segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A DESCONSTRUÇÃO DE JOSÉ SERRA


MUI AMIGOS - Geraldo Alckmin, que governa São Paulo com as bênçãos da Opus Dei, decidiu rever contratos feitos durante o governo José Serra.

Por Alexandre Figueiredo

A derrota de José Serra desanimou a direita brasileira. Tanto que agora os próprios direitistas querem descontruir a imagem do ex-presidenciável, demonstrando um certo arrependimento de ter escolhido o economista e ex-líder estudantil para a candidatura à presidência da República.

Afinal, o PSDB se tornou mais DEM do que o próprio DEM. Já não é mais o PSDB clássico de André Franco Montoro e Mário Covas, que pelo menos dava um tom humanista à democracia liberal proposta pelo partido, que, em relação ao que era hoje, estava quase próximo à centro-esquerda.

As trapalhadas de José Serra no PSDB causaram o mesmo incômodo que o reacionarismo mal-humorado de Marcelo Madureira causou no Casseta & Planeta Urgente, que se desgastou num humorismo direitista e popularesco.

O que se nota, com a ressaca eleitoral, é que José Serra se tornou, ele mesmo, uma presença incômoda no próprio PSDB. Ou melhor, virou um pé-frio para o partido. E também para a mídia a ele associada.

Nota-se que as últimas reportagens da Folha de São Paulo já são menos generosas ao ex-governador e ex-presidenciável. Há denúncias até de aumento de gastos na gestão Serra. De repente, José Serra - apelidado "carinhosamente" por Paulo Henrique Amorim de Padim Padre Cerra - tornou-se persona non grata até para o PiG.

É claro que, mesmo na direita, certas posições causam incômodos. A própria arrogância de Serra, durante a campanha, havia se voltado até mesmo contra jornalistas conservadores como Miriam Leitão e Heródoto Barbeiro, pessoas que já fizeram palestras no Instituto Millenium.

O mau humor de Serra - assim como o de Marcelo Madureira - voltou-se não apenas contra jornalistas de centro ou de esquerda, mas também de direita, o que demonstrou que o problema estava no próprio candidato, intolerante e pouco habilidoso para enfrentar perguntas mais sutis ou desafiadoras.

Com isso, Serra fez má campanha, e até a direita teve que admitir isso. Mas seus aliados, aparentemente, não expressam ruptura com o ex-presidenciável nem demonstram claramente qualquer conflito contra ele.

Mas existe um clima de desconforto. Isso existe. Seja entre Serra e Geraldo Alckmin, ou entre o ex-presidenciável e Aécio Neves (na prática, um político do PMDB dentro do PSDB mineiro e menos tucano até do que o "petista" profeçor Eugênio Arantes Raggi), com quem cogitou-se formar uma "chapa puro sangue", mas Aécio recusou-se a ser um mero candidato a vice, fracassando o acordo "café-com-leite" tucano.

Certamente, o PSDB não voltará aos tempos de liberalsmo humanista, à conduta light de Mário Covas e Franco Montoro, há um bom tempo falecidos. O PSDB de hoje é um clubinho de direitistas ranzinzas, uns talvez mais ranzinzas do que os outros, e dificilmente o partido deixará de ter Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin e José Serra entre seus principais astros.

Portanto, a tão anunciada "refundação" do partido não é mais do que uma piada publicitária. O PSDB, quando muito, só recuará aos primeiros meses do primeiro governo de Fernando Henrique, quando seu neoliberalismo era uma grande novidade, a começar pela moeda adotada, o Real, numa mal-disfarçada homenagem ao Império brasileiro e à monarquia portuguesa.

Além do mais, o direitismo do atual PSDB deixou até mesmo os aliados do DEM boquiabertos. Afinal, a dupla PSDB/PFL (PFL era o nome anterior do DEM) sempre era marcada por um direitismo comedido do primeiro e o direitismo grotesco do segundo, mas, na medida em que o PSDB queria competir em conduta com o DEM, praticamente numa confusão ideológica que gerou o termo "demotucano", o que sugeria uma fusão programática dos dois partidos, os "demos" passaram a ser coadjuvantes do jogo político direitista.

O DEM não gostou de ter sido passado para trás pelo PSDB, e ainda se sentiu desprotegido diante do caso José Roberto Arruda. Fala-se na debandada do DEM (ou talvez, de uma parte dele) para o PMDB, numa possível fusão. E ACM Neto se comportou de forma educada diante da etapa da posse de Dilma Rousseff no Congresso Nacional.

Um comentário:

  1. importante o blog dar informações políticas.
    mais achei meio subjetivo acusa serra e o PSDB dew direitista mais não da informações o por que.

    a um preconceito com o DEM por causa da ditadura mais e bom lembrar que se não fosse uma ditadura direitista seria uma esquerdista. e vendo esses anos de governo petista falo que a ditadura esquerdista seria muito pior que que de direita.
    mesmo em um estado democrático o pt não aceita criticas.

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