quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

RURALISTAS BAIANOS PROVAM QUE O CARLISMO AINDA NÃO MORREU


NÃO DÁ PARA ENTENDER PORQUE MARCOS MEDRADO ESTÁ NO MESMO PARTIDO DO BRIZOLA NETO, SE O PERFIL IDEOLÓGICO DO BAIANO É EXATAMENTE O OPOSTO.

Por Alexandre Figueiredo

"O carlismo morreu! O carlismo morreu!", comemoraram os oposicionistas baianos quando o senador Antônio Carlos Magalhães faleceu, em 2007. Num entusiasmado precipitado, o refrão dos oposicionistas, no entanto, passou a receber o coro até mesmo de antigos carlistas que se converteram numa pseudo-oposição, numa aparente adesão ao grupo político do governador Jacques Wagner ou do prefeito de Salvador João Henrique Carneiro.

Parece lindo. Mas não é. E não é preciso ser cientista político para dizer que o carlismo ainda não morreu. Como o varguismo não morreu com o falecimento de Getúlio Vargas, foi preciso haver a ditadura militar para banir seu herdeiro político, João Goulart, do poder, e os únicos vestígios do varguismo foram extintos pelas canetas de Fernando Henrique Cardoso e sua equipe.

Antônio Carlos Magalhães tornou-se, na Bahia, a paródia udenista de Getúlio Vargas. ACM criou seu "Estado Novo", enchendo os cofres dos barões da axé-music - os donos dos blocos do Carnaval baiano, que há muito perdeu a espontaneidade popular - e criando uma base de apoio às custas de filhotes políticos.

Filhotes políticos ACM teve muitos. Seu filho, ACM Jr., apesar do nome, não é dos mais representativos. Um desses afilhados, Cleriston Andrade, morreu num desastre aéreo em 1982. Depois ACM apadrinhou João Durval Carneiro, pai do prefeito soteropolitano João Henrique. E já tinha como afilhado o hoje dublê de radiojornalista Mário Kertèsz, o "Paulo Maluf baiano", que seduziu até a dupla Emiliano José e Oldack Miranda até "fritar" os dois esquerdistas no ar, na Rádio Metrópole, transmitida em toda a Bahia.

Aliás o próprio rádio baiano tornou-se um grande latifúndio que investiu no crescimento e na hegemonia do brega-popularesco local. A axé-music criou um império regional que impedia que outras tendências culturais (sobretudo autenticamente culturais) entrassem na Bahia, a não ser que sejam cooptadas pelos próprios axezeiros.

A coisa ficou tão dominante que a axé-music, na Bahia, virou música de elite - enquanto no resto do país ela se dirige "à ralé" - , enquanto estilos como o porno-pagode (hoje representado por grupos como Psirico, Parangolé e Pagodart) e o arrocha promovem, literalmente, a idiotização do povo pobre, para facilitar o já rigoroso controle social das elites baianas sobre o povo da periferia.

Enquanto alguns cronistas mais ingênuos atribuem a máquina carlista tão somente à Rede Bahia (que estabelece parceria com as Organizações Globo, depois que Roberto Marinho retribuiu ACM por favores envolvendo a NEC, nos anos 80), ela se estende a quase toda a mídia baiana, sem excluir a "independente" família Rebouças, que faz a franquia local do Grupo Bandeirantes de Comunicação.

O rádio baiano é tomado pelos "coronéis" eletrônicos: Mário Kertèsz, Marcos Medrado, Cristóvão Ferreira Jr., Pedro Irujo e similares. Todos fazendo beicinho, dizendo que não são carlistas, que são "progressistas" etc. No caso de Kertész, aliás, tem um agravante: a opinião pública chegou a se tornar refém do corrupto "radialista", seduzida pelo seu tendenciosismo. Em nome da visibilidade, aceitou-se a influência nefasta da Rádio Metrópole, uma mídia golpista que brincava de ser "progressista" com seus clichês. Por pouco, Emiliano José quase deixou de ser uma espécie de Altamiro Borges baiano, por ter acreditado em Kertèsz e no seu denuncismo de proveta.

Pois esses políticos, agora "livres" da paternidade carlista, no entanto não deixaram de seguir as lições do "painho". Todos eles, sejam os "coronéis" eletrônicos, sejam os empresários da axé-music, sejam outras elites envolvidas, todos eles estão do lado das causas conservadoras, em muitos casos deixando boquiabertos até mesmo o PSDB paulista, já conhecido por nós pelo seu notório ultraconservadorismo, agora sob o comando do cavaleiro do Opus Dei, Geraldo Alckmin.

O quadro político da Bahia, e de Salvador em particular, ainda mostrará muitas e terríveis surpresas. Como houve, em 2008, o surto ultrareacionário de Kertèsz depois deste astro-rei da Rádio Metrópole ter posado de pseudo-petista e pseudo-intelectual (ele tem que se consolar, tão somente, em ser um sósia matuto e incompetente do beatnik Allen Ginberg quando idoso e de ter o mesmo sobrenome do prêmio Nobel Imre Kertèsz), de assustar até mesmo os ranzinzas colonistas de Veja.

Nunca se sabe quando haverá algum novo "grande coronel" baiano. Mas é provável que haja. O conservadorismo baiano não foi superado e a bancada baiana, cuja lista foi selecionada abaixo a partir de uma lista maior divulgada pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, mostra o quanto a herança do carlismo continua forte, não bastasse a marca que a trajetória de ACM deixou na sociedade baiana, depois de mais de 40 anos de poderio político.

Portanto, é muito ingênuo dizer que o carlismo morreu, se os vestígios do carlismo continuam muito, muito fortes. Até mesmo a axé-music, que agora se diz "não-carlista", "anti-indústria" e "anti-mídia", enquanto é óbvia a sua ligação com a Rede Globo, com as multinacionais e sobretudo com o "painho".

E, pior: se a axé-music virou "mania nacional", foi graças à aliança do "Toninho Malvadeza" com Fernando Henrique Cardoso, e se a axé-music conseguiu penetrar até no Sul do país, foi pelo apoio dos barões sulistas da Rede Brasil Sul (RBS), que recentemente demitiu o elitista doentio Luiz Carlos Prates.

A lista abaixo mostra os políticos baianos do Congresso Nacional que, compondo a bancada ruralista, defendem os interesses dos grandes proprietários de terras, em detrimento das classes trabalhadoras rurais do nosso país.

DEPUTADOS FEDERAIS

Antonio Imbassahy (PSDB/BA)
Arthur Maia (PMDB/BA)
Fábio Souto (DEM/BA)
Felix Jr. (PDT/BA)
Fernando Torres (DEM/BA)
João Carlos Bacelar (PR/BA)
José Carlos Araújo (PDT/BA)
José Nunes (DEM/BA)
José Rocha (DEM/BA)
Lúcio Vieira Lima (PMDB/BA)
Luiz Argôlo (PP/BA)
Marcos Medrado (PDT/BA)
Mário Negromonte (PP/BA)
Oziel Oliveira (PDT/BA)
Paulo Magalhães (DEM/BA)
Roberto Britto (PP/BA)
Sérgio Brito (PSC/BA)

SENADOR

João Durval (PDT/BA)

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