terça-feira, 25 de janeiro de 2011

GRANDE MÍDIA QUER POVO FORA DO DEBATE PÚBLICO


O RECREIO POPULARESCO TEM POR FIM SILENCIAR E CONTROLAR O POVO DAS PERIFERIAS E ZONAS RURAIS.

Por Alexandre Figueiredo

Por que existe essa pseudo-cultura que é o brega-popularesco, a suposta "cultura popular" que domina nos rádios e TVs?

Só os preconceitos de parte da classe média alta, mesmo quando vários de seus porta-vozes se autoproclamam "sem preconceitos", acham que essa pseudo-cultura é a "verdadeira expressão das periferias".

Ou então estão mentindo, tudo para manter o esquema de controle social que rádios FM locais e emissoras de TV aberta, mais as revistas fofoqueiras e os jornais policialescos, todos a serviço das oligarquias regionais (não menos influentes no poderio elitista que as oligarquias de caráter nacional situadas em São Paulo).

A retórica tem muitos malabarismos, e o que se vê é gente defendendo ideias retrógradas sob o verniz do "progressismo", numa manobra bem mais sutil que se vê quando a grande imprensa fala em "democracia" e "liberdade".

Essa é a tônica de muitos que defendem essa "cultura popular" de proveta, higienizada o máximo possível para transformar o povo pobre numa massa ao mesmo tempo infantilizada e alienada.

"IPES" MODERNO

Essa retórica foi bombardeada em tudo quanto é mídia, da Folha de São Paulo aos fóruns da Internet, de gente como Hermano Vianna até o "anônimo" internauta reacionário que dispara desaforos no Twitter, Orkut e similares.

A frequência é de um verdadeiro "IPES" moderno, destinado a, se não freiar os progressos sócio-econômicos que fizeram parte dos pobres consistirem numa nova classe média, pelo menos tentar domesticá-lo culturalmente.

O objetivo não é outro senão deixar o povo imobilizado, mesmo dentro de um cenário político progressista.

Afinal, temos um cenário político progressista, mas não nos esqueçamos que temos uma estrutura de mídia ainda conservadora, e isso inclui praticamente todo o setor de entretenimento a ela vinculado, mesmo de forma enrustida, não assumida.

A esse esquema midiático conservador se inserem internautas que apoiam, mesmo de forma disfarçada, todo esse esquema conservador de mídia. E que transmitem todo seu reacionarismo a quem contestar qualquer aspecto dessa pseudo-cultura.

RETÓRICA INVERTIDA

Tentando enganar as pessoas, toda essa campanha para "legitimar" a pseudo-cultura como se fosse a "cultura definitiva do povo brasileiro" apela para todo um repertório esquizofrênico, que se baseia na inversão de abordagens, tentando servir a cicuta ideológica como se fosse um delicioso xarope de groselha.

Dessa maneira, vendem o machismo pornográfico das popozudas como se fosse "feminismo". Vendem a cafonice latifundiária como se fosse "a música do povo pobre". Promovem fenômenos conservadores como se fossem "vanguardistas". Vendem o lixo como se fosse o luxo.

É esse discurso, que parece doce feito mel, que expressa um paternalismo hipócrita e muito mal dissimulado. Em nome de uma falsa solidariedade ao povo pobre, defendem tão somente tendências da "cultura de massa", claramente fundamentadas na domesticação desse mesmo povo.

A intenção, a cada argumento feito, se esclarece. Intenções fascistas florescem em pretextos politicamente corretos. Da retórica solidariedade, expressa-se, na essência, um discurso fascista, anti-social, que desperta o temor das elites quanto ao risco das verdadeiras manifestações populares, tais quais ocorrem nos Andes, em Tel-Aviv, em Davos ou no Bronx, por exemplo.

Por isso essa retórica tenta creditar como "movimento social" um inocente e submisso processo de jovens se dirigirem, tal qual um gado disperso, para a casa noturna do subúrbio para consumir os "sucessos do povão" que a rádio FM de maior audiência, quase sempre controlada por um "coronel" ou por seu "laranja", está tocando.

Tentam se passar por bonzinhos, dizendo que "o povo está feliz", "é isso que a maioria do povo gosta", "é isso o que o povo sabe fazer", argumentos que parecem dóceis, mas são estes que, na verdade, expressam um verdadeiro preconceito contra os pobres.

"POVO BURRO": É O QUE OS DEFENSORES DO BREGA-POPULARESCO QUEREM

Por isso os defensores dessa pseudo-cultura brega-popularesca não escondem seus desejos de ver o povo pobre calado, submisso, infantilizado até ao nível mais pateta, consumindo uma "cultura" baseada na mediocridade.

Esses defensores da mediocridade cultural querem ver o povo pobre fora do debate público. Querem que o povo pobre seja burro e acham que "assim o povo fica mais povo". Tentam desculpar que isso é uma "nova forma de inteligência", mas no decorrer do caminho em nada eles conseguem convencer.

Dessa forma, vemos essas elites e seus internautas serem desmascarados, dia após dia, porque eles até aceitam que o Brasil se progrida política e economicamente, com garantia relativa da soberania política e da democracia. Desde que o povo pobre esteja fora de qualquer participação social e que tenha que aceitar que as coisas se resolvam de cima para baixo.

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