quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

GOVERNO DILMA: INÍCIO CAUSA APREENSÃO



Por Alexandre Figueiredo

Alianças híbridas com tendências conservadoras "moderadas", a festa onerosa da copa do mundo vindoura, entre outros comprometimentos. O governo Dilma Rousseff causa apreensão e começa preocupante, como lembraram Maurício Caleiro, do blog Cinema & Outras Artes, e Altamiro Borges, do Blog do Miro.

Certamente é muito melhor haver este governo do que qualquer outro que, tucano ou fisiológico, ponha tudo a perder com medidas até piores. Mas o apoio que se dá ao governo Dilma não quer dizer que o governo seja imune a críticas. Afinal, a verdadeira democracia também se vale de cobranças, mesmo para aqueles que se dá grande apoio.

O início do governo Dilma teve episódios nebulosos, embora seja cedo para avaliar a natureza de seu governo. A medida de corte de R$ 50 bilhões no orçamento da União, que comprometeu a realização de concursos ou mesmo a nomeação de aprovados, na verdade serviu para "segurar" a grana para os preparativos da Copa do Mundo de 2014, um evento que, segundo especialistas, promete ser um dos mais onerosos.

Afinal, a Copa do Mundo da Alemanha, de 2006, e da África do Sul, de 2010, se encerraram com prejuízo, porque os gastos de cada evento foram astronômicos, mas o faturamento, por mais expressivo que pareça, não conseguiu compensar o valor investido.

Teme-se que isso ocorra com a Copa de 2014, principalmente se observarmos a ocorrência de corrupção e politicagem nos bastidores do futebol, e na "tradicional" indiferença dos políticos para o interesse público, já que se prevê, na melhor das hipóteses, apenas o repasse de 1% do faturamento da Copa de 2014 para a sociedade.

A lógica do "deus-mercado", que fez Guido Mantega apertar o cinto dos brasileiros até mesmo no salário mínimo, aprovado pelo Congresso Nacional no valor proposto de R$ 545 (segundo o Dieese, cerca de 1/5 do valor real, se compararmos com a pressão dos preços de mercadorias, taxas etc), também desagradou os sindicatos, que esperariam que, na pior das hipóteses, o mínimo fosse reajustado para R$ 580.

O problema dos concursos - atingidos por um "aperto" previsto para durar um ano - , na maioria cancelados junto com as nomeações, também causou frustração nas classes trabalhadoras, sobretudo naqueles que aspiravam um emprego com um mínimo de estabilidade possível.

Mas isso também não impediu que instituições como a Infraero planejem novos concursos antes de expirar o prazo dos anteriores, talvez para captar mais recursos através da arrecadação através das taxas cobradas para os candidatos.

É preciso, no entanto, ponderar que as críticas feitas ao governo Dilma não devem servir de gancho para a oposição, até porque o governo Lula também começou com esse surto de medidas neoliberais que fizeram a mídia dizer que o governo era "uma cópia do governo FHC".

O que se deve pensar é que o governo Dilma poderia ter sido mais generoso com as classes trabalhadoras, pensando em outras alternativas para não comprometer salários nem oportunidades de emprego. Espera-se que, passada essa fase, a presidenta e sua equipe possam ter ao menos uma atitude autocrítica em relação a esse começo equivocado de governo, e que possa compensar isso com medidas socialmente mais justas.

É preciso, sobretudo, driblar as pressões existentes em setores do agronegócio, em partidos como o PMDB e outros setores "híbridos" da base de apoio governista, porque nesses setores encontram gente que num momento saúda o atual governo, em outro quer puxar o tapete.

Começou o caminho de pedras do governo Dilma Rousseff.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...