domingo, 31 de outubro de 2010

ACERTO DE CONTAS



As eleições acabaram. É hora dos tucanos acertarem as contas com o PiG, pelo fracasso da propaganda informal da grande mídia.

DILMA ROUSSEFF É A PRIMEIRA MULHER PRESIDENTE DO BRASIL



Por Alexandre Figueiredo

Foi anunciada a vitória, por antecipação, da candidata à presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, que se tornará a primeira mulher a ser presidente do Brasil, no começo do próximo ano.

A contagem, ainda em andamento, apontou margem de votos em 55,59% para Dilma, contra 44,41% para José Serra. O que indica que é difícil Serra fazer uma virada na porcentagem de votos. Os dados, colhidos há poucos minutos, foram divulgados pelo portal R7.

Com isso, a aliança de centro-esquerda mantém-se no poder, e o caminho traçado por Luís Inácio Lula da Silva, que contribuiu para a recuperação do país, terá continuidade com sua sucessora.

MEU VOTO VAI PARA DILMA



Por Alexandre Figueiredo

Não sou petista de carteirinha. Sou esquerdista, mas vejo os partidos de esquerda de forma crítica, afinal é muito complicado ser de esquerda num país constitucionalmente reconhecido como capitalista, que é o Brasil.

Quase não ia votar em Dilma, mas decidi votar. Por exemplo, ainda continuo vendo com estranheza a inclusão de Michel Temer como vice de Dilma. Mas, vá lá, ainda que continue discordando.

Votei no primeiro turno e votarei no segundo. Farei meu voto crítico, mas é inegável também que reconheço no governo Lula seus grandes méritos.

Lula não fez um governo revolucionário, mas fez um governo reformista de oito anos. Fortaleceu a economia nacional, de fato. Fez o Brasil tornar-se confiável diante das autoridades internacionais. Influenciou na consolidação do Mercosul, diminuiu as desigualdades sociais.

É claro que, perto do que João Goulart prometia fazer em 1964, Lula fez um governo moderado. Mas, de fato, o governo Lula, mesmo com seus descaminhos e mesmo com o preço de uma gigantesca base de apoio, nem sempre confiável - um Marcos Valério ou Valdomiro Diniz apareceram para estragar a festa, fora os apoios oportunistas de Maluf, Sarney e Collor - , conseguiu avançar diante do retrocesso do governo FHC.

Os oito anos do governo FHC foram apenas bem sucedidos na política financeira. Mas até a estabilidade da moda se deu mais para conquistar a confiança dos investidores do que para favorecer a sociedade, já que a Era FHC não se voltava para os interesses sociais, pela razão ideológica do neoliberalismo adotado pelo PSDB pós-Montoro e pós-Covas.

O governo Lula representou, portanto, inegáveis avanços no plano social. Eu, pessoalmente, acho discutíveis medidas como Bolsa Família e cotas para universidades, porque são paliativos. Mas, como medidas emergenciais, fazem sentido. Pelo menos, outras medidas que permitam reduzir o analfabetismo e a miséria também estão sendo feitas.

Pode não ser um governo perfeito, o de Lula, assim como o PT pode não ser o partido dos sonhos do nosso Brasil. Tanto que o Partido dos Trabalhadores, nos seus 30 anos, tornou-se uma grande Torre de Babel em que os vários grupos fundadores nem sempre se entendiam, e que, ao longo dos anos, partiram para dissidências diversas através de novos partidos.

No entanto, qual é a outra alternativa viável, dentro das condições legais e sociais de nosso país? Temos que avançar em alguma coisa, seguir um caminho. O PT demonstrou, mesmo com suas imperfeições, que oferece esse caminho, rompendo com 38 anos de governos pós-udenistas, de Castelo Branco a Fernando Henrique Cardoso.

Prefiro ser esquerdista. Ser ideologicamente neutro, querendo ser cético em tudo, duvidando até do inocente pássaro joão-de-barro construindo sua casinha. Acredito nos movimentos sociais, na legitimidade da UNE, do MST, do PNDH-3, etc. Tenho uma visão crítica, afinal ninguém é santo. Mas qualquer coisa que é feita para acertar e para atender aos interesses públicos autênticos, é sempre benvinda.

Por isso, pode ser que eu não queira o Brasil governado pelo PT a vida toda. Mas o momento é de continuar o caminho do progresso, através de Dilma Rousseff. Meu voto é crítico, mas voto com fé no Brasil.

sábado, 30 de outubro de 2010

JORNALISTA É DEMITIDO POR FAZER MATÉRIA SOBRE MARXISMO


COMENTÁRIO DESTE BLOG: A arbitrariedade da velha grande imprensa não perdoa quem faz um inocente trabalho de memória histórica. O jornalista Dalwton Moura (o texto escreve Dawton) foi demitido pela cúpula do Diário do Nordeste, de Fortaleza, apenas porque escreveu uma grande reportagem citando as revoluções marxistas que marcaram os séculos XIX e XX. Depois é essa imprensa que clama pela "liberdade de expressão" e pelo "direito à informação".

Em tempo: o jornal Diário do Nordeste tem seu site hospedado pelo portal Globo.Com, o que diz muito.

Jornalista é demitido por fazer matéria sobre marxismo

Do Sindicato dos Jornalistas do Ceará - Agência Carta Maior

No momento em que a grande mídia distorce e critica o projeto de indicação aprovado na Assembleia Legislativa do Ceará, que propõe a criação do Conselho Estadual de Comunicação - sob a alegação de que vai "cercear a liberdade de expressão" -, o jornal Diário do Nordeste demitiu de forma arbitrária, no último dia 18 de outubro, o jornalista Dawton Moura, por ter escrito e editado matéria no Caderno 3 sobre as revoluções marxistas que marcaram os séculos XIX e XX.

O caderno especial, de seis páginas, foi considerado pela direção da empresa "panfletário" e "subversivo", além de "inoportuno ao momento atual". Tendo, entre outras fontes, o filósofo Michael Löwi, que estaria em Fortaleza para lançar o livro "Revoluções" (com imagens que marcaram os movimentos contestatórios decisivos para a história dos últimos dois séculos), a matéria foi pautada pelo editor-chefe do jornal, Ildefonso Rodrigues, tendo sido sugerida pela historiadora e professora Adelaide Gonçalves, da Universidade Federal do Ceará (UFC). No entanto, ao comunicar a demissão do jornalista, o editor-chefe se limitou a dizer que "não sabia o conteúdo da reportagem até vê-la publicada".

O caso do jornalista Dawton Moura não se trata de demissão por delito de opinião, pois ele não emitiu, em qualquer momento, juízo de valor sobre o conteúdo da pauta. Perdeu o emprego muito menos por incompetência ou negligência na sua função. Ironicamente, o trabalhador foi dispensado simplesmente por cumprir uma pauta que, depois de publicada, percebeu-se ser contra os interesses da empresa. A direção do jornal não pode alegar, no entanto, que desconhecia o conteúdo da matéria, pois além de ter sido pautado pelo editor-chefe, o assunto foi relatado em, pelo menos, quatro reuniões de pauta que antecederam sua publicação.

A demissão do então editor do Caderno 3 expõe o abismo entre o discurso da grande mídia conservadora, que se diz ameaçada em sua liberdade de expressão - inclusive atacando com este falso argumento o projeto do Conselho de Comunicação do Estado -, e suas práticas cotidianas, restritivas ao exercício profissional dos jornalistas, bem como à livre opinião de colaboradores e leitores.

"O Sindicato dos Jornalistas do Ceará protesta contra esta demissão arbitrária e mantém sua luta pela verdadeira liberdade de expressão para os jornalistas e para todos os brasileiros, manifestada em projetos como o do Conselho de Comunicação", afirma o presidente do Sindjorce, Claylson Martins.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

PRÊMIO A ÁLVARO URIBE CAUSA INDIGNAÇÃO



Por Alexandre Figueiredo

Na tarde de anteontem, em Madri, o presidente colombiano Álvaro Uribe esteve presente para receber o prêmio "La Puerta del Recuerdo", concedido pelo Observatório Internacional de Vítimas do Terrorismo da Fundação Universitária San Pablo CEU.

A premiação causou revolta entre os vários movimentos sociais da Colômbia e de outros países, e uma campanha foi feita para que o prêmio não fosse entregue a Uribe.

A revolta é motivada pela acusação de que Uribe é responsável por diversos crimes contra a humanidade, por escutas ilegais do serviço secreto colombiano e por ofensivas ilegais realizadas contra integrantes da Corte Suprema de Justiça e contra jornalistas, membros da oposição e integrantes de ONGs defensoras dos direitos humanos.

Um manifesto foi lançado por várias organizações localizadas dentro e fora da Colômbia, entre as quais a Plataforma Bolivariana de Madrid, Ecologistas em Ação, Casapueblos, Rede Capicua, Rede de Irmandade e Solidariedade com a Colômbia, Comitê Oscar Romero Madrid e ACSUR-Las Segovias. Um trecho do manifesto acusa Uribe de envolvimento com grupos paramilitares:

"Baseamo-nos nos comprovados vínculos de Uribe Vélez com grupos paramilitares e de narcotraficantes, com seu histórico que lhe compromete ao longo de sua carreira política com a realização de numerosas estratégias e campanhas de guerra suja contra organizações sociais, máximo responsável político e operativo de assassinatos políticos, detenções-desaparições, genocídios, massacres, torturas e deslocamentos forçados, cometidos pelas forças armadas (...)"

O manifesto, que considera Álvaro Uribe Vélez persona non grata, conta, entre outros signatários, o Prêmio Nobel da Paz, argentino Adolfo Perez Esquivel e a coordenadora do Jubileu Sul, Beverly Keene, além de artistas, intelectuais, acadêmicos, políticos de esquerda e outros.

Também na última quarta-feira foi realizada uma vigília em frente ao Cassino de Madri, onde foi entregue o prêmio a Uribe, protesto feito em memória às vítimas da violência política da Colômbia.

Outro político, o ex-primeiro ministro espanhol José Maria Aznar, também premiado por "La Puerta Del Recuerdo", hoje presidente da Fundação para a Análise e os Estudos Sociais (Faes), também causou indignação. Além disso, Aznar, aliado do ex-presidente dos EUA, George W. Bush, foi considerado pela revista Foreing Policy como um dos piores governantes do mundo.

FOLHA HAVIA DIVULGADO O NOME PETROBRAX



Por Alexandre Figueiredo

Os blogs Nova E, Viomundo e Conversa Afiada divulgaram a capa da Folha de São Paulo de 27 de dezembro de 2000, escaneada pelo primeiro dos três.

Nela, há o anúncio de que a Petrobras mudaria de nome, no ano seguinte, para Petrobrax. A medida, defendida com otimismo pelo Governo Federal da época, comandado por Fernando Henrique Cardoso, conhecido como o príncipe dos sociólogos.

A decisão de mudar o nome da instituição tinha como pretexto tornar a Petrobras mais "competitiva" no mercado internacional. Coisa que, de fato, o sucessor Lula fez, sem que fosse preciso mudar de nome.



Até a logomarca chegou a ser criada para o embuste. Os tecnocratas acreditam que daria certo. Não deu. Virou piada. Das mais ridículas. E a Petrobras teve que manter o nome. Ainda bem.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

EMIR SADER: ONDE VOCÊ ESTAVA EM 1964?



COMENTÁRIO DESTE BLOG: O professor Emir Sader faz uma análise de um período em que as posições ideológicas estavam definidas.

É certo que um certo líder estudantil, nessa época, ainda estava do lado da centro-esquerda, mas depois ele demonstrou estar muito mais afinado com as forças reacionárias que se reuniram no Vale do Anhangabaú, pedindo a derrubada de João Goulart. Esse líder estudantil, sabemos, é o presidenciável José Serra.

Mas, independente de tomadas ou mudanças de posição, na ocasião ou ao longo dos anos, 1964 mostra que as posturas golpistas adotadas não podem ser desmentidas e que só a memória curta ou mesmo a desinformação histórica - para quem não viveu o período ditatorial - para ignorar posturas reacionárias antigas e pouco difundidas que certos veículos de mídia ou personalidades naqueles idos de março e abril de 1964.

Onde você estava em 1964?

Por Emir Sader - Blog do Emir

Há momentos na história de cada país que são definidores de quem é quem, da natureza de cada partido, de cada força social, de cada indivíduo. Há governos em relação aos quais se pode divergir pela esquerda ou pela direita, conforme o ponto de vista de cada um. Acontecia isso com governos como os do Getúlio, do JK, do Jango, criticado tanto pela direita – com enfoques liberais ou diretamente fascistas – e pela esquerda – por setores marxistas.

Mas há governos que, pela clareza de sua ação, não permitem essas nuances, que definem os rumos da história futura de um país. Foi assim com o nazismo na Alemanha, com o fascismo na Itália, com o franquismo na Espanha, com o salazarismo em Portugal, com a ocupação e o governo de Vichy na França, entre outros exemplos.

No caso do Brasil e de outros países latinoamericanos, esse momento foi o golpe militar e a instauração da ditadura militar em 1964. Diante da mobilização golpista dos anos prévios a 1964, da instauração da ditadura e da colocação em prática das suas políticas, não havia ambigüidade possível, nem a favor, nem contra. Tanto assim que praticamente todas as entidades empresariais, todos os partidos da direita, praticamente todos os órgãos da mídia – com exceção da Última Hora – pregavam o golpe, participando e promovendo o clima de desestabilização que levou à intervenção brutal das FAA, que rompeu com a democracia – em nome da defesa da democracia, como sempre -, apoiaram a instauração do regime de terror no Brasil.

Como se pode rever pelas reproduções das primeiras páginas dos jornais que circulam pela internet, todos – FSP, Estadão, O Globo, entre os que existiam naquela época e sobrevivem – se somaram à onda ditatorial, fizeram campanha com a Tradição, Família e Propriedade, com o Ibase, com a Embaixada dos EUA, com os setores mais direitistas do país. Apoiaram o golpe e as medidas repressivas brutais e aquelas que caracterizariam, no plano econômico e social à ditadura: intervenção em todos os sindicatos, arrocho salarial, prisão e condenação das lidreanças populares.

Instauraram a lua-de-mel que o grande empresariado nacional e estrangeiro queria: expansão da acumulação de capital centrada no consumo de luxo e na exportação, com arrocho salarial, propiciando os maiores lucros que tiveram os capitalistas no Brasil. A economia e a sociedade brasileira ganharam um rumo nitidamente conservador, elitistas, de exclusão social, de criminalização dos conflitos e das reivindicações democráticas, no marco da Doutrina de Segurança Nacional.

As famílias Frias, Mesquita, Marinho, entre outras, participaram ativamente, no momento mais determinante da história brasileira, do lado da ditadura e não na defesa da democracia. Acobertaram a repressão, seja publicando as versões mentirosas da ditadura sobre a prisão, a tortura, o assassinato dos opositores, como também – no caso da FSP -, emprestando carros da empresa para acobertar ações criminais os órgãos repressivos da ditadura. (O livro de Beatriz Kushnir, “Os cães de guarda”, da Editora Boitempo, relata com detalhes esse episódio e outros do papel da mídia em conivência e apoio à ditadura militar.)

No momento mais importante da história brasileira, a mídia monopolista esteve do lado da ditadura, contra a democracia. Querem agora usar processos feitos pela ditadura militar como se provassem algo contra os que lutaram contra ela e foram presos e torturados. É como se se usassem dados do nazismo sobre judeus, comunistas e ciganos vitimas dos campos de concentração. É como se se usassem dados do fascismo italiano a respeito dos membros da resistência italiana. É como se se usassem dados do fraquismo sobre o comportamento dos republicanos, como Garcia Lorca, presos e seviciados pelo regime. É como se se usasse os processos do governo de Vichy como testemunha contra os resistentes franceses.

Aqueles que participaram do golpe e da ditadura foram agraciados com a anistia feita pela ditadura, para limpar suas responsabilidades. Assim não houve processo contra o empréstimo de viaturas pela FSP à Operação Bandeirantes. O silêncio da família Frias diante da acusações públicas, apoiadas em provas irrefutáveis, é uma confissão de culpa.

Estamos próximos de termos uma presidente mulher, que participou da resistência à ditadura e que foi torturada pelos agentes do regime de terror instaurado no país, com o apoio da mídia monopolista. Parece-lhes insuportável moralmente e de fato o é. A figura de Dilma é para eles uma acusação permanente, pela dignidade que ela representa, pela sua trajetória, pelos valores que ela representa.

Onde estava cada um em 1964? Essa a questão chave para definir quem é quem na democracia brasileira.

ALCEU VALENÇA FEZ DURAS CRÍTICAS AO BREGA-POPULARESCO



Por Alexandre Figueiredo

Esta entrevista ocorreu há um ano e meio atrás, mas vale a pena trazê-la para nossa discussão sobre a crise vivida pela música brasileira.

Enquanto há reacionários que reagem furiosamente aos que criticam seus ídolos popularescos (só porque eles lotam plateias e vão ao Faustão, não significa que eles sejam deuses para que nunca os critiquemos), e há intelectuais deslumbrados que fazem propaganda dos mesmos ídolos sob uma roupagem discursiva intelectualóide, quem reclama pela qualidade da nossa música sofre por não ter espaço na mídia.

As verdadeiras vítimas de preconceito somos nós, que não podemos falar daquele cantor de sambrega, daquela dupla de "sertanejo universitário" e daquela "diva" da axé-music sem que algum engraçadinho nos espinafre. Nós somos desprezados até mesmo pela claque pretensamente esquerdista, que mal havia trocado a assinatura da Folha de São Paulo pela Caros Amigos, que não estranha que um Pedro Alexandre Sanches amamentado pela mídia golpista escreva naturalmente, na imprensa esquerdista, os mesmos pontos de vista veiculados na Folha de São Paulo e Bravo, esta do Grupo Abril.

Pois a verdade machuca todo mundo, cantava Sting há 32 anos atrás, com a banda The Police. Ou então, como diz o ditado popular, a verdade dói. Animais ferozes, quando feridos, dão ainda seus gritos, desesperadamente. Mesmo que sejam gritos do silêncio, da omissão de certos fatos. Para que a "esquerda ilustrada" que assinava a Folha para ler a Ilustrada e Mais! e agora assina Caros Amigos, sonhar com uma periferia de conto de fadas depois de ler horrores sobre os conflitos no Oriente Médio.

"Quem é Alceu Valença?", perguntaria um desavisado pernambucano acostumado aos forró-brega e tecnobrega que consome pelo rádio. Certamente ele deve pensar que é um titio com nome e sobrenome engraçados, sem qualquer serventia alguma para ele.

Mas Alceu é um dos grandes artistas da Música Popular Brasileira autêntica, um dos mestres da música pernambucana, em particular, e da música brasileira, em geral, e um dos grandes seguidores da lição antropofágica de Oswald de Andrade. De origem hippie e influenciado pelo rock, Alceu no entanto é um profundo conhecedor de música de raiz pernambucana, tanto que, certa vez, quando convidado a tocar uma música para o veterano Jackson do Pandeiro, assim que desempenhou a tarefa conquistou de forma entusiasmada o compositor, que antes havia visto Alceu com desconfiança.

Alceu havia criticado, numa entrevista, a atuação do então ministro da Cultura do governo Lula, o também cantor-compositor-músico Gilberto Gil, pelo fato dele não ter abraçado um projeto em prol da verdadeira MPB (fala-se verdadeira MPB mesmo, e não nos lotadores de plateias do brega-popularesco).

PARA ALCEU, BREGA-POPULARESCO TERIA SIDO TRAMADO PELOS EUA

Na entrevista, sobrou até críticas para a megalomaníaca axé-music (que Alceu apelidou como "fuleiragem music"), e também para a destruição da música brasileira pós-1986, através de "um tipo de música canalha". Embora Alceu dê ênfase à axé-music na sua crítica, ele deixa subentendido no seu depoimento que se trata do brega-popularesco como um todo, dessa suposta "música popular" dominante nas rádios FM e na TV aberta.

Alceu atribui a hegemonia da música brega-popularesca à influência do Departamento de Estado e Propaganda dos EUA. Embora a acusação pareça sempre "paranóica", para quem acredita na cultura popular como um fenômeno sempre inofensivo às pessoas em geral (e por isso acha natural um Pedro Alexandre Sanches invadir as redações de esquerda no nosso país), ela faz muito sentido.

Afinal, os EUA, desde 1951, sempre se empenharam para destruir o projeto nacional-popular que se tornou independente até mesmo dos propósitos políticos do Estado Novo. A cultura popular autêntica fluiu de forma tão consistente que, através da literatura, da pintura, do teatro, do cinema e sobretudo da música, entre outras modalidades artísticas, o povo passou a compreender criticamente a realidade da vida, de forma até mais intensa do que nos tempos em que a cultura popular não era manipulada ao bel prazer das elites dominantes.

Juntando a cultura popular original, de raiz, e seu apogeu nos anos 50 e 60, sobretudo com o apoio da UNE e seus Centros Populares de Cultura acionados quando o latifúndio do Norte/Nordeste despejava os primeiros ídolos cafonas, a música brasileira autêntica, realmente popular e não essa cafonice "popularizada" de hoje, ficou associada às lutas populares e aos movimentos sociais de esquerda.

É certo que nos últimos anos tenta-se inverter o discurso, associando a MPB autêntica, mesmo a música de raiz dos antigos mestres dos morros e sertões, a um elitismo de direita, enquanto o brega-popularesco, só por causa do seu histórico de rejeições (na verdade dados não por avaliações preconceituosas, mas pela falta de qualidade artística e cultural de seu cancioneiro), é associado, de forma tão falsa, à intelectualidade de esquerda.

Só que existe a ortodoxia das elites, que não vai ouvir um Jackson do Pandeiro ou Luís Gonzaga, mas, no máximo, Tom Jobim e Chico Buarque, e ainda assim nem tudo. Mas é uma elite que prefere mais ouvir música clássica, mesmo. E existe também, por outro lado, o fisiologismo político e midiático, a indústria do jabaculê movida por redes de televisão concorrentes da Rede Globo e que respaldam, por isso, um mercado falsamente anti-mídia do brega-popularesco.

Por isso, faz sentido a declaração de Alceu Valença, que sente o quanto a MPB autêntica hoje é a verdadeira discriminada, e não os "injustiçados" ídolos popularescos, que tanto posam de "ignorados pela grande mídia" mas no dia seguinte aparecem triunfantes na tela da Rede Globo e nas páginas da Folha de São Paulo.

Faz sentido porque os EUA querem transformar o Brasil em um país mentalmente apátrida, subordinado, sem referenciais, sem ética, sem cultura. Tudo para impedir que a nação sul-americana se torne uma potência, com um povo culturalmente forte e um cenário político transparente, insubordinado e atuante.

Não é por acaso que a ditadura militar intensificou a divulgação, agora em plano nacional, dos ídolos cafonas patrocinados pelo latifúndio, gerando no brega-popularesco que originou diversos derivativos tendenciosos. E que todas as teses que tentam desvincular música brega e ditadura militar soam confusas, contraditórias e de nível argumentativo fraco e duvidoso.

AS FRASES DE ALCEU VALENÇA

“Gil não fez absolutamente nada pela MPB. O ministério dele foi melhor do que o de Weffort, Ponto de Cultura é um negócio bacana. Mas música brasileira nada. Não vi nem uma vez ele fazer um esforço e levar todo mundo lá para fora. Houve esforço para levar ele. Eu tentei levar, fiz um projeto para levar todo mundo, o Brasil Novo Tempo, mas não deu certo. O Brasil está sendo divulgado lá fora por um tipo de música canalha! Mas pense o Brasil divulgado pela coisa bonita brasileira, pela sua identidade. Porque os gringos são apaixonados pelo samba, pelo choro. O mundo gosta do Brasil, mas o Brasil não gosta de se mostrar pro mundo”.

“Tenho quase certeza de que a destruição da música brasileira foi um movimento que veio do Departamento de Estado e Propaganda dos Estados Unidos. Não posso entender, como é que você pode destruir uma indústria de um bilhão de dólares? A MPB dava 800 bilhões de dólares. A MPB de qualidade era detentora de 80% do mercado de música brasileira. Os caras chegaram e trocaram Chico Buarque por Ursinho blau blau. Em 1986, tudo acabou. Dentro da minha loucura eu digo o seguinte: isto se deve à queda da ditadura. A MPB era contra a ditadura. Então ficaram com medo de uma nova Cuba, pela influência desses artistas de esquerda. Quem ouviu Bethânia, Chico, Milton tocar depois de 86? Tudo isso podia até ter acontecido, de uma maneira mais vagarosa. De repente caiu tudo, e veio outra coisa”.

“Eles são absolutamente negociantes. A fuleiragem music vai destruir o Brasil lá fora, porque o axé destruiu a imagem de música de qualidade que se tinha do Brasil. Existia na Europa a boa música brasileira. Só iam para Europa os tampas de crush, Caetano, Chico, Gil, Milton. O besta aqui
(NOTA DESTE BLOG: o próprio cantor) foi muitas vezes. Tinha um tipo de público do cacete. Aí, quando entrou o axé, a fuleiragem, sabe qual o público desta música? Quenga. A fuleiragem aconteceu, mas será que são os músicos que fazem a música? Quem faz é o cara que não gosta de música, mas sabe trabalhar a coisa, contrata uns caras, o jabaculê come por todos os lados, mas não se faz arte”.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

MORRE O EX-PRESIDENTE DA ARGENTINA NESTOR KIRCHNER



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Um dos líderes da política progressista e responsável pela recuperação econômica da Argentina, Néstor Kirchner, faleceu hoje vítima de parada cardiorrespiratória. Como presidente, ele fez o país superar uma longa e difícil crise econômica, que chegou a provocar uma intensa revolta popular. A popularidade de Néstor Kirchner também conseguiu que fosse eleita como sucessora a então primeira-dama e hoje viúva Cristina Kirchner, atual presidente do país.

Morre o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner

Do Portal Vermelho

O ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner (2003-2007) morreu nesta quarta-feira (27) em El Calafate, informam os jornais argentinos. Casado com a atual governante do país, Cristina Kirchner, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória, com morte súbita, diz a imprensa local. Segundo um médico da equipe presidencial, que falou ao El Clarín, Néstor Kirchner ainda foi levado ao hospital da cidade, mas não foi possível reanimá-lo.
O diário afirma que Kirchner e sua mulher, descansavam em sua casa de El Calafate desde o último fim de semana. Por causa da realização do censo nacional, nesta quarta-feira, é feriado na Argentina. Ainda não houve boletim médico oficial sobre a morte.

O ex-presidente havia passado por duas cirurgias de emergência em 2010, em fevereiro e setembro, por obstrução em artérias coronárias. Na última, foi submetido a uma angioplastia e lhe colocaram um stent.

Biografia

Néstor Carlos Kirchner nasceu em 25 de fevereiro de 1950, província de Santa Cruz, na região argentina da Patagônia. Antes de chegar à Presidência, foi advogado e governador da Província de Santa Cruz.

Néstor assumiu a Presidência em 25 de março de 2003. Ele comandou o processo de recuperação da Argentina, após o governo neoliberal e pró-estadunidense do ex-presidente Carlos Menem e a grave crise pela qual o país atravessou em finais dos anos 1990 e nos dois primeiros anos do século 21.

Deixou o governo em dezembro de 2007 com popularidade em alta: segundo o instituto de pesquisa privado Ibarómetro, o presidente saiu do governo com imagem positiva para 55,3% dos argentinos.

Foi um partidário da integração sul-americana, desempenhando papel ativo nos esforços dos governos democráticos e progressistas da região para atuar de maneira soberana no cenário internacional. Atualmente, Kircher ocupava o cargo de secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

"FUNK CARIOCA" É APADRINHADO PELA REDE GLOBO



Vídeo interessante mostra o quanto o "funk carioca", que tanto se diz ausente da grande mídia, na verdade tornou-se protegido de primeira hora da Rede Globo de Televisão.

O vídeo é bastante esclarecedor e ilustrativo. Só faltou mostrar o José Serra.

"CÃES DE GUARDA" É UM LIVRO CORAJOSO CONTRA A MÍDIA GOLPISTA



Por Alexandre Figueiredo

Com a republicação de alguns tópicos antigos do blog Viomundo, Luiz Carlos Azenha nos brindou da relembrança desse livro que eu tenho no meu acervo, Cães de Guarda, de Beatriz Kushnir.

O livro fala de vários episódios envolvendo imprensa e ditadura, desde o caso de Henning Boilesen, empresário que colaborou com os torturadores, até comunistas arrependidos que apareciam na TV expressando seu remorso. A obra fala do lado oculto da imprensa nos anos de chumbo, com ênfase na virada dos anos 60 para os 70.

Desde que seus blogs foram atacados por um arquivo suspeito, Azenha e Rodrigo Vianna estão republicando seus artigos do ano passado, e Vianna veio com um texto de abril de 2009 sobre a parceria da Folha de São Paulo com a ditadura, com os torturadores e com o Grupo Ultra, que financiou as ações de tortura.

Cães de Guarda fala da imprensa golpista, por isso foi um livro difícil de encontrar. Lançado em 2002, tomei conhecimento do livro por volta de 2004, vi em livrarias de Salvador (Bahia), onde morava, mas depois o livro sumiu. Tive que comprá-lo pela Internet.

Naquela época o tabu em relação à grande imprensa era enorme. Muita gente acreditava que a grande imprensa era como a segunda consciência do homem, ou, não obstante, a própria substituta da consciência humana. Muita gente não tinha liberdade de pensamento autêntica porque em suas vidas seguia a linha editorial dos veículos da grande imprensa.

Era tentador: o "grande jornalista" era detentor de segredos da humanidade, era quase uma divindade, a pessoa, na obsessão em ser bem informada, abria a mão de pensar por conta própria, porque o "grande jornalista" pensava por ela.

Os "grandes jornalistas" - na verdade os âncoras, articulistas, colunistas e editores da chamada grande imprensa - eram quase divindades, e essa visão se deu por uma interpretação equivocada do papel da grande imprensa pela redemocratização.

Afinal, existem jornalistas e "jornalistas". Os jornalistas que lutaram contra a ditadura e pela redemocratização, já nos anos de chumbo, não eram superheróis. Eram seres humanos, que podiam falhar, mas se esforçavam em acertar na maioria das vezes. Hoje eles equivalem aos jornalistas que, na Internet, emprestam sua experiência como blogueiros progressistas.

Já os "jornalistas" são aqueles que agiam em prol do mercado. Mas, vez que outra, se apropriavam dos louros dos jornalistas que realmente lutavam pela democracia (não confundir com a "democracia" do PiG) e pela cidadania. Ou seja, o joão-de-barro constrói sua casinha na árvore, o urubu se apropria dela e atribui a si a autoria.

Só nos últimos cinco anos tornou-se mais clara a problemática da grande imprensa. A opinião pública teve que amadurecer, e criar uma mídia independente de verdade, em vez de procurá-la em veículos mais brandos da mídia conservadora.

A TV Bandeirantes acolhe vozes progressistas de vez em quando. Mas, até quando? De repente, o mais assustador dos comentários anti-sociais não vem de Veja, nem da Folha, nem da Rede Globo, mas da "inocente" TV Bandeirantes, através do temível Bóris Casoy, tão parecido com o Tião Gavião de Hanna-Barbera quanto José Serra se parece com o Mr. Burns de Matt Groening.

A esquerda baiana foi apoiar a Rádio Metrópole, cujo empresário-locutor Mário Kertèsz foi uma espécie de "Paulo Maluf com dendê", e foi espinafrada no ar pelo astro-rei da Rádio Metrópole, que havia sido prefeito de Salvador e criou um dos piores esquemas de corrupção da história da Bahia.

Aliás, traições acontecem e Cães de Guarda cita uma, a do jornalista Pimenta Neves, mais conhecido pelo seu crime passional contra a colega Sandra Gomide. Pimenta, aparentemente, era um discreto "seguidor" de Cláudio Abramo, uma das figuras eminentes da imprensa progressista do Brasil.

Abramo trabalhou o projeto progressista na Folha da Tarde, numa brecha mercadológica deixada pela Folha de São Paulo, então propriedade do "Otavião", Otávio Frias de Oliveira, já falecido, pai do atual barão da Folha, Otávio Frias Filho, o "Otavinho".

Pimenta Neves, um jornalista que não deixou marca profissional alguma, apenas seguia seu dever de aula com Abramo, até que o AI-5 vetou o projeto progressista e Folha da Tarde virou um jornal pró-ditadura.

Pimenta então "adaptou" o estilo de Cláudio Abramo para um tom mais conservador e chapa-branca, e, depois, comandou a conservadoríssima revista Visão, virou consultor do Banco Mundial e definitivamente passou a ser protegido pela imprensa golpista paulista, que tratou o crime como se fosse um "errinho cometido por força maior".

Mas, ironicamente, o sucessor de Pimenta Neves em O Estado de São Paulo - quando seu ciúme doentio por Sandra Gomide fez degradar o jornalismo do seu algoz mortal, que, convertido em mau jornalista, havia feito molecagens editoriais para desqualificar a ex-namorada - se chama Sandro Vaia, xará da vítima e cujo sobrenome se relaciona à reação da sociedade desse verdadeiro PiG do machismo brasileiro.

Cerca de um ano antes de cometer seu ridículo crime, Pimenta Neves deu seu depoimento a Beatriz Kushnir, que, com muita razão, o definiu como um jornalista que, nos seus últimos tempos de Estadão, atuou de forma arrogante e prepotente.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

CASSETA & PLANETA É TÃO BONZINHO COM JOSÉ SERRA


REINALDO FAZ PARÓDIA MORNA DE JOSÉ SERRA - E, ADVINHE QUEM É O PARCEIRO QUE ESTÁ AO LADO DELE?

Por Alexandre Figueiredo

Estou há duas semanas sem ver o Casseta & Planeta - puxa, logo que a Maria Paula agora está solteira... - , por boicote ao reacionarismo de um certo comediante do grupo, que atinge níveis paranóicos.

E, nesta foto, lá vemos ele, Marcelo Madureira, ao lado do parceiro Reinaldo Figueiredo (que não é meu parente), numa paródia inocente do candidato José Serra.

Como expressão dos interesses das Organizações Globo, o Casseta & Planeta anda assumindo posições bem direitistas, sobretudo através de Marcelo, cujo reacionarismo doentio chega a fazê-lo um sujeito ranzinza e mal-humorado nas suas palestras.

Mas é só compararmos a paródia que os cassetas fazem de Dilma Rousseff e José Serra para vermos a diferença de tratamento que o grupo faz entre os dois candidatos.

Sem deixar de lado a agenda noticiosa que envolve os presidenciáveis, nota-se que a paródia de Dilma é mais cruel, com Cláudio Manoel, de peruca, imitando o presidente Lula pelos gestos e voz, dando ideia de que Dilma não passa de um subproduto político do atual presidente (com todas as críticas que se pode fazer a Dilma, isso não é verdade).

Já a paródia de José Serra é bem mais generosa. Não há a imitação do jeito de pretenso contador de histórias do temível tucano, e nem a arrogância de Serra é de todo parodiada. O jeito de falar e a preocupação somente com a calvície fazem a paródia parecer mais próxima à que Reinaldo faz do apresentador Dráuzio Varela ("rebatizado" como Dráuzio Careca).

Ou seja, uma paródia de um candidato da grande mídia se limita apenas a mencionar sua calvície. Nada que os humoristas de esquerda fazem com o demotucano, essas sim de uma criatividade bem maior. Ou mesmo a paródia que o próprio José Serra faz de si mesmo, com suas caretas, principalmente na foto em que ele olha de frente portando uma arma (pede pra sair, capitão Nascimento, que lá vem concorrente por aí).

Os cassetas são muito bonzinhos com José Serra. Com isso, são muito mais bonzinhos com o PiG que os acolhe como contratados.

BOLINHAS DE PAPEL EM FILME B



Arnaldo Jabor não dirigiu o filme nem fez uma participação sequer, porque estava ocupado com sua suprema felicidade.

Mas ele manifestou seu grande aval ao filme O Ataque das Bolinhas de Papel Assassinas, do cineasta e ex-diretor de clipes FdP.

É um grande filme de terror com as bolinhas de papel invadindo uma conhecida cidade brasileira, internacionalmente famosa.

Toda a fauna demotucana está lá. E Paulo Preto aparece também, desta vez não podendo ser irreconhecível sequer por José Serra.

Tem Soninha, tem Gabeira, Sandra Cureau... Tem até o professor mineiro Eugênio Arantes Raggi, que come quieto do prato petista para depois vomitar tudo nos blogueiros progressistas e louvar os tucanos e o PiG no fórum do portal Globo Esporte.

Tem o (mau) humor do Marcelo Madureira. Em boa companhia: Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Ali Kamel, Otávio Frias Filho.

E tem os "amigos de fé" de José Serra, o astro maior da produção, embora esses dois queiram ter mais destaque no filme que o protagonista: Aécio Neves e Geraldo Alckmin, este vindo das profundezas do Opus Dei.

Tem também Fernando Gabeira, que, defensor da liberação das drogas, não poderia deixar de defender a maior delas, que são os demotucanos.

Enfim, um filme aterrorizante, sobre perigosas bolas de papel que assustam a humanidade. Com cenas de forte impacto, pouco recomendadas para corações frágeis.

O bonequinho da Globo viu e adorou. E Veja recomendou, de imediato.

Trilha Sonora aterrorizante com Chitãozinho & Xororó, Gaiola das Popozudas, É O Tchan, Calcinha Preta, Tati Quebra-Barraco, Alexandre Pires, Belo, Chiclete Com Banana e outros nomes da Música do PiG Brasileira.

Breve num cinema mais próximo de você.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

35 ANOS SEM VLADIMIR HERZOG



Por Alexandre Figueiredo

Em 1975, eu era um menino de quatro anos. Ficava nos meus brinquedinhos em casa, no Barreto, em Niterói, e via muitos desenhos animados, além de expressar minha já surpreendente busologia, porque já começava a entender de transporte coletivo nessa época.

O Brasil em que eu vivia não parecia perigoso, mas era, e muito. Afinal, o temível quinto ato institucional da ditadura militar (o AI-5) vigorava com energia, tendo permitido os órgãos de tortura a "fazer a limpa" em boa parte da guerrilha, até então. E, naquele 25 de outubro, um fato ocorreu que eu, obviamente, só tomaria conhecimento a partir do fim dos anos 80, já perto de meus 18 anos.

Sim, não se podia ficar informado do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, diretor de jornalismo da TV Cultura de São Paulo. A censura pegava pesado. Circulou uma versão de que ele havia se suicidado dentro de sua cela no DOI-CODI. Uma versão vagabunda, cínica, inverossímil, e mesmo a "pose" de Herzog era muito grotesca para ser considerada um suicídio. E o contexto político permitia muito menos a veracidade dessa tese, por mais que a "Revolução" a tomasse como verdadeira.

Curiosamente, Vladimir nasceu Vlado. Vlado não era apelido, era nome de batismo mesmo. O apelido Vladimir veio porque ele achava que Vlado soaria exótico no Brasil. Nascido em junho de 1937, viveu apenas 38 anos. Para se ter uma ideia, hoje em tenho 39. Vlado nasceu na atual Croácia (então parte da Iugoslávia), mas naturalizou-se brasileiro. Certamente, muito mais brasileiro que tantos brasileiros natos adeptos do neoliberalismo. E bem mais patriota brasileiro do que os torturadores que o mataram na prisão do DOI-CODI.

Vlado foi comunista assumido, ligado ao "partidão", o Partido Comunista Brasileiro. Exerceu o jornalismo em vários veículos de imprensa, sobretudo em O Estado de São Paulo. Mas sua atuação foi autônoma, não se compactou com o golpismo da grande imprensa, que protestava contra a censura militar não por ser contra o ato em si, mas porque seu processo atrasava a veiculação dos jornais e "esfriava" seu conteúdo. A essas alturas, a Folha de São Paulo, hoje tão "moderna", fornecia suas viaturas para os "gorilas" do DOI-CODI transportarem prisioneiros políticos.

Herzog também teve uma passagem em Londres, trabalhando para a BBC (numa atividade que, hoje, corresponderia à BBC Brasil, afiliada da rede britânica). Foi dramaturgo, era apaixonado por fotografia, ensinou na Escola de Comunicação e Artes da USP e era um intelectual engajado.

Sua luta pela resistência à ditadura militar incomodou o governo. Detido pelos militares do DOI-CODI, provavelmente Herzog não baixava a cabeça. Talvez por isso os torturadores fizeram questão de enforcá-lo, vendo que não estavam lidando com alguém submisso nem resignado.

Herzog queria justiça, queria um Brasil mais livre, como muitos cidadãos brasileiros de então. Era um dos jornalistas como poucos, e que certamente não existem na elite midiática de hoje. Era um jornalista humanista, progressista, de uma grandiosa geração com cara e coragem que constituiu a imprensa esquerdista, às vezes trabalhando até nos veículos da imprensa direitista, mas dentro de uma autonomia que seus editores eram obrigados a tolerar.

A morte de Vlado foi horrível, mas gerou um ponto bem positivo. Mostrou que os órgãos de tortura da ditadura militar, protegidos pelo AI-5 e usados para reprimir e eliminar opositores do "governo revolucionário" (como a ditadura era conhecida então), também expressavam a mesma ameaça de insubordinação militar e quebra de hierarquia que os sargentos revoltosos da época de João Goulart representaram nos idos de 1964.

Com isso, os órgãos de tortura passaram a ser vistos como um perigo para o próprio regime militar, pelo abuso de poder com que exerciam suas atividades. E criou clima de conflito até entre os próprios generais, sobretudo com Sílvio Frota, de linha dura e apoiado pelos torturadores. Havia, nessa época, nos bastidores das Forças Armadas, a ameaça de Frota um dia ser indicado presidente da República e transformar o Brasil num caos.

No ano seguinte, Manuel Fiel Filho foi morto pelos torturadores, agravando ainda mais a situação no lado da repressão. Foi o complemento da repercussão do caso Herzog, aumentando a crise ditatorial que já acontecia pelo colapso econômico que era reflexo da crise internacional do petróleo, no Oriente Médio.

Daí que a morte de Vladimir Herzog foi um dos primeiros fatores que levaram à decadência da ditadura militar, que se anunciava eterna, mas que se desgastou ao longo dos anos, se extinguindo em 1985.

Ainda sofremos os efeitos devastadores causados pela ditadura militar, mas vivemos um cenário sócio-político bem mais saudável. E podemos nos relembrar de Vladimir Herzog sem medo, falando de seu exemplo humano e sua dedicação sem que qualquer força venha nos reprimir por isso. Daí Herzog ser considerado um dos exemplos, um dos grandes nomes respeitados e venerados por aqueles que lutaram pela redemocraticação do país.

ENQUANTO ISSO, O CORONELISMO FAZ A FESTA EM SÃO PAULO



Por Alexandre Figueiredo

Enquanto há o conflito de terra entre fazendeiros e índios no Sul da Bahia, na Chácara do Jockey, em São Paulo, aconteceu o festival Sertanejo Pop, para coroar o estilo de música oficial dos latifundiários brasileiros. Inclusive o tal "sertanejo universitário".

Tinha de tudo, de Chitãozinho & Xororó a Luan Santana, passando até pela dupla de nome oportunista, João Bosco & Vinícius (nome que parodia um cantor e um poeta da sofrida e usurpada MPB autêntica).

Para completar a festa ruralista (no sentido Kátia Abreu e Ronaldo Caiado do termo) dessa expressão musical da UDR, os comediantes Hélio de La Peña e Beto Silva, do cada vez mais demotucano Casseta & Planeta, participaram de uma apresentação da dupla Hugo Pena & Gabriel.

Aliás, Beto Silva faz a "impagável" Acarajette Lovve, que recebe ídolos popularescos no programa, tal qual MC Ferrow & MC Deu Mal, por exemplo. E, no quadro de Acarajette, o parceiro Waldeck do Curuzu, não custa lembrar, é feito pelo militante direitista Marcelo Madureira.

E ainda há certos blogueiros que pensam que a dita "música sertaneja" não tem espaço na grande mídia - pode isso? - e que não tem a ver com o coronelismo que, muito mais do que explicitamente, até escancaradamente patrocina seus cantores e duplas.

CONFRONTO DE TERRA NO SUL DA BAHIA FAZ UM ÍNDIO MORTO



Por Alexandre Figueiredo

O índio pataxó José de Jesus Silva, de 37 anos, foi morto por pistoleiros num confronto entre estes e os indígenas que disputam com fazendeiros no Sul da Bahia uma área de 47 mil hectares. O assassinato aconteceu em Pau Brasil, município da região.

Me faz lembrar a absurda atitude da revista Veja que, insensível às raízes históricas do nosso país, trata as tribos indígenas remanescentes como se fossem "criminosas", já que a revista, adepta do neoliberalismo político e econômico, defende a tese de "direito à propriedade" das elites detentoras dos meios de produção e tecnologia, e do poder político e econômico dominante.

É muito sério o assunto dos conflitos de terra, uma coisa muito antiga, já que os latifúndios são um problema que já era decorrente desde os tempos do Brasil colonial.

A Funai reconhece o direito dos índios pela posse do terreno, mas os fazendeiros recorreram à Justiça para ter o direito de posse.

O DIA EM QUE ATÉ A GLOBO VAIOU ALI KAMEL



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Ali Kamel é um militante do PSDB não-assumido, mas explícito. E sua iniciativa de transformar uma bolinha de papel em um sinistro objeto de atentado terrorista não convenceu a pessoa alguma. Mas o ato foi constrangedor até para quem trabalha com ele, e aí o tendenciosismo da Rede Globo foi longe demais.

O dia em que até a Globo vaiou Ali Kamel

Por Rodrigo Vianna - Blog Escrevinhador

Passava das 9 da noite dessa quinta-feira e, como acontece quando o “Jornal Nacional” traz matérias importantes sobre temas políticos, a redação da Globo em São Paulo parou para acompanhar nos monitores a “reportagem” sobre o episódio das “bolinhas” na cabeça de Serra.

A imensa maioria dos jornalistas da Globo-SP (como costuma acontecer em episódios assim) não tinha a menor idéia sobre o teor da reportagem, que tinha sido editada no Rio, com um único objetivo: mostrar que Serra fora, sim, agredido de forma violenta por um grupo de “petistas furiosos” no bairro carioca de Campo Grande.

Na quarta-feira, Globo e Serra tinham sido lançados ao ridículo, porque falaram numa agressão séria – enquanto Record e SBT mostraram que o tucano fora atingido por uma singela bolinha de papel. Aqui, no blog do Azenha. você compara as reportagens das três emissora na quarta-feira. No twitter, Serra virou “Rojas”. Além de Record e SBT, Globo e Serra tiveram o incômodo de ver o presidente Lula dizer que Serra agira feito o Rojas (goleiro chileno que simulou ferimento durante um jogo no Maracanã).

Ali Kamel não podia levar esse desaforo pra casa. Por isso, na quinta-feira, preparou um “VT especial” – um exemplar típico do jornalismo kameliano. Sete minutos no ar, para “provar” que a bolinha de papel era só parte da história. Teria havido outra “agressão”. Faltou só localizar o Lee Osvald de Campo Grande. O “JN” contorceu-se, estrebuchou para provar a tese de Kamel e Serra. Os editores fizeram todo o possível para cumprir a demanda kameliana. mas o telespectador seguiu sem ver claramente o “outro objeto” que teria atingido o tucano. Serra pode até ter sido atingido 2, 3, 4, 50 vezes. Só que a imagem da Globo de Kamel não permite tirar essa conclusão.

Aliás, vários internautas (como Marcelo Zelic, em ótimo vídeo postado aqui no Escrevinhador) mostraram que a sequência de imagens – quadro a quadro – não evidencia a trajetória do “objeto” rumo à careca lustrosa de Serra.

Mas Ali Kamel precisava comprovar sua tese. E foi buscar um velho conhecido (dele), o peritoRicardo Molina.

Quando o perito apresentou sua “tese” no ar, a imensa redação da Globo de São Paulo – que acompanhava a “reportagem” em silêncio – desmanchou-se num enorme uhhhhhhhhhhh! Mistura de vaia e suspiro coletivo de incredulidade.

Boas fontes – que mantenho na Globo – contam-me que o constrangimento foi tão grande que um dos chefes de redação da sucursal paulista preferiu fechar a persiana do “aquário” (aquelas salas envidraçadas típicas de grandes corporações) de onde acompanhou a reação dos jornalistas. O chefe preferiu não ver.

A vaia dos jornalistas, contam-me, não vinha só de eleitores da Dilma. Há muita gente que vota em Serra na Globo, mas que sentiu vergonha diante do contorcionismo do “JN”, a serviço de Serra e de Kamel.

Terminado o telejornal, os editores do “JN” em São Paulo recolheram suas coisas, e abandonaram a redação em silêncio – cabisbaixos alguns deles.

Sexta pela manhã, a operação kameliana ainda causava estragos na Globo de São Paulo. Uma jornalista com muitos anos na casa dizia aos colegas: “sinto vergonha de ser jornalista, sinto vergonha de trabalhar aqui”.

Serra e Kamel não sentiram vergonha.

domingo, 24 de outubro de 2010

MANIFESTO EM DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA



Enviei este e-mail em apoio à causa da Educação Pública:

Prezados professores,

Sou inteiramente solidário à causa da Educação públca. Afinal, a Educação é um direito público, que oferece as ferramentas necessárias para o melhor preparo do cidadão para a vida.

A Educação é um tema que, infelizmente, é tratado como tabu por determinados setores conservadores da sociedade. Outros, mais românticos, a veem de forma vaga, como se ela limitasse tão somente à fórmula fácil de aprender a ler, escrever e praticar esportes.

A Educação envolve muitas coisas. E a Educação pública é a forma de trabalhar o ensino dentro de uma esfera pública, e por isso a Educação não pode ser um produto de mercado privado. Por isso eu defendo a Educação pública, porque o aprendizado é uma necessidade fundamental e indispensável do ser humano, na sociedade em que vive.

Sucesso a essa campanha maravilhosa. Abraços a todos.

Alexandre Figueiredo - jornalista

TECNOBREGA ESTÁ FORA DA MÍDIA? TEM CERTEZA?



O tecnobrega, como todo ritmo brega-popularesco, sempre se inspirou nos valores da grande mídia, sempre se alimentou nos referenciais da grande mídia, sempre atendeu aos interesses da grande mídia. Seja a grande mídia com escritório na Avenida Paulista, seja a grande mídia sediada em Nova York, seja a grande mídia regional, no caso a de Belém do Pará.

As redes sociais ainda não estão fortes o suficiente para produzir mega-sucessos. Mesmo os sucessos do Orkut, Facebook, Twitter e YouTube precisam da projeção na grande mídia para virarem mania. E, além disso, o tecnobrega sempre rolou nas FMs paraenses controladas por grupos oligárquicos, que por sinal sustentam e patrocinam com gosto as tais "aparelhagens".

O tecnobrega apareceu no Jornal da Globo (comandado por William Waack, e paparicado por Nelson Motta, hoje sócio do Instituto Millenium), no Mais Você (de Ana Maria Braga, ou Ana Maria Brega, sócia do "cansei" e anti-comunista assumida), no Domingão do Faustão (maior vitrine do entretenimento da mídia golpista), só faltando mesmo Gaby Amarantos aparecer no Casseta & Planeta no quadro da Acarajette Lovve.

Detalhe: o assistente de Acarajette Lovve, Waldeck do Curuzu, é interpretado pelo temível Marcelo Madureira, sócio do Instituto Millenium, palestrante direitista dos mais ranzinzas e amicíssimo do peito do não menos temível Diogo Mainardi.

Antes que algum bom samaritano filme com seu celular Otávio Frias Filho e Ali Kamel batucando um tecnobrega nos salões do Instituto Millenium, vamos enumerar aqui a presença desse ritmo popularesco na grande mídia, desmentindo teses que nunca fizeram sentido (a de que o tecnobrega está fora da mídia) e que muito menos fazem sentido hoje.

Claro que nesses links todo o festival de lorotas em torno do tecnobrega é divulgado. Tomem muito cuidado. Lembrando que, se o tecnobrega se diz "fora da grande mídia", por que o estilo foi badalado com entusiasmo até pelo jornal O Liberal, que representa a mídia golpista em Belém do Pará?

O LIBERAL (LINK REPRODUZ O TEXTO ORIGINALMENTE PUBLICADO NO JORNAL PARAENSE, SÍMBOLO DA MÍDIA GOLPISTA NO PARÁ)

http://www.bregapop.com/servicos/historia/329-henry-burnett/4944-viva-o-tecnobrega-henry-burnett

FOLHA DE SÃO PAULO

http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/782595-beyonce-do-para.shtml

O GLOBO

http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2010/10/08/tecnobrega-se-reinventa-com-novos-estilos-mantem-independencia-922751297.asp

CONTIGO

http://contigo.abril.com.br/noticias/kika-se-joga-tecnobrega-belem-582857

ESTADÃO

http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,festival-de-musica-em-belem-destaca-gabi-amarantos,566864,0.htm

ÉPOCA

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI154020-15220,00-ELA+E+BREGA+ELA+E+DIVA+ELA+E+A+BEYONCEDO+PARA.html

COMO PROCEDER CONTRA ATAQUES AOS BLOGS



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Os blogueiros progressistas e jornalistas Rodrigo Vianna e Luiz Carlos Azenha tiveram suas páginas infectadas. Isso abalou em parte a blogosfera progressista, mas Azenha, mantendo o senso de humor, chamou o ataque de "bolinha de papel", fazendo gozação com o dramalhão que a mídia golpista fez com a bolinha que atingiu a cabeça de José Serra. Maria Frô divulgou um texto mostrando as dicas de como proceder nessas situações.

Como proceder contra ataques aos Blogs

Conceição Oliveira - Blog Maria Frô - Reproduzido também no blog de Luís Nassif

Blogs atacados do #blogprog - como proceder

Depois que o site do Azenha (www.viomundo.com.br) e do Rodrigo Vianna (www.rodrigovianna.com.br) sofrerem ataques veja aqui, muitos outro blogueiros estão dando boas dicas. Se você tem wordpress atualize para a versão 3.0 tem menos falhas. Troque sua senha, ponha uma senha forte, veja aqui a força da senha do seu blog.

Aos leitores, abaixem em seu comportador o Opera (um navegador seguro).

O @gutocarvalho que criou e cuida da manutenção do Maria Frô, explica o seguinte em relação aos ataques aos blogueiros do #blogprog: “O que pode ter acontecido é que alguém injetou um arquivo malicioso em algum site fraco da maquina ou da própria conta do blogueiro atacado. O Google detectou e já marcou o site. Agora tem de correr atrás, dar uma geral no servidor.“

Para isso ele que dá as seguintes dicas aos blogueiros:

1. Procurar o arquivo que o google identificou como malicioso (esse arquivo provavelmente veio com algum link deixado nos comentários). Portanto, cuidado ao aprovar comentários de leitores desconhecidos com links suspeitos, especialmente links encurtados.

2. Eliminar esse arquivo do servidor.

3. Contatar o Google e solicitar uma nova avaliação.

4. Aguardar a nova avaliação que vai se certificar que o arquivo malicioso nao existe mais.

6. É preciso cadastrar no webmaster tools do google: https://www.google.com/webmasters/tools/home?hl=en
para solicitar uma revisão do alerta. O webmaster vai passar os dados do site e conseguir o suporte necessário para reverter o problema (tem de dominar minimamente o inglês para fazer isso).

sábado, 23 de outubro de 2010

VÍRUS ATACA BLOG DE LUIZ CARLOS AZENHA



Neste momento (hoje, 21:10, à noite), um vírus invadiu o blog Viomundo, de Luiz Carlos Azenha, um dos mais expressivos da blogosfera progressista.

Isso é bastante lamentável, e dá para suspeitar quem provavelmente lançou os vírus. O que mostra que o reacionarismo, de uma forma ou de outra, continua ativo. Uma pena.

REDE GLOBO PREFERE CONFIAR EM IMAGENS DE PÉSSIMA RESOLUÇÃO



Por Alexandre Figueiredo

É ridículo que, em detrimento da informação, a palavra do "amiguinho" valha mais do que a coerência do fato.

Na última semana, houve um protesto dos militantes do PT contra a campanha de José Serra no bairro do Campo Grande, no Rio de Janeiro, que gerou confronto com os seguranças e militantes do PSDB, além de resultar num incidente com o candidato, aparentemente atingido por um objeto redondo, muito provavelmente uma bolinha de papel.

A Rede Globo, ao noticiar o incidente, mostrou a reportagem feita pelo SBT que afirmou ser uma bolinha de papel o objeto que atingiu a cabeça de José Serra. Mas a emissora dos irmãos Marinho preferiu pôr em dúvida a tese, falando em um "objeto estranho", exagerando na reação do candidato, que passou a mão na cabeça depois do incidente.

Motrando uma imagem de péssima resolução, supostamente tirada do celular de um repórter da Folha de São Paulo, a Globo anunciou que Serra teria sido atingido por um objeto perigoso, duvidando que seja uma mera bolinha de papel.

Tsavkko escreve que o vídeo poderia ter sido feito por um militante do PSDB, mas eu mesmo já escrevi para ele informando da constatação da Globo. Se bem que, Folha ou PSDB, Globo ou PSDB, tanto faz, praticamente é tudo a mesma coisa.

Num pronunciamento recente, Lula comparou o mal-estar de José Serra com o "perigoso ataque" com o episódio do goleiro chileno Roberto Rojas. Vendo que um foguete sinalizador foi jogado para o gramado, perto da trave onde estava Rojas, ele tirou do bolso uma navalha e se cortou, e aí fingiu ter sido atingido pelo foguete, o que fez o jogo ser suspenso e o time todo sair de campo, com Rojas sendo socorrido pelos médicos. Era uma partida entre as seleções do Chile e do Brasil, em 1989, para a copa de 1990, jogo realizado no estádio carioca do Maracanã.

Depois a farsa foi descoberta, o time chileno foi punido de não participar de jogos oficiais durante cinco anos, e a responsável por ter atirado o foguete foi uma mulher chamada Rosemery Mello, que teve seus poucos minutos de fama, como a "fogueteira do Maracanã", tendo até posado para a Playboy.

Mas, como não havia portal Ego - olhem as Organizações Globo aí! - para dar guarita para as boazudas naqueles tempos, Rosemery caiu no ostracismo. Se tivesse portal Ego já naquela época, talvez ela aparecesse tanto na mídia quanto a autêntica musa e beldade substancial Luíza Brunet.

Rosemery não pararia um só momento, nas suas repetidas exibições corporais na praia, nas noitadas e nas quadras de escola de samba, com direito a "pagar calcinha", a mostrar decotes "avantajados" ou a "acidentalmente" deixar uma peça de roupa cair para mostrar seus "dotes" corporais.

Roberto Rojas, no entanto, também está relacionado ao mesmo Estado de São Paulo de José Serra, porque anos depois atuou como treinador do time do São Paulo.

CULTURA POPULAR E ABOLICIONISMO: O MESMO MEDO DA INTELECTUALIDADE



A intelectualidade etnocêntrica está com medo. Muito, muito medo.

Está com medo de que a volta dos áureos tempos da música de qualidade produzida pelas favelas, sertões e roças do nosso país tome conta da mídia e do gosto popular da maioria.

Está com medo de que, caso isso aconteça, o povo deixe de se comportar feito um consumidor passivo de referenciais da mídia e tenha uma visão ainda mais crítica da vida.

E, com isso, há o medo de que novas revoltas surjam.

Por isso, a intelectualidade se apressou em defender a "cultura" brega-popularesca como se ela fosse a "legítima cultura popular".

Criam um discurso confuso, mas persuasivo, que convence mais pela emoção do que pela (nenhuma) razão.

Deixe o povo sob controle, amestrado pela mesma grande mídia que essa intelectualidade tanto afirma odiar.

Movimentos sociais, para essa intelectualidade paternalista enrustida, só são bons longe do Brasil. Na Palestina, na Cordilheira dos Andes, no Haiti.

No Brasil, deixa o povo pensar que dançar o "rebolation" e o "créu" é "fazer movimentos sociais". E inventa que rejeitar essa ideia é ter "preconceito" contra o povo.

Mas esse temor não é de hoje.

No século XIX, não eram poucos que, no Primeiro Império, afirmavam defender os valores humanistas lançados pela Revolução Francesa, mas se recusavam a romper com a escravidão.

A desculpa era de que romper com o sistema escravagista era romper com a geração de riquezas para o nosso país.

Tratava-se um povo como o de ascendência ou procedência africanas como se fosse animal de carga e justificava-se isso tudo com os mais cínicos porém covardes preconceitos e pretextos da época.

Hoje a intelectualidade não quer romper com a escravidão cultural da mediocridade, da breguice que transforma o povo pobre numa multidão domesticada, caricatura de si mesma.

Embora justifiquem com as mais delirantes alegações "modernistas" ou coisa parecida, o temor segue, no fundo, a mesma paranóia dos defensores da escravatura.

A paranóia de romper com uma atividade geradora de riquezas, que é o mercado do entretenimento brega-popularesco.

Ou seja, quem está por trás daquilo que se pensa ser a "cultura popular atual", os empresários do entretenimento brega-popularesco, são os senhores de engenho modernos.

Aliás, os senhores de engenhos eram latifundiários, como são os fazendeiros que hoje patrocinam a dita "música sertaneja", o forró-calcinha, o tecnobrega e outros.

Portanto, é o medo de que determinadas elites poderosas percam dinheiro de repente que move a reação ao mesmo tempo medrosa e conivente da intelectualidade.

Só poucos correm contra a maré.

Porque esses poucos se comprometem com valores de cidadania que ainda não são devidamente compreendidos. Mas que prevalecerão por sua pertinência. E que defendem riquezas sociais muito maiores do que a fortuna dos "senhores" de escravos de outrora e dos donos da cafonice de hoje.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

CRIME ELEITORAL RELACIONADO AO PSDB NO INTERIOR GAÚCHO






Por Alexandre Figueiredo

O blogueiro Marco Aurélio Weissheimer, do RS Urgente, divulgou que a Polícia Rodoviária Estadual do Rio Grande do Sul, numa ação conjunta com o Ministério Público e a Polícia Federal, apreenderam um caminhão com material de campanha do candidato José Serra e prenderam três pessoas, dois homens e uma mulher.

As três pessoas foram flagradas distribuindo sacolas de alimentos no bairro Cohab, de habitações populares, localizado no município de Coxilha, da região de Passo Fundo. A ação foi feita no final da tarde da última quinta-feira.

Há alguns dias, um caminhão de som anunciando a propaganda de José Serra circulou nos bairros de Passo Fundo com muitas sacolas contendo alimentos. Na última quinta-feira, o caminhão, depois de percorrer Passo Fundo, chegou a Coxilha. Foi aí que o veículo foi interceptado e detido. Dos três envolvidos, dois admitiram que distribuíram alimentos para fins eleitoreiros. Outro disse que só iria declarar em juízo.

Como se vê, a campanha tucana, sobretudo no Estado da tucana gaúcha Yeda Crusius, se inspira em recursos da República Velha para conquistar o eleitorado. Verdadeira demonstração de voto de cabresto.

Quão antiquado o nosso PSDB...

POSSÍVEL CAPA DE VEJA? NÃO CUSTA IMAGINAR



Veja não é atriz de teatro, mas deve fazer o maior drama com o episódio das bolinhas de papel atiradas contra José Serra.

A VERDADE FACTUAL ÀS FAVAS


ESSES "BONS TEMPOS" PODEM ACABAR...

COMENTÁRIO DESTE BLOG: A grande mídia não quer saber das principais conclusões acerca do caso da quebra de sigilo fiscal dos políticos do PSDB, divulgadas por Amaury Ribeiro Jr. Além do mais, a Polícia Federal também concluiu que não é possível ligar o caso às disputas eleitorais, até porque desconfia-se que a quebra de sigilo pode ter sido feita dentro de interesses divergentes dentro do PSDB.

A verdade factual às favas

Por Sérgio Lírio - Revista Carta Capital - Reproduzido do Blog Escrevinhador

A mídia torna secundárias as principais conclusões do caso da quebra de sigilo fiscal de tucanos

Na segunda-feira 18, durante a premiação das empresas mais admiradas do Brasil, Mino Carta causou certo mal estar na plateia de empresários ao falar, entre outras, que a mídia brasileira não costuma se guiar pela verdade factual, pelos acontecimentos como eles se deram. Prefere as versões de seu interesse. Mas como discordar dessa afirmação ao ler nos jornais desta quinta-feira 21 o relato das conclusões da investigação da Polícia Federal sobre a quebra de sigilo fiscal de tucanos e parentes do candidato José Serra. O Estado de S. Paulo, por exemplo, estampa: “Jornalista ligado ao PT pagou por dados de tucanos”. Para produzir essa linha, que me surpreenderá se não for utilizada no horário eleitoral gratuito de Serra, o jornal paulista tornou acessório o essencial dessa história. A saber:

O jornalista Amaury Ribeiro Jr. trabalhava no jornal Estado de Minas quando encomendou e pagou a um despachante de São Paulo pelos dados sigilosos. Segundo relatou à PF, as despesas do “trabalho” foram custeadas pelo jornal e sua missão era “proteger” o então governador Aécio Neves das investidas de José Serra, que teria encomendado ao deputado e ex-PF Marcelo Itagiba a fabricação de dossiês contra o correligionário de Minas.

Quando a quebra dos sigilos ocorreu, Serra e Aécio disputavam a indicação à vaga de candidato à presidência do PSDB. Aliás. Itagiba tem histórico no trabalho de atropelar adversários do presidenciável tucano. Quando Serra era ministro da Saúde e ele cuidava da “inteligência” da pasta, circulou um dossiê contra Paulo Renato de Souza, então ministro da Educação. À época, Souza andava tentado a fazer o mesmo que Aécio desejava: disputar a indicação do PSDB à presidência. Serra levou a melhor e acabou candidato em 2002, assim como foi o escolhido agora.

Ribeiro Jr. nunca foi contratado pela pré-campanha de Dilma Rousseff e nunca trabalhou para o PT antes. Ele apenas intermediou um contato entre Luiz Lanzetta, que prestava assessoria ao comitê, e o araponga Onésimo de Souza. Lanzetta estava preocupado com o vazamento de informações internas da pré-campanha. Uma briga por poder na equipe petista entre o grupo de Fernando Pimentel, que indicou Lanzetta, e de Rui Falcão está na base das “denúncias” que viriam a sair na mídia. Depois de o caso vir à tona, Lanzetta perdeu o contrato e o grupo de Falcão ganhou espaço e poder na estrutura.

A PF concluiu que não se pode ligar a violação dos dados com o suposto uso eleitoral das informações. De fato, não existe nenhum indício nem se imagina como a candidatura de Dilma Rousseff poderia se valer de informações obtidas de forma criminosa. Seria um tiro no próprio pé, pois resultaria na cassação de seu registro eleitoral.

Estes são os fatos. O resto…

IDEOLOGIA BREGA SURGIU COMO "HIGIENIZAÇÃO" SOCIAL


NA "CULTURA" BREGA, O POVO É CONDENADO A "PRODUZIR" UMA "CULTURA" ENTREGUISTA EM CONDIÇÕES DE MISÉRIA E SUBORDINAÇÃO SOCIAL.

Por Alexandre Figueiredo

Há uma tese, bastante equivocada, de que Getúlio Vargas promoveu a "higienização cultural" do Brasil, transformando sambas, baiões e modinhas de viola em meros jingles do Estado Novo.

É um grande exagero, porque apenas algumas músicas foram adaptadas para a propaganda da ditadura varguista. E isso se limitou apenas às letras, mas praticamente toda a arte, toda a concepção rítmica e melódica dos ritmos populares originais estava lá, com todo o estilo caraterístico de seus respectivos artistas.

Superestima a intervenção de Getúlio Vargas na cultura brasileira, a ponto de reacionários como Eugênio Arantes Raggi julgarem que toda a MPB feita entre 1937 e 1968 é subproduto da manipulação varguista e suas ramificações comunistas, como se a MPB fosse fundada a quatro mãos por Getúlio Vargas e Luís Carlos Prestes, o que é um absurdo.

Só que os defensores dessa tese delirante esquecem que Vargas, antes do Estado Novo, contava com uma equipe de intelectuais da escola modernista - como o genial pesquisador Mário de Andrade, também poeta e escritor - , que estabeleceu estudos que difundissem os verdadeiros ritmos populares brasileiros, cuja difusão continuou de uma forma ou de outra, mesmo com o abandono de alguns projetos devido ao Estado Novo.

Isso se deu porque, se não mais tínhamos as pesquisas de Mário de Andrade sobre o folclore brasileiro, tivemos depois, na época áurea do rádio brasileiro, verdadeiros pesquisadores culturais, divulgadores da verdadeira canção brasileira, como Luiz Gonzaga e Henrique Foréis Domingues (o Almirante), este um ex-membro do Bando de Tangarás (que também teve Braguinha e Noel Rosa), deram sua grande contribuição para mostrar o rico patrimônio cultural em que vivemos.

A tão falada "higienização social" que costuma-se atribuir a Getúlio Vargas, na verdade, ocorreu durante até pouco antes da ditadura militar, já na crise do segundo governo varguista, eleito democraticamente.

O latifúndio patrocinou os primeiros ídolos que depois seriam considerados cafonas, e, mais adiante ainda, bregas. Eram arremedos de cantores de serestas, caricatos, estereotipados, que na verdade faziam um engodo que misturava elementos da música romântica italiana, dos boleros e mariachis mexicanos e da country music dos EUA, num estilo deturpado e medíocre que nada teve de brasilidade.

Era a "higienização social" que os latifundiários que, mais tarde, defenderam e patrocinaram o golpe militar de 1964, a ditadura e o AI-5, buscando enfraquecer culturalmente o povo pobre para evitar que se explodam revoltas populares. Ou, ao menos, neutralizar o avanço das Ligas Camponesas, um dos principais movimentos sociais dos anos 50.

Junto à música caricata, estereotipada e apátrida, simbolizada acima de tudo por Waldick Soriano, veio todo um padrão de comportamento que o poder dominante determinou para o povo, condenando-o ao subemprego, à prostituição, ao alcoolismo, e, sobretudo, à domesticação contínua que permita paliativos de ascensão econômica sem exercer uma cidadania crítica, firme e forte.

Os defensores da hegemonia brega tentam insistir na ideia de que ela é a "cultura popular pura". Grande engano. Mas podemos ver isso no sentido irônico, uma vez que as classes dominantes, através da cafonice cultural, tenta eliminar do povo suas raízes culturais autênticas, numa ação que as entidades policiais que reprimiram o samba, por exemplo, nunca imaginaram fazer.

Tirou-se do povo aquela brasilidade autêntica, aquela diversidade genuína que reconhecia no samba uma série de ritmos variantes que expressavam a riqueza desse ritmo afro-brasileiro (como o coco, maracatu, jongo, maxixe, caxambu, samba-de-roda, chorinho e gafieira) ou na música caipira verdadeira uma linguagem realmente interiorana, com seus cateretês, modinhas etc. Ou o baião autêntico, o xaxado autêntico, os ritmos do agreste nordestino que tinham sua expressão de regionalidade verdadeira.

A ideologia brega acabou com tudo isso. A ditadura militar e o latifúndio investiram pesado nos ídolos cafonas, num processo que hoje atinge o ápice do poder dominante, tanto que até mesmo intelectuais têm medo de que a hoje música brega-popularesca caia no ostracismo, tamanho é o mercado milionário que ela movimenta.

O horror dessa intelectualidade é o mesmo dos parlamentares do Primeiro e Segundo Impérios, quando se falava na abolição da escravidão. O horror de ver baiões autênticos e sambas genuínos serem retirados dos acervos de professores e jornalistas e serem devolvidos para o povo pobre, que, recuperando sua cultura hoje esquecida, pode rearticular-se para uma mobilização social sem precedentes. O mesmo argumento quando se falava que a abolição da escravatura iria transformar o Brasil numa guerra civil entre negros e brancos.

A ideologia brega só forjou uma brasilidade caricata a partir de 1970, com o sambão-jóia, que não era mais do que um arremedo cafajeste do samba-rock (que, apesar do nome, era a fusão do samba com a soul music), e a "música sertaneja", já corrompida pelo tendenciosismo mercadológico dos mariachis, countrys e boleros estereotipados, e dos vocais esganiçados que eram muito mais caricatos que as duplas caipiras humorísticas do rádio dos anos 40.

Com medidas relacionadas ao Turismo e à Economia, dentro do contexto político conservador da ditadura militar, outros ritmos brega-popularescos foram surgindo, uns investindo na falsa regionalidade, outros no entreguismo estilístico (que não pode ser confundido com "antropofagia", porque esta não dispensa a soberania nacional na assimilação cultural de tendências estrangeiras).

Vieram a lambada, a axé-music, o forró-brega, o breganejo propriamente dito (continuidade da diluição da música caipira nos anos 70), o "funk carioca" (com seu entreguismo estilístico), entre tantos outros derivados (como o arrocha e o tecnobrega) que não passam de derivados dos demais.

Cria-se uma "cultura popular" baseada na domesticação do povo pobre, no controle social da grande mídia, que é agora quem transmite "conhecimentos" e "valores" que, segundo a ótica do poder, devem ser assimilados e seguidos pelas classes populares.

Seja a música estereotipada, medíocre e apátrida, defendida por conta de uma visão paternalista e etnocêntrica que atribui à cultura popular a ideia de "mau gosto", traindo toda uma tradição de cultura de qualidade antes existente. Seja a imprensa policialesca, que difunde o pitoresco e o grotesco em seus valores sociais mais baixos. Seja pela exploração da vulgaridade feminina, da ingenuidade das famílias pobres, da grosseria quase cavernosa dos homens, pela erotização gratuita e aberta das crianças. Tudo isso a grande mídia faz dentro da perspectiva brega-popularesca, estabelecendo o controle social e a alienação que permitem a manutenção do privilégio dos detentores do poder.

Tudo isso também serve para isolar social e culturalmente as elites, que agora se acham "donas" do rico patrimônio cultural do povo brasileiro. Patrimônio que o próprio povo é proibido de usufruir e renovar.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

FERNANDO HENRIQUE APOIOU MUDANÇA DE NOME DA PETROBRAS



Por Alexandre Figueiredo

O Tijolaço, de Brizola Neto, e Viomundo, de Luiz Carlos Azenha, relembraram esse episódio que fez parte do anedotário político nacional.

Pois, com 45 anos de existência, a Petróleo Brasileiro S/A, Petrobras, empresa pública que surgiu depois de intensa campanha no turbulento segundo governo de Getúlio Vargas, e que, curiosamente, contou com o apoio decisivo de um político da UDN, Gabriel Passos - morei perto de uma rua com o nome dele, no Stiep, em Salvador - , numa das raras exceções dentro da oposição partidária ao líder nacionalista.



Pois a trajetória da Petrobras, com 45 anos de existência, esteve perto, dois anos depois dessa celebração, de se transformar numa grande piada, uma piada de mau gosto, muitíssimo mau gosto, em que a ideia de mudança de nome, partida de um economista francês naturalizado brasileiro, Henri Philippe Reichstul, escolhido para presidir a Petrobras, era defendida como se fosse uma fórmula vantajosa.

Segundo Reichstul, a mudança de nome de Petrobras para Petrobrax tornaria a empresa mais competitiva no mercado internacional, além de permitir uma imagem mais moderna da instituição. Grande balela.

O que faz a empresa ser mais competitiva e moderna não é necessariamente a mudança de nome, mas a competência administrativa e a sua trajetória que, ainda que contenha erros, tenha mais acertos.

O nome Petrobrax, que já estava perto de pegar, virou logo piada. Se Petrobras se referia do Brasil, Petrobrax se referia a o quê? Os piadistas logo vieram com Brasix ou Braxil. Brasix parecia marca de cortadores de grama. Braxil parecia nome de remédio. Petrobrax, então, não parece coisa alguma, é apenas um nome ridículo.

Eu mesmo, quando fazia sites questionando as ridículas "rádios rock" Cidade e 89 (que enfocavam a cultura rock como se fossem delegados do DOI-CODI), lancei até um site de textos chamada "A Vez do Brasix", cujo acervo se perdeu por conta do vírus Happy Time, enviado justamente por um dos internautas simpáticos às duas rádios. PiG com guitarras.

A ideia, claro, foi apoiada pela Folha de São Paulo - que então exibia a aura de "mídia boazinha", aparentemente contida - e até mesmo uma peça de teatro, com Fernanda Montenegro, foi anunciada como patrocinada pela Petrobrax.

Felizmente a ideia não pegou, afinal veio a tragédia da Plataforma P-36 para desmascarar a "nova lógica" da "futura" Petrobrax, e a crise política que envolveu o governo tirou os tucanos do Planalto, em 2002. E a Petrobras continuou sendo Petrobras, e se fortaleceu como uma das maiores empresas do mundo.

Ainda bem.

CONFUSÃO NO RJ: SERRA QUER VIRAR VÍTIMA?



COMENTÁRIO DESTE BLOG: A mídia golpista quer culpar os manifestantes petistas pela agressão a José Serra e o confronto contra militantes demotucanos, creditados pelos grão-viscondes do jornalismo como "atentados violentos".

Sem querer apoiar a baderna, mesmo em momentos de ânimos exaltados, é certo no entanto que quem começou a confusão foram os seguranças de Serra, que resgaram os cartazes de protesto dos mata-mosquitos que se manifestaram pacificamente no local.

Rodrigo Vianna dá mais detalhes.

Confusão no RJ: Serra quer virar vítima?

Por Rodrigo Vianna - Blog Escrevinhador

Recebi agora relato de Flávio Loureiro – jornalista e blogueiro no Rio - sobre os incidentes ocorridos em Campo Grande, envolvendo Serra, militantes do PSDB e militantes do PT.

Segue o relato:

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1 – Serra marcou uma caminhada no calçadão de Campo Grande com forte aparato de segurança.

2 – O sindicato dos mata-mosquitos, demitidos na época em que Serra era ministra da Saúde de FHC, se localiza nas imediações.

3 – O processo de demissão dos mata-mosquitos foi traumático, a ponto de trabalhadores perderem tudo, e foram registrados cinco suícdios entre os mata-mosquitos demitidos.

4 – A categoria organizou manifestação no calçadão de Campo Grande.

5 – Os petistas da região, que organizam panfletagens no calçadão, sabendo do quadro, foram para lá evitar confrontos.

6 – Mas os seguranças de Serra, liderados por Júnior, filho da vereadora e deputada estadual Lucinha (PSDB), rasgaram os cartazes dos mata-mosquitos, aí o tumulto começou. Vale lembrar que a comitiva de Serra estava distante do local do conflito, mas Serra foi visto entrando numa Van sem qualquer ferimento.

7 – O miltante petista Carlos Calixto foi agredido e teve o supercílio rasgado, e ainda sangrando foi para a Delegacia Policial registrar a ocorrência.

8 – Segundo o militante petista Sebastião Moraes, a confusão só não foi maior porque outros mata-mosquitos que vinham se incorporar à manifestação chegaram atrasados.

9 – O pessoal mata-mosquitos que estava na manifestação não tem vínculo com o PT. Essa turma tem dois sentimentos básicos: paixão por Lula, que os reincorporou; e ódio por Serra/FHC, que os demitiu.

Abs, Flávio Loureiro

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Agora volto eu, Rodrigo Vianna. Como informei via twitter durante a tarde, assisti imagens brutas da confusão. Vou relatar o que vi:

1) Serra caminha numa calçada, ao lado de Indio e Gabeira…

2) Há militantes com bandeiras do Serra e vários seguranças à paisana, com aquele corte de cabelo típico de p-2 (serviço reservado), vao empurrando a turma do PT que está por ali.

3) Há empurra empurra. Cenas nitidas de um rapaz muito forte, de camisa amarela: bate nuns caras de camisa vermelha. Petistas reagem.

4) Serra para varias vezes. Entra numa loja, depois entra numa van. Sai de novo. Quando vai pra van pela segunda vez, põe a mao na cabeça.

5) Parece mesmo ter sido atingido. Mas a gente não vê direito o que era. Depois, aparece um cara com camisa vermelha (petista?), ensanguentado. Serra entra na van.

6) Sai pela última vez, fica só na porta da van, e dá tchauzinho ao lado de Índio. A careca reluzente, nenhum machucado à vista. E vai embora.

Na sequência, pelo que me contam colegas jornalistas do Rio, Serra seguiu para um hospital, foi atendido por um médico (ex-secretario de Cesar Maia) que recomendou repouso. Serra cancelou agenda.

Dizem que foi atingido por um rolo de fita crepe, ou algo parecido.

Na minha humilde opinião, está só preparando o clima. Semana que vem tem mais. É a quinta onda de terror, para “provar” violência de Dilma e PT.

Para saber mais sobre as “Ondas” da campanha contra Dilma:

Cinco Ondas da campanha contra Dilma Rousseff

O jornalista Tony Chastinet é um especialista em desvendar ações criminosas. Sejam elas cometidas por traficantes, assaltantes de banco, bandidos de farda ou gangues do colarinho branco. Foi o Tony que ajudou a mostrar os caminhos da calúnia contra Dilma, como você pode ler aqui.

O Tony é também um estudioso de inteligência e contra-inteligência militar. E ele detectou, na atual campanha eleitoral, o uso de técnicas típicas de estrategistas militares: desde setembro, temos visto ações massivas com o objetivo de disseminar “falsa informação”, “desinformação” e criar “decepção” e “dúvida” em relação a Dilma. São conceitos típicos dessa área militar, mas usados também em batalhas políticas ou corporativas – como podemos ler, por exemplo, nesse site.

Na atual campanha, nada disso é feito às claras, até porque tiraria parte do impacto. Mas é feito às sombras, com a utilização de uma rede sofisticada, bem-treinada, instruída. Detectamos nessa campanha, desde a reta final do primeiro turno, 4 ondas de contra informação muito claras.

1) Primeira Onda – emails e ações eletrônicas: mensagens disseminadas por email ou pelas redes sociais, com informações sobre a “Dilma abortista”, “Dilma terrorista”, “Dilma contra Jesus”; foi essa técnica, associada aos sermões de padres e pastores, que garantiu o segundo turno.

2) Segunda Onda – panfletos: foi a fase iniciada na reta final do primeiro turno e retomada com toda força no segundo turno; aqueles “boatos” disformes que chegavam pela internet, agora ganham forma; o povão acredita mais naquilo que está impresso, no papel; é informação concreta, é “verdade” a reforçar os “boatos” de antes;

3) Terceira Onda – telemarketing: um passo a mais para dar crédito aos boatos; reparem, agora a informação chega por uma voz de verdade, é alguém de carne e osso contando pro cidadão aquilo tudo que ele já tinha “ouvido falar”.

4) Quarta Onda – pichações e faixas nas ruas: a boataria deixa de frequentar espaços privados e cai na rua; “Cristãos não querem Dilma e PT”; “Dilma é contra Igreja”; mais um reforço na estratégia. Faixas desse tipo apareceram ontem em São Paulo, como eu contei aqui.

O PT fica, o tempo todo, correndo atrás do prejuízo. Reparem que agora o partido tenta desarmar a onda do telemarketing. Quando conseguir, a onda provavelmente já terá mudado para as pichações.

Há também a hipótese de todas as ondas voltarem, ao mesmo tempo, com toda força, na última semana de campanha. Tudo isso não é por acaso. Há uma estratégia, como nas ações militares.

O que preocupa é que, assim como nas guerras, os que tentam derrotar Dilma parecem não enxergar meio termo: é a vitória completa, ou nada. É tudo ou nada – pouco importando os “danos colaterais” dessas ações para nossa Democracia.

Reparem que essas ondas todas não foram capazes de destruir a candidatura de Dilma. Ao contrário, a petista parece ter recuperado força na última semana. Mas as dúvidas sobre Dilma ainda estão no ar.

Minha mulher fez uma “quali” curiosa nos últimos dias. Saiu perguntando pro taxista, pro funcionário da oficina mecânica, pro vigia da rua de baixo, pra moça da farmácia: em quem vocês vão votar? Nessa eleição, pessoas humildes - quando são indagadas por alguém de classe média sobre o assunto - parecem se intimidar. Uns disseram, bem baixinho: “voto na Dilma”, outros disseram “não sei ainda”. Quando minha mulher disse que ia votar na Dilma, aí as pesoas se abriram, declararam voto. Mas ainda com algum medo de serem ouvidos por outros que chamam Dilma de “terrorista”, “vagabunda”, “matadora de criancinhas”.

O que concluo: as técnicas de contra-inteligência de Serra conseguiram deixar parte do eleitorado de Dilma na defensiva. As pessoas – em São Paulo, sobretudo - têm certo medo de dizer que vão votar em Dilma.

Esse eleitorado pode ser sensível a escândalos de última hora. Não falo de Erenice, Receita Federal, Amaury – nada disso.

Tony teme que o desdobramento final da campanha (ou seja a “Quinta Onda”) inclua técnicas conhecidas nessa área estratégico-militar: criar fatos concretos que façam as pessoas acreditarem nos boatos espalhados antes.

Do que estamos falando? Imaginem uma Igreja queimando no Nordeste, e panfletos de petistas espalhados pela Igreja. Imaginem um carro de uma emissora de TV ou editora quebrado por “raivosos petistas”.

Paranóia?

Não. Lembrem como agiam as forças obscuras que tentaram conter a redemocratização no Brasil no fim dos anos 70. Promoveram atentados, para jogar a culpa na esquerda, e mostrar que democracia não era possível porque os “terroristas” da esquerda estavam em ação. Às vezes, sai errado, como no RioCentro.

Por isso, vejo com extrema preocupação o que ocoreu hoje no Rio: militantes do PT e PSDB se enfrentaram numa passeta de Serra. É tudo que o que os tucanos querem na reta final: a estratégia, a lógica, leva a isso. Eles precisam de imagens espataculares de “violência”, da “Dilma perigosa”, do “PT agitador” – para coroar a campanha iniciada em agosto/setembro.

Espero que o Tony esteja errado, e que a Quinta Onda não venha. Se vier, vai estourar semana que vem: quando não haverá tempo para investigar, nem para saber de onde vieram os ataques.

Tudo isso faz ainda mais sentido depois de ler o que foi publicado aqui , pelo ”Correio do Brasil”: uma Fundação dos EUA mostra que agentes da CIA e brasileiros cooptados pela CIA estariam atuando no Brasil – exatamente como no pré-64.

Como já disse um leitor: FHC queria fazer do Brasil um México do sul (dependente dos EUA), Serra talvez queira nos transformar em Honduras (com instituições em frangalhos).

Os indícios estão todo aí. Essa não é uma campanha só “política”. Muito mais está em jogo. Técnicas de inteligência militares estão sendo usadas. Bobagem imaginar que não sejam aprofundadas nos dez dias que sobram de campanha.

Por isso, o desespero do PSDB com as pesquisas. Ele precisa chegar à ultima semana com diferença pequena. Se abrir muito, até a elite vai desconfiar das atitudes das sombras, vai parecer apelação demais.

Por último, uma pergunta: por que o “JN” adiou o Ibope – que deveria ter sido divulgado ontem? Porque Serra estava na bancada do jornal.

A Globo não quis constranger Serra com uma pesquisa ruim? Imaginem as pressões sobre Montenegro, de ontem pra hoje? O PSDB precisa segurar a diferença em 8 pontos no máximo.Para que a estratégina de ataque final, na última semana, tenha chance de surtir efeitos.

Estejamos preparados pra tudo. E evitemos entregar à turma das sombras o que ela quer: agressões contra Serra, contra Igrejas, contra carros de reportagem.

O Brasil precisa respirar fundo e passar por esse túnel de sombras em que acampanha de Serra nos lançou.
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