sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

OS MUITOS FILHOS DE SEU JOE



E evidente que esse "sertanejo" que aparece nas rádios FM "do povão", mas controladas por oligarquias regionais ou politiquinhos de província, representa em parte a visão da direita sobre "cultura popular".

Falaram que Zezé Di Camargo & Luciano votaram em Lula, mas se esqueceram que votaram também no "coronel" Ronaldo Caiado.

Se esqueceram que Zezé participou depois do movimento Cansei, enquanto o irmão, por cautela, se omitiu da iniciativa.

A dupla vendia a imagem de humanista, mas muitos fãs e defensores dos dois astros do brega-popularesco eram, na verdade, adeptos do senador Joseph McCarthy e não sabiam.

Pois nas "redes sociais", muitos playboys de rodeio perseguiram quem participasse das comunidades contra a dupla para dirigir comentários ofensivos contra quem não fosse obrigado a gostar da banda.

Mas isso vale uma ressalva, pois o próprio Zezé, pelo menos, afirmou que nunca obrigou qualquer um a gostar da música dele e do seu irmão.

Mas os neo-macartistas verde-amarelos, espécie de Comando de Caça aos Comunistas com sotaque da Jovem Pan 2, desta vez não seguiram o conselho do seu mestre e saíam à cata de detratores para comentários ofensivos, seja na página de recados da vítima no Orkut, seja nos comentários agressivos nos blogs ou nas mensagens dos reaças nos fóruns de Internet.

Pois no Orkut houve comentários do tipo "ah, vc eh qm odeia zeze di camargo e luciano? vc naum sabe q a dupla eh a maior do pais seu b...", entre outras coisas parecidas.

Sem falar que sempre aparece um pentelho para patrulhar quem questione a pretensa unanimidade de cada ídolo popularesco, principalmente os todo-protegidos da Rede Globo de Televisão, da Caras, da Folha de São Paulo e do latifúndio, como a citada dupla, mais Ivete Sangalo, Cláudia Leitte, Exaltasamba, Alexandre Pires, Chitãozinho & Xororó e outros.

O fanatismo desses ícones da mediocridade musical brasileira mostra o que é mais do que óbvio: a mediocridade triunfante gera fanatismo, gera intolerância. Quem se ascende sem muito esforço (sim, a grande mídia é um pistolão e tanto) gera reações agressivas quando seu sucesso é contestado.

Esses nomes, durante muitos anos, barraram o acesso de uma nova MPB que luta para ter um espaço, não com falsos sorrisos e uma postura asséptica e "tudo de bom", mas com produção de arte, de conhecimento, de valores sociais.

Porque o PiG não quer um novo Chico Buarque saído das universidades. Quer um Vítor & Léo, totalmente carneirinhos. O PiG não quer uma nova Elis Regina, quer uma Ivete Sangalo. O PiG não quer um novo Cartola, quer um Alexandre Pires. O PiG financia a intelectualidade para defender o brega-popularesco, fazendo gol contra no time adversário.

A juventude reaça que defende o entretenimento superficial, vulgar, piegas e alienante, esse Comando de Caça aos Comunistas de tatuagem, pi
piercings
, palavrão e internetês, ainda tem o descaramento de usar camisetas de Che Guevara, para nos enganar.

Mentira. Seus ídolos são Cabo Anselmo, o senador norte-americano Joseph McCarthy, a "galera" do CCC, a equipe de Veja, o Otávio Frias Filho, o Merval Pereira e até o Carlos Alberto Di Franco.

Alguns desses jovens até mandam mensagens em blogs progressistas, geralmente com alcunhas de uma palavra só, para "espinafrar" o PiG, para depois mandarem e-mails à Folha de São Paulo e ao Globo.Com denunciando o que os esquerdistas andam escrevendo na rede.

É por isso que uma dupla breganeja não conseguiu se tornar um grande nome da música, nem mesmo com cinebiografia. Apenas se tornaram celebridades, além de ícones do entretenimento musical brasileiro. Só isso.

E se a reação furiosa de seus defensores a qualquer contestação deste e de outros ídolos musicais parecia proteger o sucesso dos mesmos, isso deu em efeito contrário.

Como foi o patrulhamento do titio McCarthy.

Ele agiu com tanta fúria em defesa do neoliberalismo estadunidense, perseguindo quem pensasse diferente dele e de seus asseclas, que a coisa repercutiu mal contra ele e o senador-mor do macartismo simplesmente caiu em descrédito, adoeceu e morreu em 1957, com apenas 49 aninhos.

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