecnologia: a mente humana.

Ela não precisa produzir sucessos, mas sim conhecimentos, valores.

Não precisa mexer nos quadris, mas sim enriquecer o espírito.

E além disso, as redes sociais de difusão da arte verdadeira são as comunidades.

Que os barões regionais do rádio e TV querem controlar com sua pretensa "cultura popular".

Só que ao povo esse pessoal não engana, não. Nem a fúria dos direitistas dentes-de-leite, nem a persuasão dos intelectuais etnocêntricos.

Estes não estão com o povo. Estão com a grande mídia. Num momento e outro, eles provam isso e são incapazes de desmentir.

Um comentário:

  1. De vez em quando, o homem da conversa fiada diz algo que preste.

    Enquanto isso, Arnaldo Jabor está na linha de frente dessas dondocas reacionárias a dizerem que os movimentos sociais no mundo árabe são movidos a Twitter, Facebook e Orkut.

    Os reacionários daqui ainda não dizem que os nossos movimentos sociais são movidos por Twitter, Facebook e Orkut. Preferem dizer que provoca mega engarrafamentos. Como os protestos que acontecem às vezes nas avenidas Paulista e Rio Branco carioca.

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