quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A PERIFERIA É REFÉM DO "FUNK"



Por Alexandre Figueiredo

O povo da favela quer falar.

O povo quer qualidade de vida, mas é refém de sua própria pobreza.

É feita estereótipo de si mesma, devido à grande mídia.

A mídia botou corda nas costas do povo e enfiou-lhe tomada nos lombos.

O povo da favela, como o povo pobre em geral, virou refém de sua ignorância, refém da mediocridade cultural que toma conta da grande mídia.

Falam que o "funk" é a expressão do morro, da periferia. Nada disso.

O "funk" foi inventado por uma elite de empresários-DJs, podres de ricos, mas fantasiados de "gente simples" para disfarçar (mal) seu estrelismo.

E agora o povo é refém do "funk".

Falam que, se o povo melhorar, o "funk" melhora, mas isso é uma grande hipocrisia.

Há oito anos o "funk" vende essa FALSA imagem de "movimento sócio-cultural", e até agora NENHUM de seus empresários-DJs, NENHUM de seus dirigentes, fez seu povo ter mais acesso às escolas, à qualidade de vida.

A moça favelada não quer bancar a mulher-fruta nem a "mocreia raivosa" do "funk", ela quer escola, quer emprego, quer moradias melhores.

O "funk" prende o povo na favela.

Cria um fascismo ufanista, que ao mesmo tempo em que fala do "orgulho de ser pobre", transforma os morros em verdadeiros campos de concentração.

Quando chove forte e há deslizamentos, algumas pessoas morrem. Mas isso não aparece no "funk".

Os dirigentes funqueiros só fazem falar, só dão um discurso "articulado" para agradar as autoridades.

E, quando esses dirigentes funqueiros são questionados por blogueiros, posam de vítimas, tentam escrever bonitinho e tentam ser "diplomáticos".

E ainda ironizam: "Você pode apagar nossa mensagem, pelo menos você a leu".

O que está por trás dessa politicagem toda, que no discurso são tudo flores, uma retórica que seduz intelectuais, anima políticos, engana e ilude toda a sociedade?

Os dirigentes funqueiros, no palanque, exaltam a esquerda, os movimentos sociais e dizem, estufando o peito: "Foi a violência da polícia que me fez um militante social".

Mas depois, entre si, nos bastidores, os dirigentes funqueiros logo dizem: "Como a esquerda brasileira é trouxa. Se eu disser que a Valesca Popozuda é militante feminista, eles acreditam. Isso é melhor do que roubar bala de criança".

Imagine um senhor de engenho do século XIX disfarçado de quilombola? Equivale aos empresários-DJs de "funk carioca". E seus capatazes? Os dirigentes funqueiros.

Que, felizes, aparecem nos noticiários da TV Globo do Rio esnobando os mesmos trotskistas que os apoiam, ingênuos.

Os empresários e dirigentes do "funk carioca" se acham os "donos" do povo pobre.

Para eles, o povo não fala, só o "funk" fala por eles.

Só o "funk" vai dizer se o povo vai ter qualidade de vida ou não.

E que papel social terá que ter a juventude pobre dos morros.

O "funk" não quer cidadania. Quer dinheiro para seus empresários e "artistas".

Quer lobby político para não pagar impostos, para o Estado bancar os "bailes funk".

Há oito anos o "funk" vende esse discurso "socializante", essa retórica "militante", mas o dinheiro que arrecadou não foi repassado para o povo das favelas.

Foi tudo para os bolsos dos empresários, que, entre outras coisas, compraram até fazendas no interior carioca e vão para Miami como quem vai para a pracinha da esquina.

O povo da favela quer ser feliz, sim.

Mas não dessa maneira tosca de mera inclusão no consumo neoliberal popularesco.

O povo quer se sentir gente, não quer ser uma multidão de "tigrões" nem de "cachorras".

O povo quer dignidade, não demagogia.

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