terça-feira, 11 de janeiro de 2011

POLITICAMENTE CORRETO ESTRAGA NOSSO PAÍS


NINGUÉM TEM CORAGEM DE ANALISAR OBJETIVAMENTE O CASAMENTO À-LA SÉCULO XIX DE MARCELA E MICHEL TEMER.

Por Alexandre Figueiredo

Que ideia do Brasil adotar, na década passada, uma forma tardia do politicamente correto que marcou os anos Reagan nos EUA.

Afinal, o que é mesmo politicamente correto? Tem a ver com ecologia? Tem a ver com gentileza? Nada disso.

Muita gente fica cheia de dedos, e por isso não é capaz de adotar uma postura crítica em relação à sociedade em volta. Medo de desagradar, medo de ofender ou mesmo de criar um clima de saia justa.

Isso em parte de uns. Porque, em parte de outros, o senso crítico desperta o extremo oposto, que é uma fúria reacionária que desmascara muitos internautas "moderninhos", cujos preconceitos adormecidos num falso coleguismo vêm à tona por debaixo de suas tatuagens, gírias e piercings.

O politicamente correto, para quem não sabe, é um fenômeno sócio-cultural lançado pelos EUA da Era Reagan. Sabe-se que Reagan se refere a um antigo ator de Hollywood, Ronald Reagan, que se tornou figurão de direita, falou mal da Contracultura dos anos 60 e foi presidente dos EUA por dois mandatos. Se entrosava perfeitamente com a primeira-ministra britânica Margareth Thatcher, a "dama de ferro", devido ao conservadorismo afim.

A postura politicamente correta se define mais ou menos assim. Era uma postura tendenciosamente progressista, tendenciosamente perfeita, manifesta por uma personalidade ao mesmo tempo asséptica e "tudo de bom". De repente, quem não entendia de meio ambiente se passava por defensor da ecologia. Mas não era só isso, não. Havia opiniões pedantes sobre política, ou então um sentimento falsamente humanitário, falsamente politizado, falsamente filantrópico. Tudo para tentar agradar outrem ou, pelo menos, para evitar desagradá-lo.

Nem o politicamente incorreto da década seguinte, ou seja, a de 1990, deixou de ser politicamente correto. Era apenas a outra face da mesma moeda, manifesta ora pelo poser metal, ora pelo grunge, ou então por atitudes bastante discutíveis como o culto a psicopatas feito pelos jovens estadunidenses de então. Um astral que em nada adiantou, não ficou mais humano, e além disso influenciou crianças a cometerem chacinas em escolas, como o famoso atentado em Columbine, em 1994, devidamente documentado por Michael Moore.

O politicamente correto no Brasil tem um quê da filantropia postiça da Rede Globo ou do intelectualismo de cera da Folha de São Paulo. Aparentemente, isso não surpreende, mas o problema é que essa pedagogia midiática envolve até mesmo parte do público ou mesmo de alguns blogueiros "progressistas" menos cotados.

É a mania de ser melindroso, obediente à grande mídia, ao status quo sócio, político e midiático, por mais que, por mera formalidade, tais pessoas digam "odiar" a mídia golpista e sonhar com um Brasil mais socialista.

Afinal, muitos falam mal do Domingão do Faustão, mas parecem competir com o próprio apresentador na pronúncia da gíria "galera". Muitos nunca viram a periferia pessoalmente, mas de repente falam em defesa do povo pobre. Muitos se dizem marxistas, mas adotam ideias e procedimentos típicos do mais convicto neoliberal.

O caso Marcela Temer foi mais um caso do melindre politicamente correto manifesto na Internet. Recusou-se a falar num fenômeno machista do homem mais velho e poderoso, por puro medo infantil. E falava-se de um feminismo que ninguém explicava onde estava no caso do casal Temer, que expressa um modelo de casamento típico do século XIX. Um "casamento por conveniência", bem ao gosto das tradicionais oligarquias, dizendo-se com exatidão.

Falou-se até na velha choradeira do "preconceito", no caso contra um idoso "em busca do prazer da vida" como Michel Temer, ou da postura ao mesmo tempo subordinada e chamativa de sua jovem esposa. E houve quem falasse em "romper com os estereótipos" do machismo e de qualquer outro conceito conservador.

Aliás, a palavra "preconceito" é o verbete preferido do politicamente correto brasileiro. Cria uma choradeira comparável ao da mais piegas novela mexicana. A "cultura popular" do brega-popularesco se valeu muito disso, mas a aparente solidariedade ao povo pobre, no fundo, está mais próxima daquele velho medo dos escravistas do século XIX - mais uma vez o século XIX! - de eclosão de uma revolta popular.

Afinal, a classe média, em sinal de alarme, manifestou-se a preferência de ver um povo pobre domesticado, transformado em inofensivo e patético pela mídia golpista, indo que nem gado para os galpões que se chamam de "casas de espetáculos" dos subúrbios, para consumir os "sucessos do povão".

A passeata dos sem-terra e dos sem-teto apavoram a classe média, como os demais protestos do povo pobre, por mais pacíficos que sejam. Por isso a preferência de ver os pobres domesticados, fazendo o "tchan", o "créu", o "rebolation", o "tecnobrega" etc.

Por isso, muitos preconceitos são servidos cobertos de chantili e caramelo, dentro de alegações "gentis" que se passam por "progressistas". A permissividade é "democrática", até que os abusos causem danos nas portas de nossas casas.

O politicamente correto - e seu subproduto, o "politicamente incorreto" - fracassaram porque o perfeccionismo tendencioso dos primeiros e a auto-esculhambação mórbida dos segundos não trouxeram benefícios sociais. Pelo contrário, trouxe chacinas cometidas por crianças ou por antigos combatentes militares dotados de neurose de guerra, e trouxe uma banalização grotesca do rebelde estadunidense, através do rótulo "alternativo" que de alternativo só tem o nome. Até os Backstreet Boys surgiram com visual grunge, só para se ter uma ideia, e qualquer pestinha fazia air guitar ao som de "Born To Be Wild", do Steppenwolf.

No Brasil, o politicamente correto mascara a vulgaridade das boazudas num falso feminismo, a cafonice dos brega-popularescos num pretenso folclore "pop", e faz pessoas fascistas parecerem humanistas, com um discurso melífluo que, na aparência, parece um arremedo de filantropia e ativismo humanitário, mas na essência esconde métodos e princípios fascistas.

Por isso o politicamente correto quase destruiu os EUA e hoje quer estragar o país. É preciso que o politicamente correto seja desmascarado, não como uma "inofensiva obsessão ecológica" que certos noticiários retardados fazem. A coisa é muito mais grave do que se pensa.

Isso porque o politicamente correto é a ideologia do mascaramento ideológico, que transforma pessoas retrógradas em falsos progressistas, enganando a multidão até que os politicamente corretos mostrem suas verdadeiras posturas. É preciso questioná-los, antes que seja tarde demais.

2 comentários:

  1. E onde fica o filme Borat nessa história toda?

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  2. Falaram tanto na "felicidade" do velho Temer, se esquecendo de perguntar se a Marcela estava feliz com o casamento.

    Mas:
    - primeiro, felicidade para a maioria das pessoas é acúmulo de riqueza. Se ela tem luxo e dinheiro a disposição, mesmo que perca a honra e a juventude, ela "é feliz".

    - segundo, mulher é objeto e objeto não fala e não tem felicidade. É como um carro novo que Temer comprou para juntar a seu patrimônio.

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