sábado, 26 de fevereiro de 2011

GILBERTO KASSAB QUER FUNDAR NOVO PARTIDO



Por Alexandre Figueiredo

Conforme anunciado por Altamiro Borges e por Raphael Tsavkko Garcia, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, tem a tendência de se transformar numa versão paulista do carioca Eduardo Paes.

Também surgido das profundezas do demotucanato, o prefeito do Rio de Janeiro - que, segundo rumores, está "comprando" apoio de busólogos estaduais para apoiar seu desastrado projeto para o transporte coletivo - era do PSDB local e afilhado político do ex-prefeito carioca César Maia (do DEM).

Depois, Eduardo Paes rompeu com o PSDB fluminense para se aliar ao PMDB e ganhar novo padrinho, o governador fluminense Sérgio Cabral Filho, cujo pai é famoso historiador que havia feito parte da equipe do Pasquim.

Da mesma forma que Eduardo Paes, Kassab - também adepto do (decadente) modelo de transporte coletivo de São Paulo, já ditado pelo "padrão moderno" de Curitiba, de outro demotucano envergonhado, Jaime Lerner, e hoje adotado no Rio - tenta se transformar num político conservador convertido em fisiológico.

Através dessa nova atitude, Gilberto Kassab convidou certas figurinhas que se converterão em "governistas de ocasião" para sobreviverem no poder, ante o clima "torre-de-babel" que se encontra a dupla PSDB/DEM.

No novo barco, chamado Partido da Democracia Brasileira (PDB), espécie de PMDB com o "frescor" de Justin Bieber, já conta com a adesão da coronelista Kátia Abreu e do empresário Guilherme Afif Domingos, este vice-governador e ex-presidenciável (concorreu para a campanha de 1989). Há quem diga que o paranaense Álvaro Dias também possa entrar no PDB.

O PDB já se torna conhecido como o "partido da boquinha" (será "da boquinha da garrafa"?), porque promete se fortalecer a partir da transferência para a nova legenda de políticos do PSDB, DEM e PPS. Há rumores que o PDB possa se fundir com o PSB, mas tais rumores parecem menos prováveis, ainda que o PSB tenha o mesmo DNA do DEM, já que ambos possuem suas raízes na antiga União Democrática Nacional (UDN), ancestral do demotucanato atual.

O PDB promete modernizar o cafajestismo político que os partidos de aluguel, do PMDB ao PR, mas presente em parte do PDT e PSB, já praticam há muito tempo. E que também tornou-se personalizado nas pessoas de Fernando Collor, Paulo Maluf, José Sarney e do ex-político Mário Kertèsz, o "Sílvio Berlusconi com dendê", cujo filho trabalha na agência publicitária África, que criou a logomarca do atual governo federal.

O cafajestismo político não será governista por amor às reformas sociais, mas pelo puxa-saquismo grande o bastante para se aproveitar da máquina política atual, obtendo vantagens pessoais, sobretudo de ordem econômica.

Isso significará o vira-casaquismo de vários oposicionistas ferrenhos, sobretudo Kátia Abreu, e o esquema de cooptação chega a ser muito pior do que a oposição. Até porque, como lembrou Raphael Garcia, a oposição é necessária, até para o aperfeiçoamento do regime democrático por meio do debate político.

Mas, certamente, a oposição demotucana já era em si muito ruim, por ela ser fútil, dentro daquela filosofia udenista e do pseudo-intelectualismo do IPES/IBAD (equivalentes, nos anos 60, ao atual Instituto Millenium), uma oposição delirante, caluniadora, não uma oposição de ideias nem de princípios.

No entanto, pior será os políticos da "boquinha da garrafa" que, antes oposicionistas ferrenhos ao governo Lula, serão governistas por conveniência, feito lobos não só vestindo peles de carneiros, mas tentando se comportar como eles e juntar-se ao rebanho.

RURALISTAS - Não bastasse o "poder sedutor" de Kátia Abreu que deve ter feito o comunista Aldo Rebelo ser brando com os latifundiários, não bastasse o puxa-saquismo da dupla breganeja Zezé Di Camargo & Luciano (que, como todo "sertanejo" fake, apoia o latifúndio) ao então presidente Lula, agora a bancada ruralista parece que vai amansar com a adesão da Miss Motoserra de Ouro ao governo Dilma, através do apoio fisiológico do PDB.

Só que o apoio ficará um tanto complicado, porque, na base de apoio do governo Dilma Rousseff, existem entidades, militantes e políticos comprometidos com a causa da reforma agrária, solidários com a luta dos agricultores sem-terra, o que significa juntar um bujão de gás com um litro de querosene dentro de uma casa em chamas.

Não se sabe o que vai dar nesse conflito interno, que será muito pior do que uma oposição sincera. Mas que haverá bagunça, haverá. Se um apoio de políticos como Fernando Collor e José Sarney ao governo petista incomoda, se figuras fora da política como o baiano Mário Kertèsz, o paranaense-paulistano Pedro Alexandre Sanches e o mineiro Eugênio Raggi mais atrapalham do que ajudam no apoio tendencioso à centro-esquerda, imagine juntar defensores da reforma agrária e guardiões do latifúndio num mesmo balaio de gatos.

O PDB virá para bagunçar ainda mais o cenário político brasileiro. Um pretenso aliado que, como outros da ala fisiológica, se comportará como mais um amigo-da-onça das políticas progressistas, em vez de assumir uma oposição coerente, honesta, sincera e humilde.

Pior: a política fisiológica, pretensamente um "quebra-molas" para os caminhos da centro-esquerda, na prática não é mais do que um amontoado de pregos a querer furar o pneu da política petista.

É bom o governo Dilma tomar cuidado.

Um comentário:

  1. Ah, mas os dois maiores problemas da política nacional são esses mesmos: a esquerda e a direita fisiológica, juntas, serelepes e saltitantes. Se alguém acender o fogo nesse botijão de gás com querosene dentro dessa casa lulo-dilmista fumegante, é um favor que estará fazendo ao país. Se os movimentos sociais não quiserem arder nessa fogueira santa (como diria o bispo Crivella), tratem de sair de lá. Ou então paguem o preço da fisiologia, queimando junto.

    Agora, eu fico puto com esse tal de Raphael. Ele fica dizendo que a oposição é necessária, até para o aperfeiçoamento do regime democrático por meio do debate político. Mas quando aparecem as primeiras críticas ao Governo, ele e outros saltitantes governistas assumidos ou enrustidos (caso do Raphael) urram aos brados de "Golpista! Golpista! Golpista! Golpista! Golpista! Golpista! Golpista! Golpista! Golpista! Golpista!", "PiG! PiG! PiG! PiG! PiG! PiG! PiG! PiG! PiG! PiG!", como ensandecidas torcidas organizadas de futebol ou galeras de bailes fânqui. Pros atuais governistas, oposição boa é oposição morta. E pronto.

    Sem contar que a quase totalidade dos governistas não enxerga os oposicionistas existentes fora do reacionarismo, do direitismo ou do neoliberalismo. O mundo pra essa cambada é em preto e branco, não em cores.

    Tem problema não. Quando nos enxergarem, já estaremos jantando todos eles ao mesmo tempo: a esquerda, a direita fisiológica e o demo-tucanato.

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