domingo, 13 de fevereiro de 2011

CAETUCANO NÃO GOSTA DE EMIR SADER



Por Alexandre Figueiredo

É sabido que Caetano Veloso, cantor que, como intelectual, é mentor ideológico de gente como Pedro Alexandre Sanches, tornou-se um neo-direitista convicto. Ele faz aquele discurso, "meio sim, meio não", naquele estilo próprio dele de assumir posturas através de um discurso aparentemente contraditório, mas numa análise semiológica, dá para identificar uma postura conservadora por trás daquela retórica pós-moderna.

Mas hoje ele deu conta do seu recado ao reprovar a posse do professor Emir Sader, também blogueiro da Agência Carta Maior e colunista de Caros Amigos, para a presidência da Casa de Rui Barbosa, instituição que serve não somente para preservar o memorial do político e orador dos primórdios da República brasileira como para promover a pesquisa intelectual e os estudos sobre a realidade brasileira.

Além de atacar Emir Sader - cuja entrevista sobre a nova função foi classificada pelo compositor de "ruim" - , ele ainda acusou Marilena Chauí de "absolver mensaleiros", postura também atribuída ao professor Sader.

Caetano Veloso, se lê os artigos de Emir Sader, é com os olhos do direitista desiludido com os rumos do país (ou melhor, com a perda de seus privilégios de classe). Na Caros Amigos, ele deve ler mesmo a coluna do seu afilhado ideológico Pedro Alexandre Sanches, também pupilo de Otávio Frias Filho e que só aparece na imprensa esquerdista como condição imposta pelos distribuidores de imprensa, ligados à Editora Abril (como a DINAP) e ao Grupo Folha.

Certamente Caetano Veloso é indiferente à lucidez de Emir Sader, que vai muito além da suposta arte de "absolver mensaleiros" junto com Marilena Chauí. Uma acusação muito infundada, aliás. Quem lê Marilena e Emir sabe que seu raciocínio quanto à mídia e a política brasileiras são dotados de uma admirável objetividade, de uma visão de mundo coerente, ainda que Emir seja ligado ao PT (como Altamiro Borges é ligado ao PC do B).

Emir Sader é um escritor experiente, seus artigos mostram muita informação sobre a História mundial e ele é um das melhores vozes críticas do capitalismo, no Brasil. Um sistema político-econômico que, sabemos, tem sua tradição de ser socialmente excludente e abusiva em seus procedimentos.

Caetano, por sua vez, tem até grande conhecimento de cultura, arte e política. Mas rumou-se para a direita, o que não anula a bagagem intelectual do compositor, que de fato é talentoso, embora tenha altos e baixos na sua carreira. E ainda por cima, mesmo nos tempos do Tropicalismo, demonstrava um ingênuo deslumbramento com a indústria cultural, cujas armadilhas lhe eram subestimadas.

Além disso, Caetano Veloso foi o pioneiro de estabelecer uma visão condescendente à mediocrização cultural que surgiu com o brega-popularesco. Daí a paternidade ideológica que Caetano, já em seus delírios tropitucanos, exerce diretamente em nomes como Paulo César Araújo, Hermano Vianna, Rodrigo Faour, Ronaldo Lemos, Bia Abramo e, acima de tudo, Pedro Alexandre Sanches, a mais fiel tradução da ideologia caetânica na imprensa musical brasileira.

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