sábado, 19 de fevereiro de 2011

CAETUCANO ACREDITA NA MÚSICA DO PiG BRASILEIRA


O CAETANO QUE ODEIA EMIR SADER A-DO-RA LUAN SANTANA. PARA O BEM E O DEM DA UDR.

Por Alexandre Figueiredo

O brega-popularesco se desgasta e nada como uma declaração "polêmica" de um de seus maiores propagandistas, Caetano Veloso, para dar os últimos fôlegos à cafonice dominante no país.

Ou Caetano Veloso, hoje nadando em mares demotucanos, deixou de saber o que é MPB - na qual o baiano, um dia, foi considerado um de seus poetas maiores - , ou então ele levou às últimas consequências o deslumbramento que ele sempre teve com a indústria cultural, que ele expressava desde os primórdios do Tropicalismo.

O Caetano Veloso que odeia Emir Sader e não gosta de ver Marilena Chauí criticando a grande mídia é o mesmo que adora Luan Santana e que cantou com Odair José e Alexandre Pires. E cuja campanha pró-brega encontra herdeiro exato em Pedro Alexandre Sanches (é só ler os artigos deste e os do baiano sobre os "ídolos populares" e fazer a prova dos nove).

Ora, Caetano Veloso quer defender a "música sertaneja", como defendeu em outras oportunidades em entrevistas badaladas da Folha de São Paulo (desde os tempos em que Pedro Alexandre Sanches não tinha vergonha em ser o queridinho de Otávio Frias Filho). E, para ele, Luan Santana "é MPB". Com aquelas mesmas alegações de "sucesso popular" etc.

Em primeiro lugar, se for por esse raciocínio, que confunde valor cultural e artístico com índices econômicos e publicidade, então fulano pode lotar plateias de 50 mil pessoas em meia-hora que ele vira MPB. Fulano pode vender 100 mil cópias do CD que ainda está a lançar que vira MPB.

Quer dizer, se acreditarmos nessa pregação que Caetano Veloso e tantos outros fazem sobre a "MPB" que eles acreditam, então a MPB deixou de ser uma questão de música, de produção de arte e conhecimento, para ser uma simples questão de visibilidade, de marketing, de faturamento financeiro.

Em segundo lugar, a defesa de Caetano Veloso ao "sertanejo" e à axé-music, além de, numa manobra oportunista, tenta jogar o samba de raiz no mesmo balaio (o samba autêntico, de fato, é MPB), tem por fim um capricho ideológico.

Afinal, tanto o "sertanejo" quanto a axé-music são apoiados explicitamente por oligarquias conservadoras, e não é segredo algum que a "música sertaneja", sejam os "tradicionais" Chitãozinho & Xororó, sejam os "universitários" Vítor & Léo e Luan Santana, são apoiados explicitamente pelo latifúndio, uma realidade que, se não é admitida com orgulho, também é impossível de ser desmentida.

A axé-music se alimentou muito da máquina político-midiática de Antônio Carlos Magalhães e todos os seus asseclas, como os donos de rádio FM de Salvador que, todos eles, hoje apoiam a bancada ruralista do Congresso Nacional. Ou seja, por mais que Marcos Medrado diga que é do PDT, ele sempre vota junto com a "demo" Kátia Abreu quando está em Brasília. Assim como Antônio Imbassahy, sob o apoio de Mário Kertèsz, Pedro Irujo, Cristóvão Ferreira Jr. e outros amigos dos latifundiários.

Caetano também cantou com Alexandre Pires, a música foi um cover de Jorge Vercilo. O ídolo neo-brega mineiro é do agrado ideológico do baiano, pois cantou para George W. Bush, foi apadrinhado por um casal de cubanos direitistas, e simbolizou o "pagode mauricinho" das eras Collor e FHC, além de ser protegido da Rede Globo de Televisão e da demotucana Ivete Sangalo.

Caetano Veloso pergunta, de maneira cínica e oportunista: "Se Luan Santana não é MPB, então o que é MPB?". É o mesmo que perguntar: "Se a Folha de São Paulo não é imprensa moderna, então o que é imprensa moderna?". Se substituir o nome de Luan Santana pelo de Zezé Di Camargo & Luciano, Alexandre Pires, Tati Quebra-Barraco, Odair José, Calcinha Preta ou Psirico, a pergunta caetucana terá o mesmo sentido.

Vamos responder. MPB, ou seja, Música Popular Brasileira, com P maiúsculo de popular - meio machucado, porque o mestre Luiz Gonzaga não pode mais ser ouvido pelo povo pobre - e M maiúsculo de música, é aquela música que vale por si só. Por ter qualidade na melodia, harmonia, ritmo, arranjos, por seus artistas não serem crias do mercado nem marionetes da mídia.

Claro, quem imagina a cultura popular como uma gororoba vai achar que tudo é qualquer nota, e Caetano Veloso chega a fazer ataques à MPB FM, que toca suas músicas, só porque não coloca brega-popularesco na programação normal. Apesar do programa ter criado o Noite Preta FM que Preta Gil faz para seus amiguinhos pessoais.

Fica muito mais cômodo dizer que a MPB é qualquer nota, qualquer um que faça música com letra em português e resida em território brasileiro "é MPB" porque lota plateias, tem visibilidade, fatura milhões. Mas música, que é bom, nada.

A MPB merece respeito, e não recebe. Afinal, Música Popular Brasileira não se vale para lotar plateias, nem vender discos, nem pela visibilidade. Isso que está aí sob o rótulo de "cultura popular", se pode ser considerado "MPB", só se a sigla significar Música do PiG Brasileira, Música do PSDB Brasileira, ou Marketing Populista Brasileiro.

Que conhecimento produz essa "música popular" que domina rádios e TV aberta? Nenhum. Produz apenas meros sucessos comerciais, que de tão repetitivos e tendenciosos, só expressam mediocridade.

Para piorar, esses ídolos do brega-popularesco, tão tidos como a "cultura popular viva", se imobilizam na mesmice de sucessivos discos ao vivo, com os mesmos sucessos radiofônicos. Tidos como "grandes criadores", só regravam, além dos mesmos sucessos, qualquer cover que encontrar pela frente. Que "música popular viva, atuante e criadora" eles significam, se no meio do caminho eles, com medo, se alternam entre poucos discos de estúdio burocráticos e uma avalanche de CDs e DVDs ao vivo, que de tão iguais desnorteiam até os próprios fãs?

Não é à toa que o Caetano Veloso que odeia Emir Sader - uma das mentes lúcidas da análise da mídia e do mercado, junto a outros mestres como Venício Lima e Fábio Konder Comparato - é o que adora Luan Santana. Para o bem e o DEM da UDR.

Caetano, a senadora Kátia Abreu lhe manda um beijão.

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