quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

LIBERDADE DO CORPO SEM A DA ALMA NÃO É LIBERDADE


JORNALISTAS DE TELEVISÃO, COMO MARIA CÂNDIDA, SUPERAM "POPOZUDAS" EM SENSUALIDADE E ATRATIVIDADE.

Por Alexandre Figueiredo

Em mais uma crise envolvendo as chamadas "popozudas", cada vez mais decadentes por simbolizarem o perfil grotesco da mulher-objeto, dentro de um mercado machista enrustido, as vozes desesperadas dos machistas apelaram para a desculpa da "liberdade do corpo", como último recurso para salvar a reputação das calipígias.

As transformações sociais vividas no Brasil, também reflexo das mudanças ocorridas no mundo inteiro, andam incomodando parte da sociedade brasileira, que vivia feliz na letargia dos valores burgueses e brega-popularescos desde a Era Geisel.

Por isso as vozes desesperadas do reacionarismo, repetindo o horror social de 1961-1964 com iniciativas como o Método Paulo Freire, os CPC's da UNE ou mesmo a coluna "Garôtas" da revista O Cruzeiro (que publicavam historietas relacionadas às transformações sociais vividas pelas mulheres), tentam desconversar e defender valores retrógrados como se fossem "avançados".

Daí que eles falam em "liberdade do corpo", acusando quem falasse mal de popozudas, mulheres-frutas, paniquetes e outras calipígias de "moralismo" ou "preconceito" (sempre essa palavra...).

No entanto, essa defesa é muito equivocada, porque dá para perceber o abismo que separa até mesmo as sofisticadas atrizes, modelos e jornalistas de TV e as "boazudas" que mostravam seus glúteos avantajados até na imprensa jagunça (a dita "imprensa popular").

Pois enquanto as mulheres mais sofisticadas equilibram sensualidade e charme e não ficam mostrando o corpo a qualquer preço, mas evitando exageros e medindo o contexto, as mulheres vulgares só ficam "mostrando demais" suas formas físicas exageradas.

As mulheres sofisticadas podem aparecer em sessões de biquíni, posar nuas, até usar roupas sensuais, porque sabemos que isso não é o tempo todo para não cansar. E que elas moderam na exibição física, porque sabem que elas não são só corpos desejáveis, são seres humanos, são mulheres com personalidade e que são admiráveis também pelo que dizem, pelo que pensam e pelo que fazem.

É claro que esses machistas não-assumidos valorizam a mulher pelos glúteos, mas querem disfarçar seus valores retrógrados, seu fascínio pelo grotesco, por alegações politicamente corretas. Para eles mulher é tudo igual, não conseguem discernir a mulher vulgar da sofisticada. Só disfarçam essa confusão com desculpas politicamente corretas.

Por isso falam em "liberdade do corpo", "direito ao nu" e outras falsas modernices. Mas isso seria como se um macartista quisesse parecer um militante da Contracultura.

Isso porque o sexo, por si só, não é uma plataforma progressista. De jeito nenhum. Até porque, durante a Era Geisel, a "abertura" foi temperada também pela exploração brega do sexo, seja pelas pornochanchadas, seja pelas revistas pornôs, como um meio de distrair o público masculino diante da crise do "milagre brasileiro" consequente do colapso do mercado petrolífero do Oriente Médio, que atingiu o resto do mundo.

O sexo, em si, não é ruim. O nu também não. Mas há uma diferença entre musas que, entre um nu e outro, aparecem com roupas mais discretas e dão entrevistas interessantes, e outras que "mostram demais" seus corpos e são capazes de "pagar cofrinho" até em missa de Finados. E ainda por cima dão entrevistas constrangedoras.

Essa é a bronca. Se a direita dente-de-leite (não seria um demotucanato emo?) ainda está com os hormônios em formação, o problema é seu. Se gostam de popozudas, podem curtir, mas o que está em jogo é que elas não podem ser vistas como o modelo dominante de sucesso para as mulheres em geral.

Não vamos tapar o sol com a peneira. O machismo encontra nas popozudas seu último foco de resistência às mudanças sociais. Isso é fato. Solange Gomes vestindo de "freira sexy" e dizendo odiar ler livros é um exemplo.

Isso num tempo em que as verdadeiras feministas lutam por melhorias de vida, buscam ampliar seus conhecimentos, seja vivendo, lendo livros, dando suas opiniões, tendo poder de decisão.

A crise das popozudas e as vozes desesperadas de seus fãs mais reacionários só os expõe como a direita machista enrustida, como uma espécie de "demotucanato do sexo". Assim como eles defendem a "liberdade do corpo", a velha grande mídia demotucana falava em "liberdade de expressão", numa analogia surpreendente e exata.

Mas de que adianta a "liberdade do corpo" sem a liberdade da alma? A "liberdade do corpo "sem uma alma livre para se evoluir e crescer não é a verdadeira liberdade.

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