quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

DOMINGÃO DO FAUSTÃO: TEMPLO DOS BREGAS-POPULARESCOS EM CRISE


BANDA DOMINGÃO - Demissão de conjunto de apoio de Fausto Silva é reflexo da crise vivida pela Rede Globo.

Por Alexandre Figueiredo

Altamiro Borges, Paulo Henrique Amorim e Rodrigo Vianna já falam sobre os vários aspectos da decadência da Rede Globo de Televisão. Quedas históricas de audiência de programas como Fantástico e até mesmo o Jornal Nacional, a decadência do Casseta & Planeta e, também, a crise que ronda o Domingão do Faustão.

O programa dominical apresentado por Fausto Silva já demitiu a banda de apoio, conhecida como Banda Domingão e comandada pelo tecladista Luiz Schiavon. O fim da banda do programa permitiu que o tecladista estivesse disponível para a hoje anunciada volta do RPM, banda de rock que fez muito sucesso nos anos 80.

Mas a crise reflete também no mercado de brega-popularesco, a pretensa "música popular" que rola nas rádios FM "do povão" e cuja problemática não é devidamente vista por boa parte de nossos intelectuais (com nível de desconfiômetro muito abaixo, se comparado com o padrão médio da intelectualidade do Primeiro Mundo).

Afinal, o Domingão do Faustão, até pouco tempo atrás, era o Olimpo dos ídolos bregas e neo-bregas em busca de um lugar ao sol do mercado. Houve um tempo em que todos eles faziam rodízio todo domingo. Num domingo era Alexandre Pires. Noutro, Zezé Di Camargo & Luciano. Noutro, Cláudia Leitte. E, depois, Calcinha Preta, Banda Calypso, Leonardo, Belo, Daniel, Ivete Sangalo, Vítor & Léo, Parangolé, Gaby Amarantos e outros ícones da Música do PiG Brasileira.

Hoje a crise do programa de Fausto Silva - que, em pouco mais de 20 anos de existência, eliminou a antiga aura cult do apresentador, marcada pelo Perdidos da Noite - faz os executivos da Rede Globo arrancarem os cabelos, porque seu reduto maior de entretenimento é referência oficial para a dita "cultura popular" que alimenta o mercado e é empurrada para as populações pobres e de classe média baixa de todo o país consumirem.

Mas, o que é pior, o próprio mercado da Música de Cabresto Brasileira entra em pânico, porque nos últimos anos seus ídolos, em pleno auge da carreira, apelaram para lorotas do tipo "vítimas de preconceitos" e não convenceram, e agora estão com medo do Domingão do Faustão, pela associação inevitável com a grande mídia conservadora.

Daí que é risível que os antigos queridinhos da Rede Globo mendiguem espaço na Rede Record e posem de "discriminados pela mídia". Quanta hipocrisia. Todos eles estavam felizes diante do Fausto Silva, se sentindo no paraíso mais pleno, e hoje se envergonham disso. Investiram muito jabaculê nas FMs e na TV aberta, mas hoje juram que só fizeram sucesso por causa das redes sociais da Internet.

Ou seja, soa ridículo que ídolos da música cafona - pouco importa se vários deles parecem "modernos" e "sofisticados" hoje e seus estilos bregas são fantasiados de "samba", "música caipira" ou "afoxé" etc - que devem boa parte de seu sucesso nacional à Rede Globo e ao restante da mídia conservadora, hoje renegarem tudo isso e dizerem que só fizeram sucesso na Internet. Até mesmo aqueles ídolos que surgiram antes de qualquer espectro de Internet nos computadores brasileiros.

Soa uma ingratidão, mas soa também como outra crise. Afinal, os ídolos que, graças à Rede Globo, lotaram vaquejadas, micaretas, "bailes funk" e por aí vai não podem afirmar agora que "estão fora da mídia", que são "alternativos", que agora são o oposto da mesma mídia que os acolheu e os fez virarem sucesso nacional. Isso é uma incoerência.

Mas seu caráter de crise também se afirma porque, com a própria crise da mídia, sua trilha sonora está ameaçada. Sobretudo, sem poder aparecer, pelo menos com a frequência de antes, na sua principal arena nacional, o Domingão do Faustão.

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