sábado, 18 de dezembro de 2010

A VELHA IDEOLOGIA BREGA TAMBÉM BRADA COMO A VELHA MÍDIA


PAULO CÉSAR ARAÚJO - A história (ou o fim da História) da Música Popular Brasileira, do jeito que a velha mídia gosta.

Por Alexandre Figueiredo

A velha ideologia brega, sabemos, tenta fugir do vínculo com a velha grande mídia.

Em outros tempos, se orgulhava em ser a expressão do Brasil Grande do regime militar.

Mas como virou moda falar mal da ditadura, tiveram vergonha do antigo orgulho.

Viviam felizes nos palcos da grande mídia, se exultavam em ir a festivais de agropecuária, patrocinados pelos maiores proprietários de terra do país, fazer suas apresentações.

Mas como virou moda falar mal da grande mídia e o latifúndio, por seus crimes, tornou-se persona non grata pela opinião pública, os velhos íconos bregas passaram a se envergonhar desse antigo orgulho.

Tanto tempo reinando no establishment do sucesso comercial, do domínio na grande mídia, inventaram que eram "vítimas de preconceito" e "injustiçados culturais".

Tiveram que criar todo um dramalhão que pudesse tocar nos corações de uma intelectualidade com senso crítico débil e forte grau de paternalismo social.

Tiveram sorte de verem um historiador surgir do nada, o sinistro Paulo César Araújo, que, feito um Varnhagen dos "sucessos do povão", inaugurou oficialmente toda a retórica de defesa "apaixonada" dos tais "sucessos do povão".

PC Araújo, com seu olhar sinistro, com seu jeito duvidoso de escrever livros, com sua retórica panfletária e subjetivista, virou queridinho da intelligentzia.

Afinal, seu livro Eu Não Sou Cachorro, Não - publicado por uma Record alinhada à direita literária - é cheio de inverdades, mas tocou na emoção da classe média que precisava dar a impressão à sociedade de que "gostam do povo pobre".

E aí, feito catapora em criança, multiplicaram-se os textos que chamavam PC Araújo de Deus para cima.

Pra o bem e o DEM de um modelo de "cultura popular" qie foi patrocinado pelo latifúndio, pelo imperialismo, pelo gorilato militar e pelo pós-udenismo da ditadura militar (ou os pré-demotucanos dos anos de chumbo), além do demotucanato e das hordas colloridas de 1990.

Mas não espalha por aí.

As crianças que pensam que Paulo César Araújo é Deus e Pedro Alexandre Sanches o novo profeta da humanidade devem se assustar. Menos barulho.

Afinal, a rapaziada mal começou a ler a imprensa de esquerda.

Foram alfabetizados pela Ilustrada da Folha, coitados.

Só detestavam a Rede Globo. Ou melhor, só o Jornal Nacional. Viam o Domingão do Faustão, o Esporte Espetacular e as narrações de Galvão Bueno como crianças que correm felizes pelos parques da Disney World.

Mas adoravam a Folha de São Paulo.

E corriam para titio Otávio Frias Filho para abraçar suas pernas.

Por isso bradam como a velha mídia.

"Deixem os sucessos do povão em paz! Eles geram emprego, deixam o povo feliz! É o que o povo gosta, é o que o povo sabe fazer!", bradam eles.

Já ouvi coisa parecida ecoando nas ricas mansões da velha grã-burguesia.

A madame queria ouvir Tom Jobim em paz. Os empregados eram afastados de tal deleite.

O intelectual que descobriu os segredos do velho baião não quer que o povo nordestino redescubra o velho ritmo.

"Não fica bonito. Bonito é ouvir Calcinha Preta. O povo pobre, tão feliz...", esnoba o intelectual com artigos festejados pela plateia digital embevecida.

Criticar os "sucessos do povão" não passam de trololó.

E depois essa intelectualidade quer defender o socialismo com textos políticos feitos calculadamente para serem copiados no Viomundo, em Conversa Afiada e no Blog do Miro. De preferência, reproduzido também em versão impressa na Caros Amigos ou Fórum.

Mas, no âmbito cultural, francamente, mais parecem assessores da Secretaria de Cultura do governo de Geraldo Alckmin!

Paulo César Araújo tentou enganar a opinião pública dizendo que os ídolos cafonas do passado combateram a ditadura militar.

A história de pescador de PC Araújo, narrada aos prantos, comoveu a garotada.

Só que todos esqueceram que os ídolos cafonas estavam ausentes de qualquer manifestação pela redemocratização do país.

E não se diz daqueles comícios com Tancredo Neves, Ulisses Guimarães e o ainda insuspeito Fernando Henrique Cardoso.

Fala-se de qualquer manifestação, mesmo.

Os ídolos cafonas, fora uma música censurada aqui ou ali, sempre foram bem tratados pelos militares.

Waldick Soriano elogiava a ditadura, falava mal do feminismo. Isso diante de Marília Gabriela, no TV Mulher!

Mas sumiram com os arquivos de vídeo. PC Araújo e titia Patrícia Pillar mandaram retirar.

E eles depois querem somar palmas para os movimentos em prol da verdadeira liberdade de expressão e informação.

Vetam vídeos de Waldick esbanjando direitismo e depois querem fazer coro para quem fala mal da velha mídia, da prisão de Julian Assange etc.

A velha mídia tenta empurrar a trilha sonora brega-popularesca e seus preconceitos do entretenimento do povo pobre para nós, esquerdistas, engolirmos feito areia suja na nossa boca.

Com o apoio de uma intelectualidade que seguiu direitinho as lições dos professores José Serra, Fernando Henrique Cardoso e Otávio Frias Filho mas que hoje, fingindo-se esquerdistas, querem escrever textos para Viomundo, Escrevinhador, Blog do Miro, Caros Amigos e Revista Fórum publicarem.

Já recebi mensagem de dirigente funqueiro espinafrando a esquerda. Usam a esquerda para veicular seu falso discurso de "mobilidade social". Mas, nos bastidores, ficam falando, sarcásticos, o quanto os esquerdistas são trouxas, ridículos.

A velha mídia gosta dessa intelectualidade que defende os "sucessos do povão".

Porque sabe que essa intelectualidade freia mais do que impulsiona a luta dos movimentos sociais.

Para essa intelectualidade, o progresso do país só pode ser parcialmente feito. Através das representações da sociedade civil nos tribunais, palanques, plenários.

Mas o povo só pode assistir a isso passivo, e ir que nem gado para o galpão do entretenimento mais próximo - a casa noturna do subúrbio - para consumir os "sucessos" que o rádio FM empurra para o povo pobre consumir. Os mesmos sucessos comerciais que a intelectualidade etnocêntrica define como "cultura da periferia".

Mas como essa intelectualidade é tão boazinha. Eu é que sou mau, querendo que velhos batuques, violas, cantos populares ressoem nas favelas, roças e sertões.

Eu é que sou cruel, reprovando a mediocridade dominante nas rádios e TV aberta.

Eu que sou ridículo, quando denuncio a domesticação social que está por trás.

Sou desprezível, porque não tenho visibilidade. Porque não vou para os salões do Grande Monde.

Porque não sou um pupilo da Folha disfarçado de crítico musical "de esquerda".

Porque não "elogio" paternalmente as classes pobres na sua inocente alienação, como um colono português que dava colar para os índios.

Só que, se eu sou considerado "preconceituoso" com o que se entende como "cultura popular", aqueles que assim me julgam se comportam exatamente como a velha mídia.

Sentem medo de ir ao Instituto Millenium que evitam até de ir para a rua onde fica sua sede.

Mas corroboram com absoluta fidelidade a visão de "cultura popular" traçada pelos porões do IPES/IBAD.

Acham que popozudas e marias-coitadas, "cachorras" e "tchutchucas" são "feministas" porque não têm namorado, falam mal de homens e o único macho que as acompanha nos "bailes de subúrbio" são seus irmãozinhos caçulas ou afilhados de uns 13, 14 anos.

Coitados, mal sabem que os "machos selvagens" demotucanos não gostam de Maitê Proença nem de Sônia Francine, eles querem mesmo é Solange Gomes e as dançarinas do É O Tchan.

Acham que a mobilização social séria só pode ser feita nos Andes, em Israel, na península de Galipoli, de preferência bem longe daqui.

É essa intelectualidade que diz "gostar do MST" para não decepcionar os caros amigos?

Mas que fala mal do MST pelas costas, com a fúria de um colunista de Veja?

Que diz zelar pela diversidade cultural de nosso país, mas defende a mesma mesmice popularesca e padronizada que se vê no Domingão do Faustão?

A velha ideologia brega se desgasta feito cadáver em estado avançado de decomposição.

Quem quer progresso social não quer ter esse cadáver fedendo no quarto.

Que esse cadáver vá apodrecer nos porões da velha grande mídia. Tomem que os filhos são seus!

O povo quer cultura de verdade, e não essa caricatura que se vê há mais de 40 anos!

Um comentário:

  1. Repare que na foto colocada. PC Araújo aparece com o logotipo do UOL, que é da Folha, do P.I.G..

    PC Araújo de mãos dadas com a obesa mídia porca.

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