sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A LIÇÃO DO PROFESSOR JOSÉ LUIZ DOS SANTOS, DA UNICAMP



Numa época em que as questões relacionadas à grande mídia geram reações não só de suas oligarquias, mas de internautas simpatizantes, nada como uma lição do professor José Luiz dos Santos, antropólogo da Unicamp E PHD de Antropologia em Londres, que, num claro exemplo de humildade, havia escrito, há 30 anos, um livro intitulado O Que É Cultura, da série Primeiros Passos, da Editora Brasiliense, a editora que foi durante muito tempo conduzida pelo corajoso Caio Prado Jr..

Os dois parágrafos servem para reforçar todo o questionamento feito à hegemonia da "cultura" brega-popularesca, que explicitamente foi gerada dentro de um contexto de poderio midiático. Afinal, trata-se de um contexto que envolveu generais da ditadura militar, nomes como Roberto Marinho e Assis Chateaubriand, Antônio Carlos Magalhães e José Sarney, Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso, além de multinacionais e latifundiários.

É pena que, para muitos, quando se trata do tema "cultura", essas questões, que tanto são mais do que explícitas, parecem invisíveis a certa parcela da sociedade. Que desconhece que essa "cultura popular" foi desenvolvida e alimentada pelas classes dominantes que comandam o processo político e econômico nacionais, com o respaldo do capitalismo estrangeiro.

A crítica vai sobretudo ao vício do "relativismo" que, no Brasil, serve para estimular o desprezo às questões que estão por trás dessas relações de poder, que enriquecem esses verdadeiros proprietários dessa pretensa "cultura popular".

Antes de mais nada, quem quiser fazer críticas pesadas aqui, não o façam contra mim. Vão para a Unicamp e critiquem o professor José Luiz pelas frases que ele escreveu. Seguem as frases, reproduzidas do referido livro, no final da página 20:

(...) Observem que vivemos numa sociedade que tem uma classe dominante cujos interesses prevalecem. Se fôssemos relativizar os critérios culturais existentes no interior da sociedade acabaríamos por justificar as relações de dominação e o exercício tradicional do poder: eles também seriam relativos.

Assim, tanto no estudo de culturas de sociedades diferentes quanto das formas culturais no interior de uma sociedade, mostrar que a diversidade existe não implica concluir que tudo é relativo, apenas entender as realidades culturais no contexto da história de cada sociedade, das relações sociais dentro de cada qual e das relações entre elas. Nem tudo que é diverso o é da mesma forma. Não há razão para querer imortalizar as faceltas culturais que resultam da miséria e da opressão. Afrinal,as culturas movem-se não apenas pelo que existe, mas também pelas possibilidades e projetos do que pode vir a existir.

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