sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

PRESSÃO POPULAR EXPULSA HOSNI MUBARAK DO EGITO



Por Alexandre Figueiredo

Depois da Tunísia, mais uma ditadura no Norte da África é derrubada pela pressão popular. Embora o caminho que o povo egípcio passe a seguir a partir de agora é um caminho de pedras, é sempre um alívio livrar-se do fardo de uma ditadura que estava a completar 30 anos este ano.

Além do mais, como no caso tunisiano, é outra ditadura patrocinada pela supremacia política, econômica e militar dos EUA. E quem pôde ver as manifestações nas ruas, via a pressão popular dos que queriam o fim do governo de Hosni Mubarak, com pessoas cantando, gritando, fazendo barulho, se reunindo aos montes em praças públicas, sem temer o policiamento nem a reação dos adeptos do ditador egípcio.

Conforme lembrou o blogueiro Eduardo Guimarães, do Blog Cidadania, o governo dos EUA e a imprensa ideologicamente associada, sobretudo a do Brasil, tentou enganar a opinião pública ao pregar a tese da "transição lenta, gradual e segura" do regime egípcio.

Aparentemente a imprensa conservadora brasileira tentou uma visão "neutra" quanto ao regime egípcio, sem fazer aparentes críticas à mobilização popular, cuja expressividade saltava aos olhos. Não dava para dizer que o pessoal se reunia lá para "tomar uma cervejinha", "pegar um arzinho" ou qualquer banalidade.

O povo foi lá para protestar contra uma ditadura que, patrocinada pelos EUA, era tolerada pela mídia conservadora.

No Brasil, onde os movimentos sociais procuram ser sempre abafados pela mídia, que dá às populações pobres verdadeiros "presentes de grego" como o tecnobrega e o "funk carioca", vendidos cinicamente como "movimentos sócio-culturais" para fazer a multidão ficar resignada e passiva, o episódio egípcio tenta ser explorado o máximo possível como um evento de fora.

Afinal, o Brasil tem que ser "diferente" do resto do mundo. Se o exterior tem Natalie Portman, o Brasil tem que se contentar com uma Valesca Popozuda. Se o exterior mostra ativismo social, aqui temos o "ativismo" do consumo passivo do tecnobrega, "funk carioca" e similares.

A arrogância de uma mídia do entretenimento, provinciana e retrógrada, de vender seu atraso como se fosse uma "originalidade", é apenas um meio para garantir que no Brasil continuem no poder as mesmas oligarquias que controlam política, econômica, midiática e culturalmente as classes populares.

Além do mais, no momento em que os cortes no orçamento da União atingiram os concursos públicos - um dos poucos meios dos brasileiros de obter emprego estável - , além das pressões da bancada ruralista no Congresso Nacional, entre outras medidas impopulares que só servem para forjar um "Brasil desenvolvido" de mentirinha, o risco de novas mobilizações sociais assusta cada vez mais as elites, de um simples internauta ao parlamentar ruralista de Brasília.

Afinal, os valores que se transformam no Brasil e a força da blogosfera em detrimento da velha grande mídia, evidentemente, provocam reações contrárias, desesperadas, alarmistas. As elites perdem dinheiro e apelam para todo tipo de pretexto para que os valores retrógrados que tanto defendiam continuem valendo. Da "liberdade" à "diversidade cultural".

Por isso é que as elites dominantes de nosso país, umas assumidamente direitistas, outras mais enrustidas - mas que, num momento ou em outro, também assumem seu direitismo - , fazem de tudo para que o povo brasileiro seja apenas uma massa passiva consumindo valores popularescos.

Por isso se empenham em promover uma "cultura popular" de mentirinha defendida insistentemente pelos ideólogos de plantão, seja uma pós-meta-neo-folhista-lacerdista Bia Abramo chamando as mulheres-frutas de "feministas", seja o pós-meta-neo-folhista-caetânico Pedro Alexandre Sanches chamando o tecnobrega (ou tucanobrega?) de "vanguardista" .

E restringem a iniciativa popular a paliativos como a "interatividade" dos programas da TV aberta, ou na suposta criatividade de apenas temperar o "prato feito" do hit-parade radiofônico para o preparo das tendências de valor artístico-cultural duvidoso, da axé-music ao tecnobrega, do breganejo ao sambrega, do brega "de raiz" ao "funk carioca" etc.

Ou então restringem o povo pobre a fazer o papel pitoresco e estereotipado na grande mídia, que não deve ser confundido com a natural alegria popular, mas na domesticação das classes populares, impondo a elas uma alegria forçada e falsa, debilóide e resignada, que impeça as classes dominadas de obtar a qualidade de vida que comprometeria o poderio das oligarquias do latifúndio, do entretenimento, do capitalismo, da mídia.

Mas os ventos de Cairo ainda se farão soar no Brasil, quando o povo pobre, livre da escravidão midiática, se organizará para reivindicar qualidade de vida.

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