domingo, 6 de fevereiro de 2011

O DISCURSO DA DIREITA



Por Alexandre Figueiredo

Não é novidade que a direita sempre se acha no monopólio da razão.

Ela é que fala em "liberdade", em "cidadania", como falava também em "valores sagrados" ligados à "família", "propriedade" e outros pretextos.

Intolerante, ela não se satisfaz com o direito de discordar de nossos pontos de vista.

Quer que nossos espaços de expressão deixem de falar de certas coisas.

Mas eles é que são "equilibrados", ainda que reajam com raiva.

Eles é que são "racionais", ainda que reajam com irracionalismo.

Eles é que "adoram pobre", nós, que queremos a melhoria de vida das classes populares, é que "sentimos nojo de pobre".

O espírito de abril de 1964, para não dizer o de dezembro de 1968, repousa em jovens que parecem tão moderninhos.

Que falam em "cultura popular" com a mesma "convicção" que seus papais e avós da direita "amadurecida" falavam em "democracia".

Eles é que "gostam do povo", desde que o povo fique calado, distraído com o recreio popularesco da grande mídia, tão "sabiamente elaborado" visando "o que o povo gosta".

Eles é que falam em "liberdade", quando atuam contra a verdadeira liberdade dos outros.

Eles é que falam em "paz", quando promovem a guerra.

Eles é que falam em "legalidade" quando violam qualquer tipo de lei.

A direita é assim desde os tribunos mais conservadores até os jovens mais reacionários.

Ninguém vai dizer, no discurso, que as oligarquias estão perdendo seus privilégios alcançados há décadas. Preferem dizer que "defendem a democracia". Como também não dirão que os empresários do entretenimento estão perdendo dinheiro com a crise do brega-popularesco. Preferem falar "em solidariedade à cultura da periferia".

As Marchas da Família Com Deus Pela Liberdade de 1963-1964 não é muito diferente, ideologicamente, do Domingão do Faustão. Até porque, em ambos, tem a sombra do Roberto Marinho.

A direita não quer perder seus privilégios. Nem mesmo em relação à exploração da cultura popular, distorcida e domesticada por suas elites.

Por isso até falam bonitinho, dizendo que "nós agimos contra o povo", da mesma forma que as forças progressistas "promovem a desordem e a subversão".

Mas é assim. Mingau de Aço, FAlha de São Paulo, Viomundo, Blog Cidadania, todos de uma forma ou de outra recebem mensagens ou ações reacionárias.

É o preço de quem deseja o progresso do país, em detrimento ao status quo de poucos privilegiados.

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