terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

ESTES SÃO MOVIMENTOS SOCIAIS DE VERDADE



Por Alexandre Figueiredo

Movimentos sociais são coisa séria. Não se trata de empurrar o povo que nem gado para consumir passivamente os sucessos brega-popularescos. Nem para fazer coro a mais um dos "trocentos" DVDs ao vivo dos medalhões do sambrega, breganejo e axé-music. E muito menos para balançar o "popozão" num "baile funk".

Movimentos sociais no Brasil não podem ser associados a essas manobras dos barões do entretenimento que, para calar o povo, tentam domesticá-lo o máximo possível, e jogá-lo que nem um rebanho humano para eventos que são dos seus interesses, para atrair lucros e reafirmar seu poderio econômico.

E como essa "cultura popular" tem seus donos, que tentam se ocultar na multidão, como se um rico empresário do "funk carioca" - aquele "inocente" DJ que aparece sorridente na mídia - fosse "tão pobre" quanto um pedinte de rua.



Pois vemos a brilhante iniciativa dos moradores do Jardim Prainha, que protestaram, no último dia 11, em frente à prefeitura de São Paulo, contra a remoção de casas populares.

É verdade que não vamos aqui discutir a validade de processos de desfavelização ou não, mas o caso aqui seria de manter as casas populares e realizar a urbanização dessa comunidade localizada no Grajaú, bairro que, do contrário do homônimo carioca, que fica na Zona Norte, fica na Zona Sul da capital paulista.

Até porque é necessário que os próprios moradores digam o que querem, porque a verdadeira democracia se constrói com responsabilidades, exigir um direito torna-se um dever social, pela própria necessidade humana e interpessoal.

Raphael Tsavkko Garcia, do blog Angry Brazilian, registrou em seu blog um relato dessa iniciativa popular, com vídeos do protesto, mostrando que gente trabalhadora, ou mesmo desempregada - mas nem por isso menos trabalhadora, pois só falta oportunidade - , indignada com a derrubada de uma casa no Jardim Prainha.

Outras comunidades do Extremo Sul da capital paulista - onde fica a comunidade ameaçada - também deram apoio e todos se reuniram à frente da Secretaria de Habitação da Prefeitura de São Paulo, exigindo garantias de que a área seja urbanizada e não destruída. O portal Passa Palavra também dá maiores detalhes.



Outra manifestação de protesto ocorrerá no próximo dia 19, organizada pelo músico cubano Pedro Bandera, percussionista que prestou serviços para vários músicos, de Edgar Scandurra a Pepeu Gomes, também em São Paulo, uma passeata que se iniciará em frente ao Shopping Cidade Jardim, no Morumbi, na Av. Magalhães de Castro, próxima à Marginal Pinheiros.

A passeata tem por fim protestar contra atos de discriminação social e racial praticadas em estabelecimentos comerciais e bancos, e qualquer um pode participar.

Pedro foi vítima, no dia 28 de agosto passado, de discriminação social e racial, quando se dirigia a uma livraria onde tocaria na banda da cantora Marina de la Riva, e foi barrado por seguranças, que, agressivos e arrogantes, não se convenceram das explicações dadas pelo músico, que ainda foi humilhado pelo fato de ter vindo ao local de táxi.

O músico, que é formado em Psicologia e ensina aulas de música, só pôde entrar no local e tocar com a cantora e os demais músicos da banda depois da intervenção da produtora da banda, dos próprios músicos e do pessoal da livraria.

Pedro Bandera registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais (DECRADI) e o caso também é acompanhado pelo advogado Daniel Teixeira, no Centro de Estudos das Relações Raciais e do Trabalho (CEERT).

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