terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

BIG BROTHER BRASIL É NOVA VÍTIMA DA CRISE DA REDE GLOBO


NEM A CASA DE VIDRO CONSEGUIU SALVAR O PROGRAMA.

Por Alexandre Figueiredo

O efeito dominó em torno da programação da Rede Globo continua. Depois do Casseta & Planeta, Fantástico, Domingão do Faustão e até o Jornal Nacional, é a vez do Big Brother Brasil sofrer o declínio de audiência.

Pelo menos em São Paulo, a edição corrente do BBB, a de número 11, comemorativa dos dez anos do reality show na sua versão brasileira - o Big Brother é originário da Holanda - , só conseguiu até agora 26 pontos de audiência, cinco pontos abaixo da média geral obtida pelo programa nas edições anteriores.

A crise do programa se deu quando o travesti Ariadna, uma das "estrelas" do programa, foi indicada como o primeiro integrante a sair do programa. E quase voltou para uma "casa de vidro" que receberia os ex-integrantes. Mas, novamente, a votação foi contra.

"REALIDADE" FICCIONAL

O programa Big Brother Brasil demonstra o completo vazio existencial humano. A pretexto de transformar pessoas comuns em gente famosa, o programa investe não somente em banalidades fúteis, mas na completa degradação da imagem do ser humano.

Através do programa, são difundidos valores sociais duvidosos que fazem o ser humano se inclinar tão somente ao sexo, às noitadas e à curtição vazia, sem sentido, que em nada acrescenta a suas vidas tediosas.

O auge do programa se deu em 2009, quando Priscila Pires, ganhadora do BBB 9, se somou ao circo das "boazudas" que toma conta da mídia, mulheres supostamente sensuais que nada fazem senão "mostrar demais" sua "boa forma" na mídia. Seja nas praias, boates e ensaios de escolas de samba.

O programa tinha que se tornar maçante, uma vez que as edições praticamente se tornam iguais, e não há uma preocupação, por menor que seja, de tornar o entretenimento mais proveitoso ou mesmo mais agradável. O festival de "intrigas" sem importância, espécie de mini-novelas sem roteiro e com atores ruins, só iria dar mesmo no desgaste gradual do programa.

Também se pode seguramente tomar em xeque o termo "espetáculo da realidade", porque é mais espetáculo (e ainda assim um espetáculo ruim) do que realidade. O BBB não é a realidade diante da tela de TV, mas uma ficção ruim, malfeita, medíocre, que por sinal mostra que o verdadeiro "Grande Irmão" não está em cena, mas dirigindo nos bastidores.

BIG BONINHO BRASIL

Pois o diretor do programa, José Bonifácio Brasil de Oliveira, o Boninho, filho do executivo de TV José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, é o "Big Brother Brasil" na sua expressão máxima. Ex-diretor de vídeoclipes e ex-marido da socialite Narcisa Tamborindeguy, Boninho faz aquele tipo do falso nerd que se vê em filmes como Se Beber Não Dirija ou nos comerciais de cerveja.

Marido da bela e por muitos desejada Ana Furtado, apresentadora do Vídeo Show da mesma Rede Globo e bem mais atraente que as insossas mocinhas que aparecem no reality show, Boninho é também inclinado a fazer comentários engraçadinhos no Twitter, e sua verborragia chegou a incomodar a cúpula da Rede Globo.

Temperamental, Boninho certa vez agrediu um fotógrafo quando estava com a mulher e o filho, num centro de compras. Boninho, de "caçador" virou a "caça", já que a agressão feita por ele foi gravada na câmera interna do estabelecimento.

PEDRO BIAL, O PRÍNCIPE DO MILLENIUM

Outro problema está na figura de Pedro Bial, que no quesito desanimador da Globo concorre cabeça a cabeça com Galvão Bueno, o locutor ufanista de futebol e automobilismo.

Apesar da figura de garotão sarado, de galã jovial e de currículo como artista performático, Pedro Bial frequenta as zonas sombrias do Instituto Millenium, um "clube de intelectuais" que inclui as facções mais retrógradas da grande mídia brasileira, associadas a membros que são ligados a entidades como o Comando de Caça aos Comunistas e as medievais TFP (Tradição, Família e Propriedade) e Opus Dei (que tem o casal Geraldo e Lu Alckmin como membros honorários).

Pedro Bial também é colega do comediante Marcelo Madureira, do Casseta & Planeta, que por sinal parodiou amigavelmente o marido, através do personagem Pedro Miau. Mas ambos fazendo o seu "serviço", no Instituto Millenium, de pregar um modelo excludente de sociedade, mas dentro de pretextos "nobres" como a "liberdade", a "democracia" e os "princípios cristãos".

AS POUCAS EXCEÇÕES NÃO COMPENSAM IMAGEM DO PROGRAMA

Poucas exceções existem entre aqueles que frequentaram o Big Brother Brasil. A atriz da novela Ti Ti Ti, Juliana Alves, a também atriz Grazi Mazzafera e o jornalista Jean Willys - que foi colega meu na UFBA, com o qual tive uma boa amizade - , no entanto, estão longe de serem considerados crias do Big Brother Brasil, como a cantora Roberta Sá está longe de ser uma cria do reality show musical Fama, porque eles já contavam com suas trajetórias profissionais antes de entrarem no BBB. O BBB, para eles, foi apenas um recurso para lhes dar visibilidade, porque seus talentos eles já exerciam em outras atividades.

Mas são apenas exceções, cujo mérito não se empresta ao programa, mas sim a esses poucos iluminados. O programa, aliás, já não mostra mais pessoas assim, apenas celebridades que, após o fim do programa, se limitarão a tão somente aparecer naquilo que o vocabulário de poder da grande mídia chama de "baladas" e que não passam de versões caipiras das raves britânicas de 20 anos atrás.

O BBB 12 ainda está garantido, mas tudo indica que a fórmula irá se desgastar. Seu fôlego começa a cansar, ainda que apareçam manifestações de apoio, como na seção de cartas da Revista da TV, de O Globo, em que uma leitora falou no "direito de curtir o BBB".

Mas o declínio da mediocridade cultural, como um todo, está incomodando quem acredita nesses valores, desesperado no quadro de transformações sociais que vive o nosso país. É um público acostumado pela letargia lúdica dos últimos anos e que vê ruírem seus valores e ícones que, embora retrógrados, pareciam "muito populares".

A realidade, definitivamente, está fora do ar na desgastada grande midia televisiva.

2 comentários:

  1. Se a Rede Globo jogar o duodécimo PiGBROTHER no fundo da lata de lixo, será que esse canal vai "contratar" a dupla mexicana Chaves & Chapolim (criada por Roberto Gomez Bolaños)?

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  2. É até injusto ligar o professor (e agora deputado federal do PSOL-RJ) Jean Willys à futilidade da maioria massacrante dos BBBs e ex-BBBs. Aliás, Jean fez bem em deixar as Organizações Globo, já que depois do BBB enfiaram ele em outra encrenca: o malfadado programa Amigas Invisíveis, nas tardes da Rádio Globo. O extinto programa foi substituído pelo Se Liga Brasil, hoje apresentado pelo veterano Roberto Canázio.

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