sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A EDUCAÇÃO, SEGUNDO O BOM DIA BRASIL



Por Alexandre Figueiredo

O que a mídia golpista entende como educação...

Hoje, no Bom Dia Brasil, da Rede Globo de Televisão, depois de uma reportagem sobre corrupção no Paraná, a belíssima Renata Vasconcellos, depois, anunciou que, para acabar com a corrupção, só educação.

Tudo bem. Mas a reportagem que veio a seguir, sobre cursos à distância, na verdade, correspondem ao ensino profissionalizante, que não é diretamente ligado aos princípios da cidadania que previnem a corrupção.

O que pouca gente entende, e é uma das cicatrizes ainda não fechadas do pós-1964, é essa confusão que muitas pessoas têm a respeito da ideia de Educação, muitas vezes por influência da grande mídia e de cenários políticos conservadores.

Se muita gente acredita que Educação é tão somente ensinar a ler e escrever e depois praticar esportes, então é natural confundir cidadania com mercado de trabalho, duas coisas completamente diferentes, ainda que sejam possíveis de se aliarem.

É por isso que, quando se fala do problema histórico do fim do Método Paulo Freire de educação para adultos e de todo o projeto educacional que ele, Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro, entre outros, tanto pensaram e puseram em prática em nosso país, todo esse projeto educacional suplantado por outro, o lamentável projeto do MEC-USAID que restringiu a Educação a um processo tecnocrático, mercadológico e de controle social dos estudantes, quase ninguém entende.

As pessoas não conseguem ver os pormenores do que é mesmo Educação. Acham que Educação é só ensinar e aprender. Mas, ensinar o quê? Aprender o quê? Daí um fenômeno que as elites fazem tapar os ouvidos, que é o analfabetismo funcional.

No analfabetismo funcional, a pessoa até sabe ler e escrever, mas não sabe pensar. Não tem a menor capacidade de exercer uma vida autônoma, com a compreensão crítica do mundo. Só consegue se safar na rotina básica de sua vida, vai para a fila do pão e pede um pão, vai para a fila do banco e paga as contas, mas não sabe qual é a sua situação no lugar onde vive.

É por isso que, até agora, Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira e Paulo Freire continuam desprezados. É preciso fazê-los voltar à nossa memória, estudando suas ideias e confrontando-as com a realidade de hoje, já que o pensamento desses três educadores tornou-se uma contribuição de incomparável valor para nosso país.

Com uma Educação mais forte, talvez a grande mídia não conseguisse tratar o espectador feito um bobo e confundir cidadania com mercado de trabalho.

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