terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O VELHO DISCURSO "FOLHA" DE PEDRO ALEXANDRE SANCHES


O PUPILO DE OTÁVIO FRIAS FILHO FAZ SUA PROPAGANDA PARA A PLATEIA.

Por Alexandre Figueiredo

Pedro Alexandre Sanches ainda insiste em defender as tendências do brega-popularesco. Em seu recente artigo para Caros Amigos, que fala da "autosuficiência" do povo da periferia, mais uma vez o colonista formado pela Folha de São Paulo continua promovendo suas ilusões, as mesmas que a velha grande mídia difunde.

Sabemos que existem relações de poder nos bastidores dessa pretensa "cultura popular". Elas são históricas, envolvendo latifundiários que patrocinam o entretenimento das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste ou mesmo nas cidades do interior em todo o país, nas emissoras de rádio controladas por oligarquias regionais, sobretudo aquelas favorecidas pelas concessões de José Sarney e Antônio Carlos Magalhães.

Há um empresariado do entretenimento brega-popularesco, como os donos de blocos de Salvador, as "aparelhagens" do Pará e os DJs-empresários de "funk carioca", entre tantos outros, que já correspondem a oligarquias regionais à parte. Gravadoras "pequenas", casas de espetáculos (sobretudo os galpões mega-shows) e empresas de "talentos", também são controladas por elites regionais. Todas essas elites, em si, montam uma estrutura oligárquica que estabelece as relações de poder por trás dessa "cultura da periferia".

Mas o titio aqui diz que o Papai Noel não existe e que coelho não é ovíparo e há quem espinafre o blogueiro daqui porque os textos vão contra as aparências, mas a favor da coerência dos fatos. Os fatos não podem falar por si, o marketing e a "segura" visão da grande mídia é que valem.

Mas o que Pedro Alexandre Sanches escreve não é muito diferente do que se lê na Ilustrada da Folha de São Paulo - queiram ou não queiram, ela foi a escola de Sanches, e ele aprendeu as lições do professor Otávio Frias Filho direitinho - , mas como a memória curta ainda é uma mania nacional, há quem pense que Pedro Sanches trabalhava na Voz Operária antes de entrar em Caros Amigos. Quanta ingenuidade...

Até que alguém com visibilidade maior possa desconstruir mitos e mitos, vamos à humilde tentativa de explicar o equívoco da "autosuficiência da periferia", numa sociedade ainda marcada pelo poderio da grande mídia (que, queiram ou não queiram, formatou e investiu pesado nesse padrão de "cultura popular" dominante e oficial).

"AUTOSUFICIÊNCIA" COMO MANOBRA DE PODER

Vemos que as classes pobres continuam tendo sérios problemas. O Brasil progride, mas não é por isso que tenhamos que acreditar que a prosperidade chegou às periferias, apenas estamos no começo do caminho.

Falar em "autosuficiência" é uma manobra dos detentores do poder para evitar que a qualidade de vida chegue ao povo pobre. E, quando se fala em qualidade de vida, não significa somente a participação no mercado de consumidores, mas a transformação social no que se diz aos valores morais, artísticos, comportamentais.

John Kenneth Galbraith, um dos renomados pensadores de centro-esquerda por ser um crítico das grandes corporações, havia escrito no seu livro A Cultura do Contentamento que a ilusão de autosuficiência das populações pobres é uma forma do poder político mascarar as tensões sociais, criando um conformismo entre os pobres e evitando que as autoridades exerçam responsabilidades sociais.

Essa manobra havia sido feita nos EUA pelo governo de Ronald Reagan, famoso por suas ideias conservadoras. E serviu de modelo para que o Brasil das eras Collor e FHC, que trabalhariam a estrutura midiática montada politicamente por Sarney e ACM em âmbito regional para complementar e reforçar o poderio midiático de âmbito nacional controlado por oligarquias cujo poder cresceu durante a ditadura militar.

Isso incluiu a trilha sonora, que é essa "cultura popular" que, sabemos, nada têm a ver com a verdadeira cultura popular que se tornou nosso rico patrimônio até o pré-1968 e um pouco além disso (a MPB de 1972-1976, antes do conservadorismo fonográfico).

Por isso, é muito estranho que essas relações de poder que estão por trás da pseudo-cultura popularesca, por mais evidentes, intensas e operantes que sejam, agora sejam desmentidas no discurso por uma visão oficial difundida por intelectuais etnocêntricos, jornalistas, celebridades e até blogueiros.

O VELHO DISCURSO DO COLONISTA-PAÇOCA

É até de dar pena que Pedro Alexandre Sanches emende seu discurso por falsas posturas de esquerda que só servem para enfeitar as buscas do Google. Isso porque o jornalista que trabalhou na Folha de São Paulo agora cospe no prato em que comeu.

Insistindo na ladainha de que estilos claramente estereotipados e caricatos como o tecnobrega, o "funk carioca" e aquilo que Sanches chama de "neo-forró cearense" (o forró-brega, que não existe só no Ceará, mas também no Pará, Sergipe e, quem sabe, até nos condomínios de luxo dos Jardins, em São Paulo) provoquem "rejeição da sociedade", o que Sanches faz, com isso, é tão somente repetir o mesmo surrado marketing da rejeição, manobra que tenta reverter em sucesso o natural fracasso de fenômenos medíocres.

Em várias passagens, Sanches tenta, artificialmente, beliscar a grande mídia, como se ela nunca tivesse tocado os ídolos brega-popularescos. Num determinado trecho, ele disse que "nem a Rede Globo" conseguiu promover os sucessos desses fenômenos, o que é uma grande mentira. Ele fala em termos de São Paulo, porque as afiliadas da Rede Globo encampam os fenômenos brega-popularescos sempre em primeira hora. O jornal O Liberal, do Pará, símbolo da mídia oligárquica regional, abraçou o fenômeno tecnobrega em sua primeira hora.

Mas torna-se tragicômico quando Sanches fala em "velho discurso da Folha e Veja", como se ele nunca tivesse se relacionado com isso. Ele foi empregado de Otávio Frias Filho e Roberto Civita (Sanches escreveu para Bravo), é bom deixar bem claro. Sanches cospiu no prato em que comeu, mas em outros tempos ele gozava do farto banquete midiático que o PiG lhe oferecia com carinho.

Aliás, até na revista Época Sanches trabalhou. Ou seja, como é que o ex-empregado de Otávio Frias Filho, Roberto Civita e de herdeiros de Roberto Marinho vai agora falar mal dos seus veículos? É muita ingratidão com a mídia que fez Pedro Alexandre Sanches crescer, assim como se trata de uma postura muito falsa de um jornalista que, mesmo escrevendo na mídia esquerdista, usa a mesma visão da mídia direitista sobre "cultura popular".

Até porque Pedro Sanches não saiu da Folha de São Paulo de graça. Ele viu jornalistas dissidentes saírem de lá e foi de carona. Aproveitou-se da visibilidade que tinha e escreveu até dois livros na editora esquerdista Boitempo, mas que poderiam muito bem ser publicados, sem prejuízo de conteúdo, pela Publifolha, a editora de livros da famiglia Frias.

Por isso Pedro Alexandre Sanches adota o mesmo velho discurso "Folha". Até se relembrou de Tati Quebra-Barraco, que ele entrevistou quando trabalhava para Tavinho Frias. Pedro Alexandre Sanches não é um jornalista de esquerda. Ele é apenas um Nelson Jobim da crítica musical, um Delfim Netto da música brasileira.

Caros amigos, quando derem de cara com a "paçoca", por favor virem à página.

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