sábado, 15 de janeiro de 2011

"SUCESSOS DO POVÃO" SEGUEM IDEOLOGIAS NEOLIBERAIS


AUGUSTE COMTE - Fundador do Positivismo, uma ideologia conservadora que está no DNA do neoliberalismo.

Por Alexandre Figueiredo

Quem diria! Os "sucessos do povão" podem não ter a ver com Che Guevara, Oswald de Andrade, Antônio Conselheiro nem sequer Andy Wahrol, mas está em dia, literalmente, com os ideólogos que estão relacionados com o neoliberalismo.

A analogia dos estilos e eventos dessa suposta "cultura popular" que aparece nas rádios FM e na TV aberta, que lota micaretas, vaquejadas, "bailes funk", galpões "mega shows" e tudo o mais, é de uma exatidão surpreendente.

Isso porque a música brega-popularesca é comercial. É uma "cultura" de mercado. Alimentada pelas oligarquias e pela grande mídia, queiram ou não queiram quem goste dela ou a defenda. E seu sucesso, sempre efetuado e efetivado em contextos sócio-políticos conservadores, se relaciona exatamente aos ideais dos pensadores do neoliberalismo.

Só para citar três pensadores, como Roberto Campos, Auguste Comte e Francis Fukuyama, a analogia surpreende e só os desinformados é que não querem admitir.

Vamos então para os exemplos:

1) MÚSICA BREGA DOS PRIMÓRDIOS - Os primeiros ídolos da música cafona começaram imitando modismos superados como o das serestas, além de absorver de forma retardatária tendências estrangeiras como a música romântica italiana, as orquestras "ligeiras" tipo Mantovani e Ray Conniff, country music dos anos 40-50 e boleros, guarânias e mariachis dos anos 40. A segunda geração de cafonas é retardatária ao movimento da Jovem Guarda ou diluiu de forma bem piegas o samba-rock de Jorge Ben Jor, diuição conhecida como sambão-jóia ou samba-exaltação (em relação à ditadura militar).

Com isso, os ídolos cafonas seguiram literalmente os mesmos princípios defendidos pelo ministro da ditadura militar, Roberto Campos, também economista e pensador neoliberal. Os cafonas se inspiravam em "matéria-prima" obsoleta, ou seja, em modismos superados da cultura de massa, exatamente o equivalente musical da política do ministro Campos. Além disso, Campos queria um desenvolvimento nacional subordinado, daí uma música brega que simulasse uma "brasilidade" sem deixar de se subordinar ao hit-parade estrangeiro.

2) Os cantores de "pagode romântico", "sertanejo" e axé-music, lançados entre 1990 e 1997, depois de vários discos considerados cafonas pela crítica, "aperfeiçoam" seu visual e sua técnica, em CDs bem mixados, apresentações ao vivo superproduzidas, banho de loja, de marketing e de tecnologia que os façam parecer "sofisticados" diante do público.

Esse processo segue exatamente a ideia conservadora de "evolução positivista", dentro de uma perspectiva de "racionalidade político-econômica" defendida pelo seu fundador e maior ideólogo, Auguste Comte. Uma evolução tendenciosa, forçada pelas conveniências.

3) "A história da MPB não é mais a mesma. Os velhos sambistas, os velhos violeiros, os velhos sanfoneiros, o antigo afoxé, a velha nova bossa, não existem mais. Valeu a sua contribuição, eles ficaram para a História, mas hoje a música brasileira é o 'créu', o 'tchan', o 'rebolation', o 'tecnobrega', o 'tchibirabiron', a 'calcinha preta'".

Não é preciso explicar a analogia dessa pregação muito comum entre os intelectuais brasileiros com a tese de "fim da História" do professor Francis Fukuyama", não é mesmo?

Um comentário:

  1. O engraçado é que o positivismo está na raiz de uma das correntes da esquerda brasileira: o trabalhismo de Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola. Mas isso o muito prestigiado blog progressista da gema não vai dizer. Só vale atacar os podres da direita, dos reacionários e dos neoliberais. Os podres da esquerda e dos progressistas a gente esconde.

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