segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A TRILHA SONORA DA MÍDIA GOLPISTA QUER SOBREVIVER FORA DELA. IMPOSSÍVEL


ALEXANDRE PIRES NO DOMINGÃO DO FAUSTÃO, DA REDE GLOBO - Só Pedro Alexandre Sanches e sua turma não viram.

A velha mídia, em crise, quer passar adiante sua trilha sonora.

Como uma mãe que joga seu filho recém-nascido numa cesta de lixo.

Como uma companhia falida que joga seus móveis e outros bens no ferro-velho.

É uma pretensa cultura popular, estereotipada, esquizofrênica, apátrida, medíocre, que nenhum valor digno produz, não traz conhecimentos, não cria marcas, não produz arte verdadeira, mas apenas "sucessos" que morrem com o passar do tempo.

É essa "cultura popular" que aparece nas rádios FM e na TV aberta, que é a Música de Cabresto Brasileira, que tenta se desvencilhar da grande mídia que a criou.

Mais ou menos como se um peixe quisesse viver fora d'água.

E o que tem de cardumes brega-popularescos querendo se desvencilhar das ondas midiáticas, às custas do apadrinhamento forçado de críticos musicais, antropólogos, sociólogos e historiadores, não está no gibi, quer dizer, no blog.

Todos sabemos que essa baixa qualidade da música brega-popularesca é proposital.

Há muito tempo o mercado proibe que prevaleça a música de qualidade entre as classes pobres.

Porque isso lhes trará conhecimento, senso crítico, capacidade de discernimento, o que pode resultar numa emancipação popular sem precedentes.

Que assustaria não somente as elites da mídia golpista, mas a própria intelectualidade que perderá exclusividade na sua formação preciosista da cultura brasileira.

Que mal-estar deve sentir um crítico musical, um antropólogo, sociólogo ou historiador, quando seus segredos sobre a música brasileira fossem revelados para a população da periferia.

Revelados não nos covers tendenciosamente selecionados para os "cantores do povão" que batem ponto no Domingão do Faustão cantarem, mas através dos artistas originais.

É muito fácil, para a grande mídia e as elites, investir num falso sambista que não passa de um cantor brega que grava com pandeiro e cavaquinho, que mal consegue ser uma pálida tradução de Julio Iglesias com Lionel Richie.

O falso sambista não tem senso crítico, se comporta feito um carneirinho, aceita os ditames do mercado, e faz o trabalho que lhe ordenarem.

Depois, quando sua carreira se "consolida", é só gravar covers de MPB, participar de tributos e manter as aparências. Mas seu repertório autoral continua medíocre de qualquer jeito.

Isso vale não só para os falsos sambistas, mas para os falsos artistas caipiras (breganejo), para os falsos artistas de afoxés (axé-music) e até para os ídolos do ultrapretensioso "funk carioca", forró-eletrônico, e por aí vai.

Enfim, para toda essa "música popular", para esses "sucessos do povão" que reafirmam o poder da grande mídia sobre o processo de cultura popular.

E, junto a isso, todo um espetáculo de popozudas, ex-BBB's, e um cenário de periferia falsificada onde a missão do pobre não é buscar a qualidade de vida, mas se virar dentro dos limites da miséria.

Essa música brega-popularesca é alienada, sim, e não adianta esnobar tais acusações dizendo que "fulano é alienado, sim, mas lota plateias como ninguém".

Afinal, estamos cansados desse papo. De "lotar plateias", de "romper preconceitos", de "desafiar a imagem de 'alienado'", de "expressão do povo das periferias", toda lorota, toda balela, que não passa de trololó com sabor de paçoca.

É a trilha sonora da velha grande mídia. Queiram ou não queiram.

Esses mesmos ídolos bregas do passado, apoiados pelas rádios latifundiárias, ou os mesmos ídolos neo-bregas apoiados pela Rede Globo, por Antônio Carlos Magalhães e José Sarney, pelos governos de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso, e até por George W. Bush e o escambau. E Alexandre Pires foi para os EUA respaldados pelo casal direitista Gloria Estefan e Emilio Estefan Jr.

Todo esse brega-popularesco que Pedro Alexandre Sanches quer enfiar nas entrelinhas é o mesmo que é exaltado, e sempre foi, pela velha mídia golpista.

Exemplos não faltam.

Até Gaby Amarantos foi parar nas páginas de Veja. Alguém acha mera coincidência isso? E o amplo espaço que o "funk carioca" recebeu das Organizações Globo? Mera coincidência?

Não. Essa música brega-popularesca aposta na domesticação do povo pobre. Essa é a verdade.

Por isso a Música de Cabresto Brasileira se tornou a trilha sonora da velha mídia decadente. E essa trilha se desgasta com ela, incapaz de criar novos trabalhos, investindo agora em CDs e DVDs ao vivo, sempre mostrando o mais do mesmo, sempre repisando velhos sucessos como um cachorro que corre atrás do seu próprio rabo.

Desvincular essa cultura pseudo-popular da grande mídia é como tentar fazer o peixe viver fora d'água. Pode convencer a plateia deslumbrada por um tempo, mas perde o sentido depois de passada a aparente novidade da falácia transmitida.

O peixe pode dar suas reboladinhas no solo seco, mas um dia morre.

3 comentários:

  1. Acho que a música brega-popularesca deveria morrer se estivesse bem longe da grande mídia...

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  2. De fato, a música brega-popularesca não tem vida própria e em breve desaparecerá. Mas, se quiser sobreviver, pelo menos terá que assumir seus vínculos com a mídia conservadora que a sustentou e a fez crescer.

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  3. Se o projeto MPB nas Esclas já tiver avançado muito até 2015, com certeza os ídolos brega-popularescos vão virar empresários.

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